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Muitos filmes de grande qualidade não têm o destaque que merecem, passando quase despercebidos. Por razões meramente económicas, as verbas promocionais concentram-se apenas em meia dúzia de títulos "mais comerciais". Para contrariar esta tendência, criámos este espaço de partilha e entre-ajuda, onde todos podem participar: escolha os filmes que achou mais marcantes e deixe o seu comentário.
Foram encontrados 2797 comentários. Resultados de 1 a 20 ordenados por data:
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No Nevoeiro (Pontuação: 8)
TrailerAlugar
A Guerra Não Mata Só Corpos, 2020-06-14
Muitos filmes são uma denúncia da guerra, e este O Nevoeiro de Sergei Loznitsa estará entre os melhores. Quase sem violência física, sendo a acção passada no meio da resistência e da contra-resistência ao invasor nazi, fica plenamente a descoberto a violência psicológica que a guerra representa para aquelas pessoas, chegando Sushenya, num momento filosófico, a declarar que a população daquela região perdida da Bielo-Rússia já não é a mesma que ele conhecera. E, como ele já morrera um pouco ou muito por dentro, é também ele, personagem principal, que deixa de temer a morte de cada vez que a enfrenta de frente. Magnificamente realizado e interpretado, é apesar disso um filme triste, como se Loznitsa nos quisesse dizer que isso é afinal a única coisa a esperar da guerra.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Roda Gigante (Pontuação: 8)
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Da Roda Não Se Escapa, 2020-06-11
A "Roda Gigante" a que se refere o título deste recente e muito bom trabalho do "pequeno" nova-iorquino Woody Allen não faz parte do filme para além de ser elemento decorativo, e é pois puramente alegórica em relação ao drama situado na praia de Coney Island em 1950 que Allen preparou para nós. O que simboliza a Roda Gigante ele não nos diz, deixa-nos essa interrogação. Apesar de introduzir uma personagem diferente, Mickey, que é ao mesmo tempo personagem e narrador, e que mais do que isso é um "alter ego" do próprio Allen, o centro do filme, aquilo que fascina o realizador como sempre ao longo de mais de cinquenta anos, é a personagem de Ginny, o mistério da Mulher. Junte-se a isso mais uma soberba interpretação de Kate Winslet, e temos aqui algo de muito recomendável, não tanto pela trama ou pelo realismo, que é pouco, mas pela espessura das personagens e suas relações. Acima delas está a Roda Gigante da vida que as arrasta a todas no seu inelutável movimento, mesmo as que lhe querem escapar. Como Ginny.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Homem Irracional (Pontuação: 8)
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Descubra o Irracional!, 2020-06-04
Dez anos após Match Point Woody Allen regressa à sua vertente trágica com este filme, mas que desta vez entrelaça habilmente com o seu estilo mais tradicional de observador de pequenos ambientes intelectuais e requintados. Tal como em Match Point é o acaso, tema de reflexão das próprias personagens, que decide o desfecho da intriga. Filme muito recomendável é este Homem Irracional, soberbamente servido de actores e actrizes, na sua dança quase privada com Mr. Woody Allen.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Loveless - Sem Amor (Pontuação: 8)
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Uma lágrima por Alexei, 2020-06-03
Descobri este filme graças ao canal de televisão franco-alemão Arte, que o co-produziu, e fez muito bem! O realizador, o russo Andrey Zvyagintsev, é um nome a anotar e a seguir, e se considerarmos apenas este filme, ele já exibe um invejável palmarés, que inclui o prémio do júri de Cannes, muitas vezes dado a filmes melhores do que as Palmas de Ouro. A partir de um 'fait divers', o desaparecimento de um miúdo de 12 anos, Zvyagintsev constrói simultaneamente um filme inteligente e ritmado e uma brutal análise do ser humano, ou de alguns deles, e também da Rússia moderna. Até ao fim aquele casal, particularmente ela, mostra aos espectadores quão baixo pode ser esse ser humano. Aqui uma criança vive durante doze anos sem ninguém a ter querido, sem ninguém ter dado pela sua existência, e pior ainda, sem que ninguém se lembre dela depois de desaparecida, exceptuando talvez o seu pequeno amigo da escola. Ficção? Claro, o mundo está cheio de bondade e estas pessoas não existem... O problema é mesmo que elas parecem assustadoramente reais! Veja se não acredita.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
A Queda do Império Americano (Pontuação: 8)
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Muito mais sério do que parece!, 2020-04-21
