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Muitos filmes de grande qualidade não têm o destaque que merecem, passando quase despercebidos. Por razões meramente económicas, as verbas promocionais concentram-se apenas em meia dúzia de títulos "mais comerciais". Para contrariar esta tendência, criámos este espaço de partilha e entre-ajuda, onde todos podem participar: escolha os filmes que achou mais marcantes e deixe o seu comentário.
Foram encontrados 87 comentários. Resultados de 41 a 60 ordenados por data:
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Anjos e Demónios (Pontuação: 8)
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Não tão bom como o livro...mas quase!, 2009-08-25
A adaptação de um romance para o cinema nunca foi tarefa fácil, até porque a escrita é, muitas vezes, difícil de transformar em imagem e nem sempre o resultado satisfaz a critíca ou o público, destinatário final do produto."Anjos e Demónios" sofre desta tendência, embora pelo lado positivo.
Após o estranho assassinato na Suiça de um físico de renome, Robert Langdon, simbologista de respeito, é chamado à Cidade do Vaticano para ajudar na resolução do caso; uma antiga sociedade secreta quer destruir o centro da Fé Cristã. Rápidamente é estabelecida uma ligação entre estes dois factos e um outro que decorre em simultâneo, a eleição de um novo Papa, cujos principais candidatos foram raptados. As autoridades terão que resolver o caso numa autêntica corrida contra o tempo.
No papel de Robert Langdon encontramos Tom Hanks que já o havia interpretado em "O Código DaVinci" (Ron Howard, 2006) e se na altura o actor não parecia muito à vontade no papel, aqui tal já não acontece. Hanks agarra a personagem e fá-lo convincentemente com aquela força do actor que conhecemos em "Filadélfia" (Jonathan Demme, 1993), "Forrest Gump" (Robert Zemeckis, 1994), "O Náufrago(Robert Zemeckis, 2000) ou mesmo "O Resgate do Soldado Ryan"(Steven Spielberg, 1998). A secundar Hanks no elenco, encontramos ainda outros nomes sonantes como Ewan McGregor, Stellan Skarsgard ou Armin Mueller-Stahl.
A realização volta a ser de Ron Howard que, beneficiando da experiência adquirida em "O Código DaVinci", onde foi acusado de não saber gerir o material que tinha em mãos e deixar o filme arrastar-se até à monotonia, realizou um filme pleno de acção, dinâmico e movimentado, que só peca por, perto do final, se começar a tornar demasiado evidente, e onde visitamos uma Roma que, para além da beleza natural, também tem o seu quê de sinistro, graças a uma belissíma fotografia nocturna que transforma alguns dos sitíos onde decorre a acção do filme em locais a evitar num passeio de familía.
"Anjos e Demónios" é novamente baseado num romance de Dan Brown que parece ter descoberto um verdadeiro filão, tal o sucesso obtido com ambos os livros e respectivas adaptações.
Ao contrário do que se possa pensar, a acção de "Anjos e Demónios", o livro, decorre antes acontecimentos narrados em "O Código DaVinci", tal como referido neste último.
Contudo, os produtores do filme optaram por situar os eventos na ordem inversa dos livros respeitando assim a lógica da adaptação cinematógráfica.
Apesar de ambos os filmes não fazerem justiça aos romances em que se baseiam, são obras a não perder!
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)
Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro de Fleet Street (Pontuação: 9)
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A Qualidade de Tim Burton e Johnny Depp!, 2009-08-24
À Broadway, o cinema sempre soube ir buscar peças teatrais que depois transforma em maiores ou menores sucessos de bilheteira. "Sweeney Todd" é o mais recente exemplo dessa constante busca.
Benjamin Barker, barbeiro de profissão, é injustamente condenado à prisão nas galés por força de um juiz que lhe cobiça a mulher. Durante 15 anos ele alimenta cuidadosamente o seu desejo de vingança e regressa a londres, como Sweeney Todd, para cumprir a sua missão e reencontrar s sua mulher e filha cujo destino trágico desconhece.
Realizado no estilo habitual de Tim Burton, cujo gosto pelos ambientes negros e sinistros, já patente em obras anteriores como "Batman" (1989), "Batman Returns" (1992) ou " A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça" (1999), tem aqui o seu expoente máximo. A reconstituição da londres do século XIX acenta que nem uma luva no ambiente completamente surreal do filme.
No elenco desta adaptação do musical de Stephen Sondheim, encontramos os nomes de Alan Rickman, no papel do juiz responsável pela prisão de Benjamin Barker e alvo da vingança de Sweeney Todd. Cada vez mais o actor revela uma especial propensão para papéis de vilão, basta lembrar a sua magnifica prestação em "Assalto ao arranha-céus"(John McTiernan, 1988) ou em "Robin Hood-Princípe dos Ladrões"(Kevin Reynolds, 1991) e Sacha Baron Cohen como o barbeiro charlatão e vendedor de tónicos capilares. À cabeça do elenco surgem duas presenças habituais nos filmes de Burton, Helena Bonham Carter e Johnny Depp, que personifica cada vez mais o alter-ego do realizador. Se em filmes anteriores havia já uma forte cúmplicidade, nesta quinta colaboração nota-se, entre actor e realizador um entendimento mais que perfeito. Neste filme, o actor, que se sabe, ser habitualmente perfecionista ao ponto de deixar marcas e, muitas vezes, salvar filmes do completo fracasso, ultrapassa-se e cria uma personagem amarga, demoníaca, vingativa e que, ainda por cima, canta bem (convém não esquecer que estamos perante um musical!), mas mata ainda melhor, com requintes de autêntico sadismo. Tim Burton, o seu universo e o cinema agradecem.
Vencedor de vários prémios, incluindo 2 Globos de Ouro para Johnny Depp como Melhor Actor em Comédia ou Musical e de Melhor Filme Musical ou Comédia e 1 Oscar da Academia para a Melhor Direcção Artistíca (prémio já várias vezes atribuído a filmes de Tim Burton), "Sweeney Todd" é um filme violento, sangrento, pontuado aqui e ali por algum humor negro. É mais um passo importante no universo de Tim Burton e uma interpretação fantástica de Johnny Depp, a qual, tão cedo não esqueceremos.
Depois desta experiência, uma ida ao barbeiro nunca mais será a mesma!
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)
A Troca (Pontuação: 10)
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Palavras para quê? É um filme de Clint Eastwood!, 2009-08-02
A adaptação para o grande écran de histórias baseadas em factos verídicos encontrou sempre uma boa recepção por parte do grande público, mesmo quando não reune os favores da crítica, resultando quase sempre num sucesso de bilheteira. "A Troca" é um desses exemplos.
Los Angeles 1928, Christine Collins vive com o seu filho Walter. É uma mãe trabalhadora que leva o seu filho todos os dias à escola antes de ir trabalhar e vai buscá-lo depois do trabalho. Um sábado de manhã, Christine vai trabalhar e deixa Walter sózinho em casa, quando regressa, o seu filho desapareceu e ela vai enveredar todos os esforços para o encontrar. Após meses de espera e desespero, eis que Walter aparece e é-lhe entregue pela polícia. Mas Christine desde logo percebe que aquele rapaz não é o seu verdadeiro filho.
Chamar filme-denúncia a esta obra, será talvez reduzi-lo a uma expressão que não espelha a grandiosidade, nem a humanidade nela contida e "A Troca" é muito mais que isso.
