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Muitos filmes de grande qualidade não têm o destaque que merecem, passando quase despercebidos. Por razões meramente económicas, as verbas promocionais concentram-se apenas em meia dúzia de títulos "mais comerciais". Para contrariar esta tendência, criámos este espaço de partilha e entre-ajuda, onde todos podem participar: escolha os filmes que achou mais marcantes e deixe o seu comentário.
Foram encontrados 171 comentários. Resultados de 101 a 120 ordenados por data:
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Mr. Turner (Pontuação: 6)
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A Vida de um Excêntrico, 2016-01-24
Mr. Turner é um filme talvez demasiado longo, mas que se vê sem desgosto, sobretudo na falta de coisas melhores. Apesar disso, penso que nos deixa com uma sensação de mediania, de obra que cumpre mas não deslumbra. As escolhas do realizador são muito criticáveis, nomeadamente a iluminação, parecendo ao longo do filme que o sol está sempre brilhando a pôr-se ou a nascer. Enquanto a luz e a fotografia resultam magistralmente no filme sobre Vermeer, A Rapariga do Brinco de Pérola, aqui penso que a coisa não resulta, dá apenas um ar feérico ao filme, postiço. Apesar de se tratar de um estereótipo, a noção francesa de que os ingleses não sabem fazer cinema não deixou de me ocorrer. Mr. Turner vale como viagem à época do romantismo e do início do Império Britânico, da qual a temática marítima por excelência do pintor é um símbolo. Um filme de época "very British", incluindo na excentricidade de Mr. William Turner.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
As Mil e Uma Noites: Volume 1, O Inquieto (Pontuação: 2)
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Um Panfleto Que Dura Horas e Horas, 2016-01-09
Desta vez levado pelos encómios da crítica e pelo cartão de visita cintilante que é o filme Tabu, cometi o erro de ir espreitar este filme patético no grande ecrã. Durante alguns minutos aguenta-se, e até permite algum riso. Mas rapidamente já não há nada para dizer, e a vontade de dizer mal do governo português de então parece ser a única coisa que sobra ao realizador. Saí da sala e claro que não fui ver os outros dois. Vejam Tabu, a única coisa até hoje que eu conheça que Miguel Gomes nos trouxe que vale MESMO a pena.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
O Dinheiro (Pontuação: 10)
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Le Cinéma(tographe) C'est Robert Bresson, 2016-01-05
Antes de mais, é um grande privilégio para qualquer um poder ver este DVD, quer por o filme ser o "último acto" do grande Robert Bresson, quer pela raridade do mesmo - que por exemplo a Cinemateca Portuguesa insiste em passar legendado em espanhol. Ora, o filme é de uma tremenda exigência para o espectador, pelo que poder vê-lo em DVD, e sem a barreira linguística, ao menos legendado em português, ajuda muito. Quem não conhecer a obra e o pensamento de Robert Bresson estranhará muitas coisas em L'Argent, mas não deve atribuí-las ao acaso ou a qualquer incompetência, mas sim a uma linguagem única afinada durante quarenta anos por este génio da sétima arte. Bresson desprezava o cinema comercial do seu tempo e a noção de teatro filmado, e por isso logo desde os anos 1950 deixou de usar actores, substituindo-os por amadores a quem chamava "modelos", e a quem solicitava um tipo de actuação seca e desprovida de todos os maneirismos. Na verdade, Bresson não considerava aquilo que fazia como cinema, mas como cinematógrafo, nome original da máquina dos irmãos Lumière e do cinema mudo. Outra chave para uma compreensão mais rica dos difíceis filmes deste autor é a chave religiosa, que mais explícita ou mais implícita está lá sempre desde Les Anges du Péché (1944). Mas aqui não há