É difícil afirmar que este filme de 2018 é uma comédia, talvez farsa fosse melhor palavra, no mesmo sentido em que a aplicaria ao famoso Pulp Fiction de Tarantino. Parece-me um dos mais conseguidos projectos do canadiano do Québec Denys Arcand, que o aproveita para ajustar de novo contas com um mundo que o desgosta, e que exclui tantos e tantos. Trata-se de muito mais do que entretenimento, e nós espectadores vamos ficar bastante desamparados e forçados a pôr em causa os nossos valores. E isso é bom.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
A Era dos Ignorantes (Pontuação: 7)
TrailerAlugar
Humor Inteligente e Impiedoso, 2020-04-20
Esta é uma saborosa comédia mordaz que não se fica por isso do realizador canadiano Denys Arcand, em que a vida do moderno homem urbano é impiedosamente ridicularizada, acabando na sua recusa pelo personagem, que foge primeiro para o mundo dos sonhos, e depois para uma casa junto ao mar que fora do seu pai. A permanente oscilação entre a realidade da vida de Jean-Marc e os seus sonhos é bem conseguida, bem como a forma como um crescente vazio se apodera dele, a ponto de imaginarmos que a sua vida irá terminar. Mas Denys Arcand abre-lhe uma porta no final para uma eventual segunda vida, já não na "Idade das Trevas" (a nossa!), que é o título em francês do filme. Não poderemos deixar de desejar boa sorte a Jean-Marc, àquele e a todos os outros que enchem o nosso mundo, mesmo duvidando de que ele possa ainda alcançar alguma felicidade.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
De Bicicleta com Molière (Pontuação: 6)
TrailerAlugar
Cuidado com o Teatro!, 2020-04-08
Ainda explorando o trabalho do grande Fabrice Luchini presente na Cineteka encontrei este De Bicicleta com Molière, e dei o tempo por bem empregue. Trata-se de um filme agridoce, que nos traz até hoje um pouco de O Misantropo de Molière, mostrando como aquilo que poderiam ser considerados versos alexandrinos datados da Côrte de Luís XIV ainda podem dizer-nos tanto após séculos decorridos. Entre Fabrice Luchini e Lambert Wilson joga-se muito mais do que a representação de uma peça, eles vivem a misantropia e a vileza dos personagens, e claro, a amizade que os ligava vai-se desfazendo.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
O Senhor Juiz (Pontuação: 6)
TrailerAlugar
Justiça é Teatro?, 2020-04-07
Eis um muito recomendável filme francês recente, ao qual cheguei procurando o que haveria na Cineteka com o grande actor que é Fabrice Luchini. Não sendo L'Hermine (em português poderíamos traduzir para "A Beca") um grande filme, é um muito agradável exercício cinematográfico sobre a chamada justiça, que supostamente acontece em locais conhecidos como os tribunais. Tal como na vida real, não ficaremos propriamente muito tranquilos acerca da relação daquilo a que assistiremos com o nosso conceito de justiça - sendo um filme de processo em tribunal, não vamos nele encontrar as revelações e catarses a que por exemplo o cinema americano nos habituou, e ficaremos sem saber a verdade, coisa que, paradoxalmente, é a verdade de muitos julgamentos. Para nos sentirmos melhor, temos uma história romântica envolvendo o presidente da instância e uma jurada médica que o havia tratado no passado, completamente inverosímil, mas que humaniza toda aquela frieza jurídica e processual que rodeia o magistrado. E claro, sendo o magistrado Fabrice Luchini, isso já é motivo suficiente para nos interessarmos pelo filme.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Raiva (Pontuação: 8)
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O Alentejo não é paisagem simpática, 2020-04-06
O brasileiro Sérgio Tréfaut volta a surpreender-nos com esta conseguida adaptação de um romance neo-realista, que o transporta a ele e a nós de novo até aos campos do Alentejo (não esquecer o seu magnífico documentário Alentejo, Alentejo, de que a Cineteka dispõe). Para mim há uma rima entre este filme e Tempos Difíceis de João Botelho, e por muitas razões, que vão bem além do partido magnífico que ambos tiram do preto e branco. Confesso que prefiro o filme de João Botelho, e que considero Sérgio Tréfaut melhor documentarista do que realizador de ficção, embora aquilo que tem feito de ficção, como é aqui o caso, não lhe enlameie a reputação. Curiosamente, penso que em Raiva ele começa mal, sendo a cena da perseguição da GNR e da morte do Palma pouco conseguida. Mas rapidamente as coisas começam a melhorar, também em virtude dos excepcionais desempenhos de um elenco excepcional reunido para esta obra. Tal como nos mais elaborados filmes de Manoel de Oliveira, temos aqui um desfile da nata dos actores e actrizes portugueses, do cinema e do teatro, e de todas as gerações. Claro que apenas isso não faz um filme, mas ajuda, tal como ajudou há trinta anos João Botelho em Tempos Difíceis. O que ambos os filmes conseguem, e que deve ser salientado, é elevar-se acima do tema da "luta de classes" em que poderiam ficar facilmente atolados, para integrarem plenamente o trágico da existência daquelas almas num meio fechado, e de todas as almas. Mesmo com alguns momentos menos conseguidos, temos aqui algo que é altamente recomendável!