Graças a uma realização magistral de Clint Eastwood, o filme vai muito mais além do drama convencional que nos puxa à lágrima fácil e que deixa aquela sensação de "dejá vu" isto em qualquer lado. O realizador filma o drama e depois em vez de aligeirar a coisa, aprofunda-a ainda mais sem perder tempo.
Com uma fotografia e reconstituição de época magnifícas, filme toca levemente os géneros desde o drama ao policial passando ligeiramente pelo "film noir" (a investigação que leva o detective Ybarra ao rancho Northcott e ao que lá descobre), conduzindo-nos ao filme-tribunal para depois regressar ao drama sem nunca perder ponta de interesse nem enredar demasiado a história que, se compararmos ao que hoje se passa, vemos enormes semelhanças,nos deixa pouco á vontade.
"A Troca" bastar-se-ia a si própria só pelo trabalho do Realizador Clint Eastwood, mas tem mais. Tem uma excepcional interpretação de Angelina Jolie, naquele que será, talvez, o melhor papel da sua carreira e tem também John Malkovich no papel de Reverendo Gustav Briegleb, em cujas denúncias do sistema policial de Los Angeles, Christine Collins encontra forças suficientes para continuar a procura do seu filho. Malkovich, que já havia contracenado com Eastwood em "Na Linha de Fogo" (Wolfgang Petersen, 1993), tem aqui também um papel ao nível daquela e de outras obras a que já nos habituou.
Magnifíco e algo incómodo, "A Troca" não deixa, no entanto, de ser mais uma obra de qualidade superior a que Clint Eastwood já nos habituou ao longo do tempo.
A não perder!
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)
24 - Série 1 (Ep 1 e 2) (Pontuação: 10)
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O Relógio não Pára!, 2009-07-09
No inicio da década de 80 do século passado, uma série veio revolucionar o modo de fazer televisão. "Hill Street Blues", assim se chamava essa série, relatava o dia-a-dia numa esquadra de polícia de uma qualquer cidade americana. Tão realistas eram as histórias que por lá passavam que a série se tornou num enorme fenómeno de sucesso em todos os países onde passou.
No séc XXI deu-se nova revolução na televisão com a estreia de várias séries de grande qualidade e que têm constituído um grande sucesso onde quer que sejam exibidas. "24" é uma delas.
A CTU é uma unidade governamental de defesa contra o terrorismo internacional e também doméstico. Eles são a primeira linha de intervenção assim que surge a ameaça e são apenas responsáveis perante o Governo Federal. Jack Bauer (Kiefer Sutherland) é um dos principais elementos dessa unidade e é com ele que vivemos o dia mais longo da sua vida.
Com a acção passada num tempo indeterminado ( a sombra do 11 de Setembro de 2001 paira em cada temporada ou dia), maioritáriamente situada em Los Angeles, "24" é uma série com um ritmo narrativo intenso, filmado em tempo real, cheio de voltas e reviravoltas, peripécias e mais peripécias onde, até o mais infímo problema de qualquer personagem, principal ou secundária, tem importância e, mais tarde ou mais cedo, será ideterminante no desenrolar daquele dia ou, até mesmo, daquela hora. Quando, finalmente, vemos sobre o écran o relógio digital a indicar os últimos segundos daquela hora, poderíamo-nos sentar e respirar fundo pelo final de mais um episódio. Mas não, tal não acontece porque, e é aqui que reside o êxito da série, cada hora termina em suspense pelo que o espectador, após acompanhar as actuações de cada personagem, ainda fica pendurado pelos desenvolvimentos daquela hora, mal podendo esperar para ver como é que a situação será resolvida.
"24" não segue uma cronologia rigorosa, mas, cedo percebemos, que os acontecimentos de um dia, poderão ter consequências noutro dia qualquer ou nas acções futuras de várias personagens.
A maior parte do elenco, encabeçado por Kiefer Sutherland, transita para as temporadas (ou dias) seguintes.
Além de alguns actores e actrizes menos conhecidos, temos a surpresa de ver, entre convidados, alguns nomes mais conhecidos como Dennis Hopper, William Devane ou o nosso actor mais internacional Joaquim de Almeida.
Premiada com inúmeros Emmy's ( os Óscares da Televisão) incluindo Melhor Série Dramática e Melhor Actor, entre outros, "24" chegou, viu e convenceu!
Ao ver qualquer uma das temporadas, ou qualquer um dos dias (a definição fica ao critério dos espectadores), tenham em mente uma coisa muito importante hoje em dia, mas particularmente em "24": as coisas nem sempre são aquilo que aparentam!
A não perder!
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)
Os Crimes dos Rios de Púrpura (Pontuação: 8)
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Thriller "Made in França", 2009-06-24
O Thriller, sub-género cinematográfico situado, entre o policial e o filme de terror, uma das últimas criações a juntar-se ao longo historial do cinema, tem raízes um pouco por todo o mundo e tem constituido uma das melhores formas de entretenimento dos últimos anos. "Os Crimes dos Rios de Púrpura" é um desses exemplos.
No Campus Universitário de Guernon, vila situada nos Alpes Franceses, acontece a estranha e horrível descoberta de um corpo assassinado e mutilado de uma jovem estudante da Universidade. É chamado para investigar o Comissário Pierre Niemans, uma espécie de Sherlock Holmes dos crimes em série, auxiliado por um Tenente da Polícia local Max Kerkerian. Aquilo que aparentemente seria uma inverstigação normal de um crime,para Pierre Niemans vai tornar-se algo bem mais complexo hà medida que os corpos vão aparecendo.
Adaptado por Jean-Christopher Grangé, autor do romance original e realizado por Mathieu Kassovitz, que já nos dera, entre outras obras, "O Ódio" (1995), "Gothika"(2003) ou o recente e mau "Babylon A.D." (2008),"Os Crimes dos Rios de Púrpura", consegue ser um thriller eficaz, algo violento, graças a uma realização inteligente de Kassovitz que, usando todas as ferramentas ao seu dispôr, nos oferece um filme recheado de voltas e reviravoltas que só peca por se tornar demasiado evidente já perto do final.
Jean Reno, na pele do Comissário Niemans, a jogar em casa, dá-nos uma interpretação poderosa ou não fosse ele um dos actores franceses mais solicitados internacionalmente nos últimos anos. Perfeitamente secundado por Vicente Cassel, aqui contracenado com o seu pai Jean-Pierre Cassel.
"Os Crimes dos Rios de Púrpura" obteve um grande sucesso quer de público quer de crítica, o que levou a uma sequela "Os Anjos do Apocalypse" (Oliver Dahan, 2004) igualmente protagonizado por Jean Reno mas de qualidade inferior ao original.
Thriller europeu ao mais alto nível "Os Crimes dos Rios de Púrpura" é garantia de um bom espectáculo e onde se prova que no velho continente também se podem fazer bons filmes.
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)
Rei Artur - Versão Original de Cinema (Pontuação: 8)
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Uma abordagem diferente!, 2009-06-20
Os romances históricos que preencheram o imaginário da nossa juventude, também tiveram e têm o seu lugar na sétima arte. Quer sejam os romances de autores como Walter Scott, Alexandre Dumas, Emilio Salgari, Jules Verne ou Thomas Mallory, a todos eles o cinema foi, num tempo ou noutro, buscar inspiração ou até mesmo adaptar para o grande écran. A lenda do Rei Artur é um desses romances.