moral pronta a comer, nem Bresson se dirige a um público religioso, agnóstico ou ateu. O seu ponto de vista é ocidental e católico, mas o seu realismo é intransigente - por muito que o espectador deseje ou veja o sagrado num filme de Bresson, ele não se encontra lá representado. Pois que para Robert Bresson o cinematógrafo é a arte de não mostrar nada, segundo as suas próprias palavras. Mostrando tudo, acrecento eu! É pena a Cineteka só ter um filme à disposição, porque todos os escassos treze Bressons são geniais, mas um é melhor do que nada. Se por um passe de magia todos os filmes do mundo se perdessem, e ficasse apenas a obra de Robert Bresson, ainda teria ficado muita coisa.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Cinco Mulheres à Volta de Utamaro
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Péssima Imagem, 2016-01-04
Apesar de o filme ser de 1946, isso não desculpa esta péssima edição do mesmo em DVD, com uma imagem cinzenta esbatida que mal permite distinguir os rostos das personagens. Apesar de se tratar de um Mizoguchi, logo e sempre um filme com interesse, Utamaro não se encontra também entre os seus melhores. Com tudo isto, não recomendo, e sugiro antes os outros dois Mizoguchis de que a Cineteka dispõe, e que espero que sejam edições de melhor qualidade.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
O Silêncio (Pontuação: 9)
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O Mistério do Mundo, 2016-01-02
Este é um estudo impiedoso das relações familiares e sexuais, sob fundo do silêncio de Deus - silêncio no entanto pontuado pelo absurdo e pela presença da morte. Como é hábito em Ingmar Bergman, é um filme no feminino, em que os geniais planos conjuntos das irmãs Ana e Ester mostram tudo aquilo que não mostram (perdoem-me a referência a Robert Bresson os menos cinéfilos). Eu diria que se trata de uma obra que é um protesto do autor face ao Criador de um mundo de tanto sofrimento. O nosso! A única escapatória que o filme oferece a Ana, a irmã revoltada, é a dos sentidos, da sensualidade, do sexo. Mas o olhar do seu filho Johan para a mãe num dos planos finais no comboio mostra bem como o ressentimento e a insatisfação persistem. O vazio existencial referido acima passa assim para a nova geração. Bergman não se decide pela existência ou não de Deus, mostra a sua obra. Por isso o espectador é realmente incomodado e confrontado com o mistério.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
A Estrada (Pontuação: 10)
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O Cinema como Evocação, 2016-01-01
Antes de mais, assinalo a existência de alguns erros factuais na sinopse acima dada de La Strada, como a referência a uma condenação à prisão de Zampanó, que não existe, apesar da rixa que ele provoca. La Strada é um filme sem par na história do cinema, e deixa-nos tão desamparados como a doce Gelsomina o está na sua vida. Gelsomina, interpretada por Giulietta Masina, infelizmente demasiado velha para o papel, enche a obra do primeiro ao último plano, este da dor sem fim do seu brutal companheiro ao saber do destino dela. Gelsomina é a jovem mulher que continua a ser criança, atirada sem cerimónias por Fellini para os braços de um brutamontes saltimbanco que a leva da família, e que a trata com a rudeza que seria de esperar, a uma das naturezas mais delicadas de alguma personagem que o cinema já nos tenha oferecido. A estrada do filme é a estrada da vida para Gelsomina, que sucumbe como seria de esperar de um coração puro como o seu. Obra magistral é La Strada, ao mesmo tempo do mais profundo lirismo e do mais profundo realismo, evocação raríssima do melhor cinema mudo. Tal como Lillian Gish nos filmes de Griffith, Gelsomina fala com os olhos. Tal como Lillian Gish, Gelsomina puxa para si as crianças. De todas as idades!