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Parasitas (Pontuação: 2)
TrailerAlugar
Passe ao lado, 2020-04-05
Já que foi tão aclamado, resolvi fazer a experiência de ver este filme coreano, renunciando por minutos à péssima imagem que tenho do cinema oriental contemporâneo e do cinema "hollywoodiano". Fiz mal, e parei a meio, desiludido quer com a banalidade da obra, quer com os prémios que lhe deram. Há muitas telenovelas brasileiras muito melhores do que este patético filme, que rapidamente a única coisa que provoca é enfado, apesar de conter algumas promessas no seu início. Mas não cumpre.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Uma Turma Difícil (Pontuação: 7)
TrailerAlugar
Eis um "feel good movie" à francesa!, 2019-09-30
"Les Héritiers", em português Os Herdeiros, infelizmente traduzido para "Uma Turma Difícil", é mais um filme convincente acerca da escola suburbana moderna, na linha de "A Turma", "O Dia da Saia", etc. É um filme sobre o grupo, a turma e a sua história, não se detendo nos seus elementos mais do que o indispensável. Assim, é a professora aquela que adquire o protagonismo, à medida que vai conseguindo cativar a maior parte dos seus alunos considerados "casos perdidos" para o seu projecto, a participação num concurso nacional sobre as crianças e os jovens no holocausto nazi. Herdeiros tornam-se eles a pouco e pouco das vidas de jovens da sua idade dos anos 1940 apanhadas nas garras da "solução final", e quem sabe isso fá-los ver a pequenez das suas guerrinhas liceais. Não esqueçamos, mesmo que romantizada e embelezada pela arte, esta é uma história verdadeira.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Baran (Pontuação: 3)
Alugar
Poderia ter sido... um bom filme!, 2019-09-29
Por ter encontrado aqui na Cineteka este já não recente filme iraniano, cuja existência desconhecia por completo, resolvi fazer a experiência de o ver, tendo até em conta o nível de excelência que o cinema iraniano atingiu com Kiarostami e alguns dos que lhe sucederam. Infelizmente, não é qualquer iraniano que agarra numa câmara que é um novo Kiarostami, e é esse o caso deste Majid Majidi e do seu frustrante filme, tão pretensioso quanto inconseguido. Colocar uma charada na frente do espectador ao mesmo tempo que se pretende fazer um filme inspirado na realidade do seu país só poderia resultar mal. E foi pena, pois a ideia em si de uma moça que se faz passar por rapaz numa obra e que atrai um operário trambiqueiro tinha potencial para outros vôos. Não chegaram foi a descolar!
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
O Tesouro da Sierra Madre (reposição) (Pontuação: 9)
TrailerAlugar
Uma Moral À Sua Espera!, 2019-08-30
O Tesouro da Sierra Madre é considerado muito justamente um dos clássicos da cinefilia e dos tempos de esplendor de Hollywood. É um filme intensamente moralista, logo irrealista, mas disfarça bem as suas pretensões "edificantes" através do percurso de aventuras de caça ao tesouro por que passam os protagonistas. Curiosamente, há muitas leituras morais que podem ser feitas, e muito mais interessantes do que a de que o dinheiro traz ao de cima o pior dos homens. Há uma moral à sua espera neste velhinho clássico! O DVD da Cineteka é de muito boa qualidade, mas sem legendas em português.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Nunca Deixes de Olhar (Pontuação: 8)
TrailerAlugar
A Arte Dói, 2019-08-29
Como aviso inicial saliento que este filme de von Donnersmarck tem três horas de duração, e exige ao espectador uma disponibilidade acrescida. Por vezes pode tornar-se algo entediante, e parece-me que poderia ter sido encurtado. No entanto, boa parte do enredo é de primeira qualidade, e acaba por compensar o espectador pelo investimento que queira fazer. Mais do que qualquer coisa, Nunca Deixes de Olhar, no original "Obra Sem Autor", é uma magnífica reflexão sobre o que é a arte e o que ela significa para o artista. Para Kurt, a sua pintura vai ser o caminho para uma catarse pessoal da sua infância ultrajada pelos nazis, que assassinaram a pessoa mais importante para ele, a sua jovem e querida tia Elizabeth. Kurt não esqueceu. E por isso o seu quadro que abre um novo capítulo na pintura é a acusação mais formidável alguma vez proferida contra um nazi, e deixa os assassinos directos de Elizabeth reduzidos à sua abjecção, sem dó nem piedade.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Todos Sabem (Pontuação: 2)