Bretanha, ano 452 a.C., Artur e os seus cavaleiros Sármatas são lendas vivas no que resta do decadente Império Romano do Ocidente. Após 15 anos ao serviço do Império, Artur e os seus cavaleiros estão para ser libertados do seu compromisso se cumprirem uma última missão: ir atrás das linhas inimigas e trazer uma familia cujo filho está destinado a ser o próximo Papa da Cristandade.
"Rei Artur"não é mais um filme sobre o Rei Artur, sobre Excalibur, sobre Guinevere nem sobre os seus Cavaleiros da Távola Redonda como o que nos foi dado a ver em "O Primeiro Cavaleiro" (Jerry Zucker, 1991) é uma versão, no minímo, diferente daquelas que estamos acostumados a ver. Fortemente inspirada em "Excalibur"(John Boorman, 1981), este sim, baseado no grande romance de cavalaria "A Morte de Artur" escrito por Thomas Mallory no século XV do milénio passado, "Rei Artur" dá uma nova luz às personagens principais ( Artur e Guinevere) e estabelece uma possível origem da lenda, o que, só por si, torna o filme original, diferente, graças também à realização de Antoine Fuqua, que já nos dera "Um Dia de Treino" (2001, Óscar para Denzel Washington), "Operação Especial"(2003) ou "Atirador" (2007). A sua realização é dinâmica, movimentada o que torna a sua aproximação ao argumento viva e, em algumas cenas, como a a primeira aparição dos cavaleiros Sármatas ou particularmente na batalha final em Baddon Hill com os Sármatas a parecerem verdadeiros fantasmas contra o exército Saxão, verdadeiramente sobrenaturais, para o que contribui também uma fotografia adequada ás cenas e uma montagem também ela muito rápida, particularmente na cena da batalha do gelo onde se homenageia "Alexander Nevski" (Sergei Eisenstein,1938) e a sua famosa e muito imitada batalha no gelo.
Com um elenco onde pontuam os nomes de Clive Owen e Keira Knightley, ambos ainda no principio das suas carreiras, "Rei Artur", embora seja mais do mesmo, tem a particularidade de,pelo menos, ser diferente na abordagem de tão famosa lenda o que o torna num bom entretenimento sem aspirar a ser algo mais do que isso.
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)
Austrália (Pontuação: 9)
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Um Épico surpreendente!, 2009-06-17
Já escrevi em tempos que os filmes épicos tiveram a sua época àurea durante as décadas de 50 e 60 do século passado. Nas décadas posteriores, poucos foram os títulos que mereceram essa designação pois o género nunca conseguiu cativar muito o público. Volto ao tema a propósito de "Australia", filme unãnimemente considerado um épico em todo o lado onde estreou.
Austrália, pouco antes do inicio da 2º Guerra Mundial, uma aristocrata inglesa chega ao continente em busca do seu marido convencida que ele a anda a trair. Porém, uma tragédia vai fazê-la mudar a sua ideia e um novo destino torna-se a sua missão prioritária.
Partindo de uma história por si idealizada, Baz Luhrmann realiza um filme de grande fôlego e que se vê agradávelmente, apesar das suas duas horas e meia de duração. Não são só as imagens maravilhosas que desfilam perante os nossos olhos, servidas por uma fotografia linda, é também toda uma história que, desde o prólogo (narrado por Nullah) situando-nos no tempo e na acção, até ao último momento nos cativa sem nunca perder o interesse, passando pelas cenas inesquecíveis da manada a fugir em direcção ao abismo, do bombardeamento de Darwin pelas forças japonesas ou toda a sequência final do êxodo da cidade bombardeada. Através duma montagem rápida e eficiente, semelhante aquela que usara nos seus filmes anteriores "Romeo + Juliet" (1996) e "Moulin Rouge"(2001), ao qual toda a cena do baile é um piscar de olhos, Baz Luhrmann mostra que sabe contar uma história em tom épico homenageando filmes ( "O Feiticeiro de Oz" é um deles!), géneros (há momentos a fazer lembrar o western ou o filme de guerra) e mestres de outrora ( ao vermos o rancho "Faraway Downs", o deserto e as montanhas, é impossível não nos lembrar-mos de John Ford), com as suas imagens estilizadas.
Ao contrário do que seria de esperar, Nicole Kidman, apesar de ser muito boa actriz e com créditos firmados, parece pouco à vontade a interpretar o papel da jovem aristocrata Sarah Ashley ( será de propósito ou apenas coincidência o nome Ashley, já que pertence a uma das personagens principais de "E Tudo o vento Levou", o maior épico da história do cinema?); já Hugh Jackman no papel de Drover, um vaqueiro duro e sem métodos que se choca intensamente com a jovem aristocrata, está como um peixe na àgua. É nele, e na espantosa interpretação do estreante Brandon Walters no papel de Nullah, a criança arraçada de preto e com poderes mágicos, que reside grande parte do sustento do filme, impedindo-o de ser amorfo e chato.
Incompreensivelmente, "Australia" foi apenas nomeado para o Oscar de Melhor Guarda-Roupa, que, por acaso, até nem é nada por aí além. Lamenta-se assim a ausência de outras importantes nomeações de que o filme era merecedor sem sombra de qualquer dúvida!
Para quem gosta de cinema, para quem gosta de um bom espectáculo, este é um filme a não perder!
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)
O Exorcista - Director's Cut (Pontuação: 10)
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Quando Ciência e Religião se chocam!, 2009-06-08
Drácula, Frankenstein, Lobisomens ou até mesmo zombies sempre fizeram parte do cinema. Quase desde os primórdios da sétima arte que o género terror sempre fez parte do imaginário dos espectadores. O que ninguém estava era preparado para o choque que em 1973 "O Exorcista" provocou em todo o mundo.
Regan McNeil é uma jovem americana como tantas outras que vive com a mãe depois dos pais se terem separado. A jovem começa a ter comportamentos estranhos que a mãe associa ao facto do pai se ter esquecido do seu aniversário. mas os comportamentos dela tornam-se ainda mais estranhos e bizarros e a mãe resolve consultar os médicos que, após uma série de testes e análises, não conseguem encontrar nenhuma explicação lógica para o que se passa com a jovem. Então alguém adianta a Chris McNeil, a hipótese da filha estar possuída por algum espiríto pelo que a única solução possível será um exorcismo.
Realizado por William Friedkin, este é um dos seus filmes mais conhecidos, juntamente com "Os Incorruptíveis contra a Droga (1971), com o qual ganhou o Óscar de Melhor Realizador, um dos cinco que o filme ganhou, incluindo o de Melhor Filme do Ano. A sua realização é competente nas cenas em que mostra a impotência da ciência em explicar o que se passa com Regan e também como as McNeil (mãe e filha) se relacionam com o Padre Damian Karras, pároco recém colocado, com remorsos devido ao recente falecimento da mãe. Karras é a pessoa a quem Chris recorre quando lhe é apresentada a hipótese de Regan estar possessa por um espírito. Relutante, o padre aceita investigar o que se passa, quando se conclui o que realmente a jovem tem, o padre nada pode fazer pois necessita da supervisão de alguém mais experiente. É então chamado o Padre Lancaster Merrin (Max Von Sydow, no papel mais famoso da sua já longa carreira), que já sobrevivera a um exorcismo. A partir daqui, o trabalho de Friedkin torna-se ainda mais intenso e competente na famosa sequência do exorcismo.
O argumento de William Peter Blatty é supostamente baseado numa história verídica que foi recentemente filmada com o título de "O Exorcismo de Emily Rose"(Scott Derrickson, 2005) e está cheio de contrastes de ciência versus religião o que torna a história e posteriormente o filme ainda mais interessante.