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Táxi de Jafar Panahi (Pontuação: 8)
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É isto "art engagé", 2015-12-28
Por razões que não seria capaz de expor de forma clara, o Irão dos 'mollahs' transformou-se num terreno fértil para o cinema. E quanto mais os artistas são perseguidos pela ditadura teocrática, melhores são os seus frutos que nos chegam. Veja-se Jafar Panahi, que amargou com uma pena de seis anos de prisão por ignorar a censura que o persegue, e que nos aparece em pessoa neste novo filme, tranquilamente ao volante de um "táxi", como que a dizer aos barbudos de turbante "vejam o que me interessam as vossas perseguições e proibições". Pior ainda, o filme é um autêntico e poético ataque frontal ao lixo ideológico que esses 'ayatollahs' tentam há quase quarenta anos impor ao país. Há muito de Marjane Satrapi e de Persépolis no filme Táxi e naquela menina sobrinha de Panahi que ele vai buscar à escola e que se torna na "personagem" principal do filme. Ao trazer a sobrinha para dentro do seu filme, que não é documental, Panahi estará a dizer que é acima de tudo por elas, as meninas do Irão, que ele continua a lutar pela liberdade. Só Jafar Panahi não está em Paris como Marjane Satrapi, ele está em Teerão, à mão para ser atirado para a cadeia na primeira oportunidade.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
As Nuvens de Sils Maria (Pontuação: 6)
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Realidade ou Ficção?, 2015-12-28
Este é um filme que não vi no grande ecrã, antes de mais porque dou pouco crédito ao realizador, Olivier Assayas. No entanto, ele aqui não se sai mal de todo, num filme que pode ser visto como uma reflexão sobre o teatro e sobre como ele afecta os seus intervenientes, particularmente os actores. Assayas deixa Juliette Binoche à boca de cena, como creio que o fez André Téchiné em Rendez-Vous, pelo que haverá uma rima com esse agora longínquo filme da então jovem Binoche. Mas aquilo que interessa Assayas e que nos pode interessar a nós é o que acontece antes de o pano subir. Parece-me que Assayas conseguiu dar conta da relação subtil entre o mundo "real" e o mundo ficcional da arte. O momento em que a assistente Valentina abandona a actriz Maria Enders tal como a personagem Sigrid o faz à personagem Helena na peça é o mais claro ponto de contacto entre a realidade e a ficção. Cuidado com a ficção, pois ela pode tornar-se real!
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Magia ao Luar (Pontuação: 8)
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Stanley, um Alter Ego para Woody?, 2015-12-27
Este é um dos melhores filmes de Woody Allen (di-lo um não-fã), sendo o primeiro sinal disso o facto de o próprio não actuar. A crítica não o apreciou, possivelmente porque espera sempre uma coisa apatetada e algo frívola do realizador, e não percebeu, ou não quis perceber, as camadas mais profundas da obra. Não estamos perante o drama puro de Match Point, mas o filme não pode ser considerado uma comédia. Há nele um toque
"hitchcockiano" de suspense e manipulação do espectador, que sente que está a ser "levado" no logro, mas que é forçado a esperar pelo realizador para num segundo, numa frase, já perto do fim, perceber realmente o que está a acontecer. Mas antes de o mistério ser subitamente e inesperadamente revelado, o espectador tem que se confrontar com as suas próprias crenças mais profundas, e revê-se vacilando no lugar de Stanley, magnificamente interpretado por Colin Firth. Se houvesse uma epígrafe para este filme só poderia ser a frase de Nietzsche nele citada, segundo a qual o Homem precisa de ilusões para viver. Assinalo ainda a excelente cinematografia e fotografia do nosso pequeno homem de Nova Iorque, que nos leva aqui a fazer belos passeios pela Riviera francesa dos anos 1920.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Forte Apache (Pontuação: 8)
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Puramente Americano, 2015-12-26