TrailerAlugar
Para esquecer, e depressa!, 2019-08-26
Se como já por aqui escrevi Asghar Farhadi tem feito alguns filmes de grande interesse, este Todos Sabem mostra que também tem feito filmes rigorosamente a não ver. É difícil de acreditar que foi a mesma pessoa que fez esta vacuidade, e, por exemplo, um filme de família como O Passado. Passe o leitor ao lado deste, e será mais feliz.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Ladrões de Tuta e Meia (Pontuação: 5)
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Havia potencial, 2019-08-21
Esperava um pouco mais do filme. É daqueles que promete mais do que aquilo que realmente vale. Havia potencial para um excelente filme, mas acredito ( e estamos em Portugal) que o orçamento seja diminuto e tem que se fazer o que se pode. Destaco ainda assim, a prestação do Unas, que é de facto um excelente ator. Sem ser um filme brilhante, entretém o QB.
Por Mourisca (ALDEIA DE PAIO PIRES)
Zorba, O Grego (Pontuação: 10)
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Que Filme!, 2019-08-13
Sempre fui fan desde que o vi a 1ªvez no Monumental, sim porque era filme para se ver várias vezes . Hoje não sei se os apreciadores de pipocas dão valor a isto mas ver Quinn (soberbo), Bates, Kedrova, Papas e o povo de Creta é qualquer coisa ... E que tal, os mais velhos, a esta distância tentarem compreender porque é que Quinn (num grande filme a preto e branco) perde um Oscar para Rex Harrison em My Fair Lady (superprodução em écran gigante ) ? Pois é já naquela altura havia lobbies...
Por Edusilva (QUINTA DO CONDE)
Bucha e Estica (Pontuação: 9)
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Regresso à 1ª metade do século passado, 2019-08-13
Excelente filme para os mais idosos como eu, mais difícil de agradar aos mais novos . O filme é biográfico, potencialmente dramático mas genuíno . Excelente caracterização dos atores principais e brilhante interpretação de Steve Coogan (embora a de Riley também seja boa), não se percebendo assim porque é que, nos Globos de Ouro, é nomeado Riley (americano) e não Coogan (inglês) . Não devo perceber nada de cinema...
Por Edusilva (QUINTA DO CONDE)
O Passado (Pontuação: 8)
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Uma Família Também é Única, 2019-08-12
Confesso que não fiquei grandemente impressionado com o primeiro filme de Asghar Farhadi que vi no grande ecrã e que foi muito bem recebido pela crítica, Uma Separação, mas que se têm sucedido as boas surpresas por parte deste já consagrado cineasta iraniano. Este O Passado, filme francês com muito Irão por ele dirigido, é um fascinante drama familiar girando à volta de uma mulher. Todos os elogios críticos citados acima pela Cineteka são merecidos, excepto o de obra-prima, que me parece excessivo. O que pessoalmente saliento e quanto a mim é simplesmente brilhante é a forma como cada personagem, incluindo as crianças, adquire o seu espaço único no filme por direito próprio, espaço esse que não lhe é concedido, é exigido. As personagens de Farhadi estão vivas! Até o final do filme nos diz isso, e deixa connosco espectadores o mistério da vida.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Shoplifters: Uma Família de Pequenos Ladrões (Pontuação: 4)
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Não Basta!, 2019-08-11
Não vi este filme em sala, apesar de toda a publicidade gerada em seu redor, e fiz muito bem. Se é isto que nos dias de hoje merece a palma de ouro de Cannes, diria usando a célebre frase da astronáutica que "Houston, we have a problem"! Não diria que o realizador e sua equipa sejam desprovidos de talento e sensibilidade, bem japoneses, mas a história, o argumento, tudo parece ter saído de um caixote de má literatura - fala-se porque se tem que falar, não se fala porque se tem algo para dizer. Filme a evitar, obviamente. Restarão aos espectadores eventualmente alguns momentos realmente belos com as duas crianças. A mim não basta. Fico apenas com a esperança que um dia Koreeda faça um bom filme, pois estranhamente ele sabe filmar, tanto quanto não sabe escrever.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
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