Quando estreou em 1973, "O Exorcista" provocou uma onda de choque e horror entre os espectadores que assistiam ao filme. O realismo era tal que havia ambulãncias e equipas médicas a postos nos cinemas prontas a dar assistência a quem dela necessitasse.
O filme foi um grande sucesso de bilheteira em todo o mundo, foi nomeado para dez Óscares da Academia, vencendo nas categorias de Melhor Som e Melhor Argumento.
Como não podia deixar de ser, deu origem a duas sequelas e outras tantas prequelas: quanto ás primeiras "Exorcista II - O Herege" (John Boorman,1977) dá vontade de rir de tão mau que é; já "Exorcist III" (William Peter Blatty, 1990) continua o original e é muito interessante.
Quanto às segundas, já a história é outra: foram feitos dois filmes para contar a história de como tudo começou sendo que a produção não gostou de um dos filmes, despediu o realizador e contratou outro para contar a mesma história. O resultado final foram dois filmes: "Exorcista: O Princípio"(Renny Harlin, 2004) que foi o segundo filme a ser feito e é muito mau, para não dizer ridículo!; o outro é "Dominion: a Prequel to the Exorcist" (Paul Schrader, 2004) e é superior ao seu sucessor. Lamentávelmente nenhum, se exceptuarmos "Exorcist III", se aproximou da qualidade do primeiro, principalmente no tocante a cenas marcantes como a cena da rotação da cabeça a 360 graus; ou a cena em que Regan se auto-viola com um crucifixo.
O original é o melhor de todos e ficou como uma referência do género e um filme marcante para tudo aquilo que se fez posteriormente. No 30º aniversário do filme, em 2003, foi lançada uma edição intitulada "Director's Cut - A versão que você nunca viu", onde constam mais 11 minutos de cenas inéditas que apenas completam o que já se conhecia e mostram mais uma ou duas cenas de Regan já possuída pelo demónio.
Seja qual for a versão que se veja, "O Exorcista" continua a ser uma referência obrigatória do cinema e do género em particular.
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)
Gran Torino (BLU-RAY) (Pontuação: 10)
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A Excelência de um Autor!, 2009-05-21
Ao longo da já centenária sétima arte, muitos foram os filmes que trataram o tema da ocupação progressiva das zonas suburbiais das grandes cidades, da integração de outros povos nos países mais recentes. "Gran Torino" é o exemplo mais recente dessa temática.
Walt Kowalski é o último americano residente no seu bairro, os seus antigos vizinhos foram-se embora ou faleceram e é um enorme tristeza e nostalgia que ele vê o seu bairro perder a identidade. Mas nem as tentativas dos seus mais recentes vizinhos, emigrantes tailandeses, de quererem ser seus amigos, o irão fazer ceder com facilidade. Então um dia tudo muda...
Realizado pelo veterano Clint Eastwood, que também interpreta Walt, o velho resmungão, antipático, pouco cuidado com as palavras. Ele não é amigo de ninguém (exceptuando o barbeiro); o próprio padre da paróquia, que prometeu cuidar da sua espiritualidade, não se consegue entender com Walt, nem os seus familiares querem saber dele. O seu duplo trabalho neste filme é louvável. A realização é magnifíca. Clint filma de uma maneira séria. os seus planos são sóbrios, vão direitos ao que se pretende e não se perde tempo com pormenores que apenas iriam tornar o filme aborrecido. O argumento torna-se credível quando filmado assim.
Mas o que é verdadeiramente admirável neste filme é a interpretação do actor-realizador. Clint agarra o papel e interpreta-o de uma forma que nunca havíamos assistido na sua carreira. O espectador começa por achá-lo a coisa mais antipática que alguma vez se viu, mas, ao longo do filme, mudamos de opinião. A partir do momento em que se começa a operar a mudança, o filme torna-se admirável, assim como a interpretação do actor.
Tem sido dito que esta interpretação constitui a súmula de todas as personagens marcantes que o actor interpretou na sua carreira. Assim vemos nela traços de "O Homem sem nome" (trilogia dos dólares de Sergio Leone, 1964-66); de Harry Callahan (Dirty Harry de Don Siegel, 1971); de Josey Walles ("O Rebelde do Kansas de Cint Eastwood, 1976) e de William Munny (Imperdoável de Clint Eastwood,1992) e fácilmente percebemos porque é que Clint quis interpretar esta personagem. O Actor considera que esta talvez seja a sua última interpretação no cinema e, se assim for, nada melhor do que resumir todas as suas personagens mais queridas numa só e, com ela, fechar com chave de ouro uma carreira, a todos os níveis, magnifica.
Clint Eastwood é um autor que nos surpreende a cada obra que faz e nesse campo "Gran Torino" é indiscutivelmente uma obra-prima.
A não perder sobre pretexto algum!
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)
Cercados (Pontuação: 10)
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Fiel e Preciso!, 2009-05-13
Qualquer filme de acção, desde que seja bem condimentado com muito tiro e muita explosão tem sempre sucesso. Se lhe adicionarmos um ou dois nomes sonantes do género, o sucesso pode ainda ser maior. Se tivermos uma história credível ou verdadeira juntamente com os factores anteriores, o êxito está sempre garantido. Mas e se nem todas as variantes estiverem reunidas no filme, como é que fica o resultado final?
Somália, Outubro de 1993: Uma força militar americana tem por missão capturar dois lugares- tenentes do chefe militar do país que estão escondidos no coração da capital Mogadishio. Aquela que seria uma missão de "entrada-saída", não fosse o abate de dois helicópteros Black Hawk pelas forças locais e respectiva tentativa de resgate dos pilotos, transforma-se numa enorme batalha de 15 horas entre as forças americana e das Nações Unidas contra a milícia Somali.
Partindo do livro escrito pelo jornalista Mark Bowden, Ridley Scott, realizador de "Alien - o 8ºPassageiro"(1979) , "Blade Runner-Perigo Eminente"(1982) ou "Gladiador" (2000) entre outros, fez um filme pleno de acção. A história é contada quase hora a hora, quer do ponto de vista dos pilotos dos helicópteros que sobrevoam a cidade, quer do ponto de vista dos soldados que combatem a pé pelas ruas, mas também do ponto de vista do posto de comando das forças americanas. A conjugação destes pontos de vista, traduzida na magnifíca montagem, na fotografia, numa boa economia narrativa e num magnifíco sentido de realização, resulta num dos melhores exemplos recentes do género acção e um dos melhores filmes deste realizador.
Se exceptuarmos Sam Shepard, nenhum outro nome do elenco era muito conhecido e no entanto este filme terá servido de veículo para o estrelato de alguns actores que nele participaram; por exemplo Josh Hartnett, Ewan McGregor, Eric Bana ou ainda William Fichtner.
Vencedor de dois Oscares em 2001 para a Melhor Montagem e o Melhor Som, "Cercados" acaba por ser o resultado final da equação onde nem todas as variantes necessárias estão presentes.
A não perder!
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)
A Pantera Cor de Rosa (Pontuação: 9)
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Comédia intemporal!, 2009-05-07
Numa altura em que o panorama cinematográfico é pontuado por sequelas e remakes onde a qualidade oscila entre o bom e o mau, vale a pena falar de uma comédia que já foi objecto de um remake e está para estrear a sequela do remake.