Fort Apache é um filme da maturidade de John Ford, considerado por muitos como um dos mestres absolutos da sétima arte, apesar de inserido na fábrica de filmes da clássica Hollywood, em particular dos famosos 'westerns'. Temos aqui o produto completo, John Wayne e Henry Fonda em plena força, Monument Valley por todo o lado, e uma história puramente americana do século XIX da "conquista do oeste", e que até envolve como referência a guerra de secessão já terminada. O maniqueísmo não ficou completamente à porta, mas as personagens principais são credíveis na sua maneira de ser. Os índios apache que a cavalaria americana combate são apresentados essencialmente como vítimas, o que reforça a credibilidade da obra. Aviso os leitores para que a legendagem em português do DVD está por vezes dessincronizada do som, pelo que esta edição de que dispõe a Cineteka é débil. Recomendo a quem não saiba inglês que não peça este disco.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
A Sombra do Caçador (reposição) (Pontuação: 10)
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Génio é Isto, 2015-12-21
Não posso resistir e deixar um filme como este sem comentários! É o único filme que o extraordinário actor Charles Laughton realizou, mas é simultaneamente um dos mais belos, alucinados e alucinantes filmes do mundo. Uma viagem ao terrível, explicou-nos João Bénard da Costa na sua folha de sala. Uma viagem que termina nas mãos DA actriz, daquela que elevou o cinema a arte, Lillian Gish, aqui já com cerca de sessenta primaveras, que não lhe pesaram para recitar verdadeiras lições, ela que só não pôde falar com a boca quando filmou com David Griffith nos anos 1910. Mas vingou-se enfim com Charles Laughton! E como! Uma nota final, este filme é com crianças, mas não é para crianças.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Sciuscia - Engraxador de Sapatos (Pontuação: 7)
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Dois rapazes a aprenderem a ser homens, 2015-10-01
Mais uma verdadeira raridade da Cineteka este Sciuscià, filme da alvorada do chamado neo-realismo italiano. É difícil, vendo este filme, não supor que os italianos tenham visto Aniki Bobó e que a obra-prima de Manoel de Oliveira não lhes tenha servido de inspiração e referência absoluta. Se em Aniki Bobó o objecto do desejo dos petizes era a boneca da Teresinha, em Sciuscià dois rapazes pobres no início da adolescência, o mais velho deles sem casa nem família, desejam ardentemente ... um cavalo! São enganados pelo irmão do mais novo e levados a ser cúmplices num assalto sem o saberem, acabando rapidamente reconhecidos pela vítima e presos. Sciuscià é pois um filme de prisão e tribunal, apesar de ser uma prisão para delinquentes menores. O realismo no meio disto todo é bem pouco, mas no fundo estamos perante um melodrama, e que assim termina, em que o realismo nunca é o seu alicerce. Para melodrama, Sciuscià é um filme competente e que qualquer cinéfilo pode ver sem perder o seu tempo. Dois rapazes a aprenderem a ser homens, como no fado Os Putos.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Alentejo, Alentejo (Pontuação: 8)
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Um Retrato a Muitas Vozes, 2015-10-01
Parabéns a Sérgio Tréfaut por mais um grande documentário, género fílmico sempre tão difícil, mas em que o autor já tinha mostrado o seu grande talento com Lisboetas. Alentejo, Alentejo é ao mesmo tempo um documentário sobre o Alentejo em 2014 e sobre o mais intemporal cante alentejano. Tréfaut procura vários grupos de cante pelo Alentejo, mostrando-o em vários ambientes, até a ser ensaiado e em rodas de amigos. Mas para conseguir um "enchido alentejano" realmente apetitoso e equilibrado, a música é intercalada com episódios diversos, em que alentejanos "de carne e osso" e de todas as idades dizem de sua justiça, falam deles mesmos, dos seus antepassados, e do Alentejo. Nota-se ao longo de todo o filme uma exigência enorme na qualidade do material usado, seja nos grupos e nas modas, seja nas pessoas e naquilo que dizem. Há uma excepção infeliz, quanto a mim, que é uma curta filmagem de um grupo infantil de "cante" nos subúrbios de Lisboa, que destoa do resto do filme, está lá a mais. Alentejo, Alentejo é um grande retrato do Alentejo popular, na sua grandeza e na sua pequenez, na sua riqueza e na sua pobreza. Absolutamente a ver.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Somewhere - Algures (Pontuação: 3)
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Uma Seca, 2015-09-28
Eu confesso, só o nome de Sofia Coppola me levou a ver este filme até ao fim, mas foi escusado, pois nada justifica tal sacrifício. Quem não conhecer a obra da realizadora e vir este filme nunca mais irá querer ver nenhum. Bem, qualquer um tem direito a um fracasso, porque não Sofia Coppola? Se ela tinha alguma coisa a dizer sobre Hollywood, sobre as suas celebridades ou sobre a sua própria vida, não conseguiu. Mostrou que sabe filmar, mas isso já eu sabia, e não basta.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Rua 42 (Pontuação: 9)
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Sheer Joy!, 2015-09-26
Terá aqui nascido o género musical, que ainda hoje tem tantos fãs? Não conheço nenhum filme anterior a este que crie o ambiente de mistura de vida, canto e dança que veio a ser o clássico filme musical americano. A história em si, como seria de esperar, não tem a mínima importância, um coreógrafo condenado pela medicina vai pôr em cena na Broadway o seu derradeiro espectáculo, e nós vamos acompanhar essa aventura e alguns dos seus protagonistas. Mas, como acontece nos musicais, o que vale mesmo é assistir às cenas em que o "show" toma conta do filme, e a realidade fica para trás. E não me recordo de um único momento de um único musical que supere a canção e o sapateado final de Ruby Keeler, jovem dançarina de 22 anos, filmada sozinha no palco em corpo inteiro ocupando todo o ecrã. Tanto mais inesperado quanto saído do pico da Grande Depressão. O filme é quase uma afirmação de vitalidade americana perante o infortúnio. No final dos anos setenta, Amália Rodrigues esteve doente com cancro em Nova Iorque, e contou numa entrevista muito posterior que uma das coisas que mais a tinha ajudado então tinha sido ver todos os filmes de Fred Astaire a que conseguiu deitar a mão. Vendo 42nd Street, sem Fred Astaire e sem "monstros sagrados", já encontramos a mesma força vital a que se agarrou a nossa diva do fado, e a que se agarraram tantos americanos numa das suas horas mais negras.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
A Última Hora (Pontuação: 8)
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Aqui o Crime Não Compensa, 2015-09-10
Um bom filme esta 25ª Hora, em que a Nova Iorque pós-11 de Setembro também tem um dos papéis principais, uma Nova Iorque bem colorida, como seria de esperar com este realizador. Desde o agora longínquo She's Gotta Have It que Spike Lee se manteve como um dos raros cineastas americanos com interesse, e prova-o aqui de novo. Talvez possamos ver o filme como um questionamento sobre o que é importante na vida, através do caso de um traficante de droga prestes a ingressar numa prisão para cumprir uma pesada pena. Não saberemos nada do que será o seu futuro, nem se haverá futuro para ele, mas vamos vê-lo agarrar-se à vida até ao plano final.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Inferno (Pontuação: 8)
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Uma Boa Surpresa, 2015-09-08
L'Enfer não é o primeiro filme francês com esse título, mas este é mais subtil naquilo que propõe como inferno, cabendo ao espectador a escolha. Podemos chamar a L'Enfer um melodrama, em que as peças que começamos por não compreender se vão encaixando, até ao momento de revelação, para nós e para Céline (Karin Viard, magnífica, como é hábito). Sendo irrealista muitas vezes, como é típico de qualquer melodrama que se preze, L'Enfer consegue mesmo assim apresentar-nos uma mãe do mais horrível que se pode mesmo encontrar. Na minha leitura, é esse o inferno do título, para as três irmãs a quem ela saiu em sortes.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Elas (Pontuação: 4)