O Inspector Jacques Clouseau é encarregue de investigar o roubo do Pantera Cor de Rosa, um diamante pertencente à princesa Dala. As pistas encontradas no local apontam para o "Fantasma", um assaltante famoso e já um velho conhecido de Clouseau que tudo fará para provar que foi ele. mas nem tudo será fácil para o Inspector Francês.
Realizado por Blake Edwards, veterano da televisão e autor de uma filmografia diversa que vai desde o drama, passando pelo filme de guerra, até á comédia, género a que se manteve fiel a maior parte da sua longa carreira e onde obteve os seus maiores êxitos; basta relembrar "10- uma mulher de sonho" (1979), "S.O.B. - Tudo boa Gente!" (1981), "Victor Victoria" (1982) ou "Um Tiro ás Escuras" (1964) que foi a primeira sequela de "A Pantera Cor-de-Rosa" numa altura em que o termo ainda não fazia parte do léxico dos cinéfilos. A sua realização é simples mas nota-se que nas sequências mais hilariantes do filme, o trabalho é muito mais cuidado e incisivo (ver por exemplo a cena do cofre na festa das máscaras; a cena da perseguição nocturna ou ainda a cena dos quartos no resort de esqui). Blake Edwards tem aqui o seu trabalho mais famoso.
Contando com um elenco recheado de vedetas como David Niven, Capucine, Robert Wagner, Claudia Cardinale e o incomparável Peter Sellers que tem aqui um dos papéis marcantes da sua carreira. Embora tenha brilhado noutros papéis, basta lembrar por exemplo "Dr.Strangelove" (Stanley Kubrick, 1964), "Lolita (Stanley Kubrick, 1962) ou ainda "Being There" (Hal Ashby,1979), o seu último grande papel, para muitos especialistas é mesmo considerado o seu melhor papel. Mas é pela personagem simpática e patética do Inspector Jacques Clouseau que protagonizou cinco vezes e meia (sendo a meia o filme "Na Pista da Pantera" de 1981, em que só surge na primeira parte porque faleceu durante a rodagem) que ele será sempre recordado. Só a sua presença e as trapalhadas em que se mete, são suficientes para nos arrancar umas boas gargalhadas. Blake Edwards foi quem mais se apercebeu das potencialidades do actor, tendo-o dirigido, além dos filmes da pantera, em outras produções.
Filme feito de equívocos e situações cómicas, algumas geniais mesmo, "A Pantera Cor-de-Rosa" é uma comédia intemporal filmada com estilo, ao jeito das comédias de Frank Capra e por quem sabe do seu oficío.
Esqueçam o remake protagonizado por Steve Martin e vejam o original. É rir e chorar por mais!
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)
Passagem Para a Índia (Pontuação: 10)
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O regresso do grande Espectáculo!, 2009-04-15
Para fazer frente à constante concorrência da televisão, o cinema criou um subgénero de filmes a que chamou superproduções e que tiveram o seu ponto alto no final da década de 50 e durante a década de 60 do século passado. Algumas superproduções surgiram já fora de tempo, nos anos 80. Foi o caso deste "Passagem para a Índia".
Adele Quested (Judy Davis) viaja para a Índia na companhia da sua futura sogra, Mrs.Moore (Peggy Aschcroft) para ir ao encontro do noivo Ronny Heaslop (Nigel Havers), adido da embaixada inglesa. Quando lá chegam as duas senhoras vão confrontar-se com diferenças culturais que irão influenciar o seu comportamento, essas diferenças irão ser determinantes nos acontecimentos decorrentes dum passeio organizado às grutas Marabat.
O filme é baseado no romance homónimo de E.M.Forster e espelha bem as diferenças culturais existentes na Índia no final do colonialismo britânico.
A realização e a adaptação do livro pertenceram a David Lean, veterano realizador e antigo montador que, aos 76 anos de idade e depois 14 anos sem realizar, voltou à ribalta com esta superprodução que, se exceptuarmos, "Gandhi" ( Richard Attenborough, 1982), é o filme que melhor mostra a ìndia misteriosa e desconhecida. Lean foi o realizador de obras-primas do cinema como "A Ponte do Rio Kwai", "Lawrence da Arábia", "Doutor Jivago" ou o bonito e muito ignorado "A Filha de Ryan". Muito perfeccionista, qualidade que está presente em toda a sua obra e muito particularmente neste filme, Lean consegue adequar as interpretações dos actores, nomeadamente dos secundários Alec Guiness, Peggy Aschcroft e Victor Bannerjee, aos cenários mostrando uma ìndia misteriosa e exótica ( ver as cenas do templo em ruínas que Adele visita, ou as grutas Marabat), junta-se uma fotografia excepcional (como na cena da monção, ou aquela em que Mrs.Moore e Dr.Aziz conversam no templo),misturamos a banda sonora envolvente do recentemente falecido Maurice Jarre e monta-se tudo com a enorme dedicação de quem sabe o que faz. O resultado é uma das melhores adaptações cinematográficas de literatura para o cinema. Lean filma planos belissímos (como a cena em que um comboio atravessa uma planície numa noite de luar) e consegue que o filme não seja monótono, mas sim uma obra em constante evolução.
Nomeado para 11 Óscares da Academia, "Passagem para a Índia" venceria apenas nas categorias de Melhor Actriz Secundária (Peggy Aschcroft) e Banda Sonora.
Derradeira obra-prima de um realizador que sempre viveu para o cinema e, muito particularmente, numa altura em que a sétima arte estava em crise, o soube dignificar com uma série de obras que no seu total venceram mais de 20 Óscares da Academia quando este prémio ainda recompensava o desempenho de cada um.
O regresso triunfante de um mestre a não perder!
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)
Planeta dos Macacos (Pontuação: 7)
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Um Tim Burton menor!, 2009-04-13
Em 1968 a ficção cientifica viu estrear dois filmes que iriam alterar radicalmente a sua importãncia no universo cinematográfico: o primeiro foi "2001:Odisseia no Espaço" (Stanley Kubrick); o segundo foi "Planet of the Apes" (Franklin J. Schaffner), que em português recebeu o título pouco abonatório de "O Homem que veio do Futuro". Sobre o primeiro, nada mais hà a dizer, pois ainda hoje tem a importãncia que tem. O segundo contém um dos finais mais inesperados, mais espectaculares e, porque não, mais chocantes, em termos de filme, de toda a história do cinema. Mais de 30 anos depois, quatro continuações e uma série televisiva, surge um remake.
Em 2029 a estação espacial Oberon faz reconhecimentos interplanetérios usando chimpanzés como pilotos. Numa dessas missões, perdem um dos pilotos e o seu instrutor vai atrás dele e acaba por se despenhar num planeta desconhecido onde, surpreso, se vê, aprisionado por macacos evoluídos e que falam inglês.
Baseado no romance homónimo de Pierre Boulle que também já havia servido de base para a versão anterior. Ao contrário da outra adaptação, com a qual o autor nunca concordou,mas por estar na lista negra de Hollywood nada pode fazer, esta versão é mais fiel ao livro e teria certamente sido do seu agrado.
Realizado por Tim Burton, que já nos dera "Batman" e "Batman returns", "Eduardo, mãos-de-tesoura",entre outras obras, este "planeta dos macacos" era um projecto hà muito sonhado pelo realizador, uma vez que ele era fãn da versão original. Um dos grandes receios era que Burton quisesse imitar o final da versão original, mas o realizador tranquilizou toda a gente quando, em conferência de imprensa aquando da apresentação do filme, terá dito que não pretendia fazê-lo mas que o seu final teria o seu quê de original.