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Um Filme Alimentício, 2015-09-07
Este é um filme alimentício, como teria dito Luís Buñuel, que serviu pois para a equipa que o fez ganhar o dinheiro para a renda de casa, mas cujas ambições se ficam por aí. Todos o sabem, em arte quando não há nada para dizer, o sexo é o isco que nunca falha. A ideia em si, uma jornalista que investiga junto de prostitutas, tinha potencial para fazer um filme de qualidade, tal como existem documentários do maior interesse feitos com essas profissionais. Mas quando não há uma ideia nem nada para dizer, como aqui, ficamo-nos pelas cenas mais ou menos eróticas, neste caso quase explícitas, mas superficiais ao ponto de vermos as jovens beijar os clientes.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Hannah Arendt (Pontuação: 9)
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Da Banalidade, 2015-09-06
Hannah Arendt é uma obra perturbante, da mesma forma que a filósofa política e grande pensadora Hannah Arendt o foi no seu tempo. Não é um filme ao alcance de qualquer um, e eu creio que pessoas sem formação superior não o poderão realmente digerir convenientemente. Margarethe von Trotta centra-se na controvérsia sobre o julgamento de Adolf Eichmann por Israel para nos "restituir" a sua Hannah, mas também visita o seu passado, com destaque para a juventude e para a sua ligação com Heidegger. Quer a excelente interpretação de Barbara Sukowa, quer a recriação do seu "ambiente germânico" nos EUA, com abundante uso do alemão, nos transmitem uma invulgar autenticidade, reforçada pelas imagens e som reais de Adolf Eichmann como réu. Pelos comentários críticos que pude ler acima, parece-me que muitas pessoas leram o filme como sendo sobre a política e o holocausto, talvez pelo seu fascínio (excessivo?) que partilham com Hannah Arendt, pelo mal. Mas o filme chama-se "Hannah Arendt", e penso que é de facto para ser visto como um filme sobre uma mulher invulgar, confrontada com uma humanidade que muitas vezes, apesar de nem sequer a compreender, ou porque se recusa a ouvir umas verdades, a condena. Condena-a porque ela serenamente meditou sobre o que viu em Israel - um "zé ninguém" burocrata da morte sentado no banco dos réus acusado do genocídio de seis milhões de judeus - em vez de rasgar as vestes e soltar urros histéricos e ferozes. Claro que a fria condenação de Eichmann por Hannah Arendt é muito mais dolorosa, porque ela lhe acrescenta ao mal a banalidade, a banalidade do seu ser humano, que não é pessoa, é peça. E este confronto entre o grande cérebro de Hannah e os audaciosos estúpidos que muitas vezes nem sequer a compreendem é, quanto a mim, o essencial de Hannah Arendt. A desilusão dela quando se queixa de que ninguém detectou o único erro que entendia ter cometido no seu trabalho é a essência do filme, a inadaptação da pessoa superior a um mundo de pequenos imbecis militantes. Banais, diria ela!
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Alemanha, ano zero (reposição) (Pontuação: 6)
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Nem Objectivo Nem Fiel, 2015-09-02
Um filme sem dúvida bem feito, mas de um pessimismo que o tempo provou ser injustificado. Rossellini começa por dizer que pretende apenas desenhar um quadro "objectivo e fiel" de uma capital semidestruída onde se levava uma vida "assustadora e desesperada". O que não se pode aceitar é que o filme proponha, como propõe, que o caso de uma família em desagregação num ambiente, naturalmente, muito duro, represente toda uma cidade, ou até um país. Rossellini não é, de facto, objectivo nem fiel, ao não encontrar motivos de esperança no futuro da Alemanha (RFA) ocupada então por ingleses, franceses e americanos. O filme que realmente capta a Alemanha derrotada e o seu futuro não é pois este, é o pouco conhecido e mais tardio Stunde Null. Não podemos deixar de suspeitar das motivações ideológicas de Rossellini para nos oferecer em 1947 uma Alemanha onde a vida era apenas "assustadora e desesperada".
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
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