O elenco contém alguns nomes conhecidos como Mark Wahlberg, Tim Roth, Paul Giamatti, assim como uma das presenças habituais nas obras do realizador, Helena Bonham Carter. Em jeito de homenagem, Tim Burton convidou Charlton Heston e Linda Harrison, os actores principais do filme original a fazerem pequenas participações (no caso de Harrison, é mesmo só uma aparição!).
Se compararmos a versão de Tim Burton com a versão de Schaffner, aquela sofre inevitálvelmente porque simplesmente não é comparável com o original, mas também, parece-me, nunca ter sido essa a intenção do realizador. Penso que esta versão terá sido apenas para satisfazer a vontade de Burton e também para servir de apresentação a uma nova geração que não viu o original.
Mas para os fans, apesar de não ser um dos melhores filmes do realizador, pode considerar-se mesmo uma obra menor na sua filmografia, este será sempre um filme de Tim Burton.
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)
Harry Potter e a Ordem da Fénix (Pontuação: 8)
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A Magia de Harry Potter!, 2009-04-08
Ao mesmo tempo que estreava a primeira parte da trilogia de "O Senhor dos Aneis" (Peter Jackson, 2001-2003), chegava também ao écran um novo heroi da juventude chamado Harry Potter.
Harry é um jovem que, até aos seus 11 anos, viveu na ignorância daquilo que é: um feiticeiro e também o único sobrevivente de uma luta mortal que opôs os seus pais e outros feiticeiros a Lord Voldemort, senhor do mal. Ao entrar na escola de Magia e Feitiçaria de Hogwarts, Harry vai conhecer o mundo paralelo em que vivem os seus semelhantes ao mesmo tempo que vai tomar conhecimento da sua pesada herança.
Baseados numa série de livros escritos por J.K.Rowling, e já adaptados ao cinema, de que este "Harry Potter e a Ordem da Fênix" é o quinto volume, a saga atinge o seu climax em que o nosso jovem héroi se apercebe que o tempo da inocência acabou e que daqui para a frente tudo será pior.
"Harry Potter e a Ordem da Fênix" começa, como os filmes anteriores, com o regresso à escola e desta vez Harry apercebe-se que os seus colegas e professores não acreditam no encontro que ele teve com Lord Voldemort e que existe um estranho alheamento de toda a comunidade de feiticeiros em relação a um possível regresso do senhor do mal.
Desde "Harry Potter e a Pedra Filosofal" (Chris Columbus, 2001) que esta série tem-se mantido sempre no top de bilheteira graças, não só ao facto de os filmes terem sempre vindo a ganhar mais e mais qualidade, como tembém devido ao facto de terem conseguido manter o mesmo elenco principal o que servirá para um dia mais tarde se poder analisar a obra como um todo. Os filmes, tal como os livros, correspondem a um ano escolar.
Em "Ordem da Fênix" podemos, e isso é um dos achados do filme, estabelecer alguns paralelismos com a realidade hoje em dia: a professora de Defesa contra as Artes Negras, Dolores Umbridge (excelente interpretação de Imelda Staunton) com os seus maneirismos e constante interferência nos assuntos da escola, consegue afastar o professor Dumbledore, levando os alunos, por um lado, a formar um exército a treinar e funcionar na sombra, e outra parte a tentar acabar com o primeiro grupo, enquanto ela se torna reitora da escola numa atitude de pura ditadura tão em voga ainda hoje em dia.
Considerado por muitos fans como o melhor livro da série,a adaptação de "Ordem da Fênix", era aguardada com muita expectativa. Talvez por ser o mais extenso, tenha havido a necessidade de se comprimir o livro de modo a tornar a adaptação mais interessante e também mais emocionante, o que acaba por ser conseguido, embora, quem tenha lido o livro, lamentasse a ausência de mais pormenor em algumas sequências importantes. Na minha opinião, tudo o que lá está, serve o seu propósito.
Apesar de não ser tão sinistro como "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban" (Alfonso Cuarón, 2004), ou tão entusiasmante com "Harry Potter e o Cálice de Fogo" (Mike Newell, 2005), considerado o melhor filme da série, "Harry Potter e a Ordem da Fênix" agrada, entusiasma, principalmente o combate entre o exército de Dumbledore e as forças do mal lideradas por Lord Voldemort (um irreconhecível Ralph Fiennes) e deixa-nos expectantes em relação aos próximos filmes.
Garantia de um bom entretimento.
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)
007 - Quantum of Solace (Pontuação: 9)
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Ao Serviço do Mundo!, 2009-04-01
O cinema, ao longo de mais de um século de vida, deu vida a inúmeros heróis, vilões, heroínas, vilãs. Mas nunca, até agora, nenhuma personagem teve uma longevidade tão grande no écran como o mais famoso agente secreto do mundo: james bond 007.
Começando algumas horas depois de "Casino Royale"(Martin Campbell,2006), vamos encontrar james bond empenhado numa missão de vingança pessoal, após a sua paixão, Vesper Lynd, o ter traído depois de ter sido chantageada por uma organização mais poderosa do que se poderia supor. Bond quer respostas e quer obtê-las nem que para isso tenha de desobedecer aos seus superiores.
Sexta encarnação do famoso agente secreto, criado por Ian Fleming na década de 50 do século passado, no écran, Daniel Craig conseguiu convencer no papel que antes pertencera a Sean Connery, Roger Moore ou Pierce Brosnan. Até os defensores de Sean Connery (primeiro bond no cinema e por muitos considerado o melhor), se renderam á interpretação do actor britãnico. Se em "Casino Royale" o actor foi bem recebido, em "Quantum of Solace"provou que veio para ficar.
Se no passado james bond enfrentou a guerra fria, organizações terroristas, vilões maquiavélicos, no século XXI, os perigos são ainda maiores, mas ele esteve sempre à altura dos desafios.
"Casino Royale" funcionou como apresentação de um novo james bond a uma nova geração de futuros fans do agente secreto. Aqui ficámos a saber como é que o agente secreto conseguiu a licença para matar (simbolizada pelo duplo 00), como é que ganhou o tão cobiçado Aston Martin, vedeta de tantos filmes do agente secreto; ou como é que surge a sua marca de apresentação ( a famosa frase "my name is bond...james bond!).
Em "Quantum of Solace" assistimos a tudo isto e vai-se ao ponto de homenagear aquele que é considerado o melhor filme da série; veja-se a cena em a agente Strawberry Fields aparece morta e lembramo-nos logo de "Goldfinger" (Guy Hamilton, 1964) e da forma como aparece morta a primeira vitíma do vilão de serviço.
O filme quebra também algumas regras básicas de filmes anteriores: bond quase não tem tempo para respirar e descontrair junto da "bond -girl" de serviço, porque, e aqui está um dos trunfos do filme, ela também está, por outras razões, empenhada numa vingança pessoal.
Não sendo tão excitante como outras aventuras do agente secreto, é, no entanto, um filme de acção imparável desde os primeiros minutos até ao fim, uma aventura digna da sua personagem.
Recomenda-se um visionamento de "Casino Royale" antes deste filme para melhor compreensão da história.
De uma coisa temos a certeza: enquanto ouvirmos a frase "my name is bond...james bond" ou a seguir ao genérico final virmos no écran a frase "james bond will return", podemos estar descansados que o nosso agente secreto preferido estará sempre pronto a salvar o mundo e nunca faltará à sua palavra nem ao encontro marcado com os seus fans.
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)
Brilhantina (Pontuação: 8)
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Um fenómeno musical fora de tempo!, 2009-03-23
Alguém disse, um dia, que a fórmula do musical era simples: rapaz e rapariga conhecem-se, cantam e dançam, apaixonam-se, zangam-se, cantam e dançam, fazem as pazes e vivem felizes para sempre. Tal simplicidade resultou durante as décadas do auge do musical. Mais recentemente essa mesma fórmula foi reaplicada e resultou igualmente."Grease - Brilhantina" é um musical fora de tempo e um dos exemplos marcantes da reinvenção do género.
Califórnia, década de 50, Danny e Sandy são dois jovens que se apaixonam durante o verão e vivem um intenso romance. Porém, as férias acabam e cada um tem que voltar para casa, ele para a sua terra e ela para a Austrália, não sabendo se alguma vez se voltarão a encontrar. Será o destino que se vai encarregar de lhes responder a essa questão.
Randal Kleiser fez aqui a sua estreia como realizador e faz um trabalho honesto, bonito, a camera acompanha bem as coreografias e as canções, mantendo ao longo de todo o filme uma "espécie" de relação amorosa com o par central ao filmá-los exaustivamente no seu dia-a-dia, cujo auge é atingido no baile de finalistas onde vêm ao de cima todos os conhecimentos e truques usados para filmar um bom número musical. Somos surpreendidos com algumas das melhores sequências do filme. Foi o melhor trabalho e também o mais rentável da carreira do realizador. Nem mesmo "Lagoa Azul"(1980), seu filme seguinte, conseguiu ultrapassar a bilheteira de "Grease".
O par central é formado por John Travolta como Danny Zuko, líder dos T-Birds um grupo de greasers que faz as delícias das meninas da escola, especialmente as "Pink Ladies". O actor canta e dança bem, o que não é de estranhar pois o seu filme anterior tinha sido "A Febre de sábado à noite (John Badham, 1977) onde também dançava. Aliás, alguns maneirismos da personagem de Danny foram copiados do Tony Manero de "A Febre de sábado à noite".
Olivia Newton-John é Sandy Olsson a menina ingénua que se apaixona por Danny, que vê o mundo cor-de-rosa como as suas companheiras de grupo, mas que cedo se apercebe que nem tudo é como ela pensa e que vai ter de lutar por um lugar no coração de Danny e para isso terá de dar uma volta na sua vida. A actriz fez aqui a sua estreia no cinema depois de uma curta carreira como cantora, que viria a retomar algum tempo depois, dividindo o seu tempo com algumas aparições esporádicas em filmes ou séries de televisão.
Sendo um filme de estreias,não poderia ser melhor, mas ele é mais do que isso: "Grease", com as suas canções alegres que ficam no ouvido, ritmos que marcaram a década de 50 do século passado, coreografias ineesquecíveis que gostamos de ver e rever novamente, é uma bonita, divertida e sincera homenagem a uma década considerada de ouro no género musical e também a uma era que começava nesta altura a dar os seus primeiros passos: a era do Rock 'N' Roll.
A não perder!
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)
Galactica - Batalha no Espaço - Série 1 (Disco 1) (Pontuação: 10)
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Experiência televisiva inesquecível!, 2009-03-21
A primeira versão desta série remonta ao final da década de 70 e constituiu um verdadeiro sucesso televisivo, o que obrigou os criadores a pensar numa segunda série que eventualmente viu a luz do dia em 1980 sob o título de "Galactica 1980". A série foi repensada, houve elementos do elenco que ficaram outros partiram e alguns apenas participaram em alguns episódios. Tanto a recepção crítíca como a recepção pública foi má, tão má que a série foi cancelada ao fim de dez episódios. Seriam precisos mais 23 anos e um novo século para a nova versão de "Battlestar Galactica" voltar a ver a luz do dia.
Após uma longa guerra de mais de 100 anos, num ataque traiçoeiro, os Cylons, uma raça de seres mecânizados altamente desenvolvidos, destroem as 12 colónias de seres humanos obrigando os poucos sobreviventes da humanidade a fugir através do espaço em busca duma 13ª tribo que teria partido milhares de anos antes para colonizar um planeta chamado terra.
Partindo da ideia original de Glen A.Larson, criador da série na década de 70 do século passado (aqui é Consultor de Produção), Ronald D.Moore e David Eick, renovaram por completo todo o visual da série, adaptando-a às novas realidades de um novo milénio. Mas fizeram mais do que isso! introduziram novos aspectos na trama de modo a torná-la mais intrigante do que fora a primeira: criaram alguns modelos Cylon semelhantes a seres humanos e que terão grande importância no decorrer de todas as séries; A Battlestar Galactica, ao contrário da sua semelhante na primeira série que era limpa, branca, quase imaculada distinguindo-se das outras naves da frota, é uma reliquía do passado, ferrugenta,uma nave que estava destinada a ser museu quando se iniciou o ataque e que no meio desta frota só se distingue das outras por ser uma nave de combate; o exército Cylon e as suas naves são mais modernas e até as naves-base são muito mais assustadoras; o próprio dia-a-dia dentro da frota, as intrigas militares e políticas são cuidadosamente analisados em vários episódios. Enfim, são apenas alguns exemplos dos melhoramentos feitos nesta nova versão de "Battlestar Galactica".
Com um elenco todo ele prácticamente desconhecido onde apenas sobressaem os nomes de Edward James Olmos ("Blade Runner"), Mary McDonnell ("Danças com Lobos"), onde se junta também a participação especial de Richard Hatch, o Capitão Apollo da primeira versão, a série dá-nos um estudo profundo sobre todas as personagens, mantendo algumas semelhanças entre as personagens duma e doutra série, acrescentando umas e omitindo outras, "Battlestar Galactica" acaba por ganhar com todo isto e tornar-se num dos melhores eventos de televisão dos últimos anos.
Depois da enorme "gaffe" que foi o lançamento da primeira série da nova versão de "Battlestar Galactica" no circuito DVD nacional onde foi lançada antes do episódio inicial de cerca de três horas intitulado "Battlestar Galactica - a minisérie" (Michael Rymer, 2003) mas a que faz referência logo no inicio do primeiro episódio, espera-se que isto não aconteça muitas vezes porque pode ser complicado para a compreensão de toda a série.
Deliciemo-nos com a primeira versão desta série que também se encontra disponível no mercado nacional e depois é concentrarmo-nos e deixarmo-nos envolver nesta experiência única!
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)
De Olhos Bem Fechados (Pontuação: 10)
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Stanley Kubrik para Sempre!, 2009-03-11
No ano em que passa o 10º aniversário sobre a morte de Stanley Kubrik (1928-1999) vale a pena comentar a sua última obra, o filme que se pensou que o realizador nunca faria.
William Harford, médico de Nova York, parte numa odisseia nocturna de busca e consolo sexual, depois da sua esposa admitir que teve um sonho erótico em que o atraiçoava com um desconhecido.
"De Olhos bem Fechados" passa-se em pouco mais de uma noite e um dia e acompanhamos a odisseia de um homem afectado pela confissão de quem ele menos esperava. É o desejo de esquecer, de fazer pagar na mesma moeda, de quem fica abalado por aquilo que ouviu, que o leva a vaguear por uma Nova York invernal, cheia de tentações, mas também perigosa. O filme tem também um pouco de voyeurismo (tão ao gosto de Kubrick!) principalmente a partir do momento em Bill Harford toma conhecimento, através do seu amigo Nick Nightingale, das festas privadas onde todas as pessoas estão mascaradas e prácticam sexo. Ao acompanharmos Bill, tornamo-nos cúmplices dele e, por acréscimo, de Kubrik.
Não é qualquer actor ou actriz que suspende a sua actividade por mais de uma ano para se dedicar única e exclusivamente a um só projecto. Eles fizeram-no e ganharam a aposta.Tom Cruise e Nicole Kidman têm aqui desempenhos acima da média. Kubrik explora as suas potencialidades ao máximo e o filme ganha com isso. O empenho dos actores foi tal que as suas carreiras ganharam novos fôlegos. Salienta-se também a prestação excepcional, embora secundária, de Sydney Pollack.
Stanley Kubrick baseia o seu filme no livro de Arthur Schnitzer "Traumnovelle" e este era um projecto hà muito tempo acarinhado pelo realizador.O seu perfeccionismo é obsessivo, genial mesmo.
O uso da luz nas cenas nocturnas é simplesmente espectacular. É um constante desafio, é a própria cidade, através da lente do realizador, a convidar-nos para entrar em cena. O próprio Kubrik, na sua breve aparição, estende-nos esse convite.
O filme atinge o seu ponto máximo na cena iniciática e na orgia sexual que se lhe segue. O seu (nosso) voyeurismo é intenso e não se consegue desviar o olhar. A câmara de Kubrik passeia-se pelos corredores da mansão e provoca-nos de tal maneira que, no final, tal como Bill Harford, estamos prontos a sofrer as consequências do seu (nosso) acto. Verdadeiramente genial e sublime o trabalho de realização.
Filme-testamento de um realizador que, com a sua breve obra escreveu inúmeras páginas na história da sétima arte e elevou o cinema a patamares nunca antes alcançados.
Inesquecível!
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)
O Carteiro de Pablo Neruda (Reedição) (Pontuação: 9)
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Simplicidade acima de tudo!, 2009-03-06
Um dos grandes truques do cinema sempre foi contar histórias simples e apelativas garantindo sempre bons resultados junto do público e também junto de alguma crítica. Foi o que se passou com este "Carteiro de Pablo Neruda".
Mário vive numa ilha em Itália na década de 50 do século passado, é filho de um pescador mas não se consegue adaptar aquela vida. Graças a saber ler e escrever, ele consegue um emprego como carteiro encarregado de levar a correspondência ao poeta chileno Pablo Neruda que se encontra exilado naquela ilha. Com o passar do tempo os dois tornam-se amigos e Mário pede ao poeta que o ajude a conquistar a rapariga que ele ama.
Realizado por Michael Radford, que já nos dera o profético "1984"(1984) com John Hurt e Richard Burton no seu derradeiro papel no cinema e, mais recentemente, "O Mercador de Veneza" (2004) com Al Pacino e Jeremy Irons, que constitui uma das melhores adaptações de Shakespeare ao grande écran, "O Carteiro de Pablo Neruda" é um filme simples, misto de comédia e romance, digno de alguns clássicos na melhor tradição do cinema italiano. Tudo graças a uma realização competente que tira o melhor partido dos locais de filmagem e também do trabalho dos actores.
Philippe Noiret tem aqui um dos melhores trabalhos da sua longa carreira. O seu Pablo Neruda é perfeito graças à semelhança do actor com o verdadeiro poeta. Massimo Troisi teve aqui o papel da sua vida. Aliás, segundo o próprio realizador, a dedicação do actor ao filme foi total, nem mesmo o problema de saúde que o afectava o impedia de trabalhar. Infelizmente, não viveu o suficiente para ver o resultado do seu esforço, pois faleceu exactamente 12 horas depois do fim das filmagens, de paragem cardíaca. Ficou a interpretação inesquecível.
"O Carteiro de Pablo Neruda" foi um grande sucesso de bilheteira a nivel mundial. Foi nomeado para vários Óscares incluindo Melhor Filme, Melhor Actor e Melhor Realizador, venceu apenas na categoria de Melhor Banda Sonora.
É um filme sobre a amizade, sobre como é que duas pessoas de mundos completamente diferentes se relacionam e como é que esse relacionamento muda as suas vidas radicalmente.~
A não perder!
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)
Shining (BLU-RAY) (Pontuação: 10)
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O melhor Stephen King no cinema!, 2009-02-26
O género terror, desde cedo no cinema, sempre teve grande aceitação entre o público. Lembremos por exemplo "Psycho" (Alfred Hitchcock, 1960), "Os Pássaros" (Alfred Hitchcock,1963) "O Exorcista"(William Friedkin,1973) ou mais recentemente "Saw" (James Wan,2004), só para citar alguns que foram grandes sucessos quer de bilheteira, quer em circuito DVD. Stephen King, nome incontornável no género, tem produzido matéria mais que suficiente para manter o género vivo. basta lembrar "Carrie"(Brian De Palma,1976) ou este Shining".
Jack Torrance, desempregado e com alguns problemas no passado, é convidado para ir tomar conta de um hotel no inverno. Mesmo conhecendo o historial de violência daquele hotel no passado, Jack aceita e leva consigo a mulher e o filho, este tem poderes paranormais e tem visões relacionadas com o hotel.
Jack Nicholson tem aqui um dos seus grandes papéis. Aliás, é difícil ver outro actor que não ele, a interpretar esta personagem. Exemplo disso é a versão para televisão do mesmo livro e onde se percebe a dificuldade de um actor qualquer fazer este papel. Na continuação da sua interpretação em "Voando sobre um Ninho de Cucos" (Milos Forman, 1975) e fazendo uma espécie de prólogo para o delírio interpretativo que seria Joker em "Batman" (Tim Burton, 1989), Nicholson provou ser a escolha certa para o papel. Oscilando entre a loucura e a demência total, a sua interpretação de Jack Torrance é magnifíca.
Ao adaptar Stephen King, Stanley Kubrik consegue transmitir o ambiente claustrofóbico e opressivo do romance. Graças a uma realização intensa e perfeitamente simétrica como era apanágio de Kubrick, veja-se por exemplo a cena, repetida várias vezes ao longo do filme, em que Danny percorre de triciclo os corredores, aparentemente intermináveis, do hotel; ou a cena em que Jack olha a maquete dos jardins labirínticos do hotel; ou ainda toda a cena final de perseguição: são exemplos brilhantes do trabalho de camâra muitas vezes feito pelo próprio realizador. O filme resulta numa experiência única de suspense e terror que nunca mais nenhuma obra de Stephen King adaptada para cinema conseguiu transmitir.
Stephen King nunca ficou completamente satisfeito com a versão de Stanley Kubrick, daí que aquele tenha adaptado o seu próprio livro para televisão anos mais tarde ("Stephen King's the Shining", Mick Garris, 1997), muito mais fiel ao romance mas com muito menos terror e suspense que a versão de Kubrik. A verdade é que foi o filme de Stanley Kubrick que chamou a atenção para a força emergente de matéria filmíca que são os livros deste autor e continua a ser uma obra-prima do género.
Uma observação: infelizmente tanto a versão em DVD como a de Blu-Ray não são as versões integrais do filme, o que é uma pena porque uma obra destas já merecia outra consideração por parte das editoras. Não se compreende porque é que ainda andam em circulação as versões comerciais deste filme quando já se sabe que a integral se encontra disponibilizada no mercado americano ou apenas a um clique de distância?
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)
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