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Muitos filmes de grande qualidade não têm o destaque que merecem, passando quase despercebidos. Por razões meramente económicas, as verbas promocionais concentram-se apenas em meia dúzia de títulos "mais comerciais". Para contrariar esta tendência, criámos este espaço de partilha e entre-ajuda, onde todos podem participar: escolha os filmes que achou mais marcantes e deixe o seu comentário.
Foram encontrados 151 comentários. Resultados de 1 a 20 ordenados por data:
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O Passado (Pontuação: 8)
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Uma Família Também é Única, 2019-08-12
Confesso que não fiquei grandemente impressionado com o primeiro filme de Asghar Farhadi que vi no grande ecrã e que foi muito bem recebido pela crítica, Uma Separação, mas que se têm sucedido as boas surpresas por parte deste já consagrado cineasta iraniano. Este O Passado, filme francês com muito Irão por ele dirigido, é um fascinante drama familiar girando à volta de uma mulher. Todos os elogios críticos citados acima pela Cineteka são merecidos, excepto o de obra-prima, que me parece excessivo. O que pessoalmente saliento e quanto a mim é simplesmente brilhante é a forma como cada personagem, incluindo as crianças, adquire o seu espaço único no filme por direito próprio, espaço esse que não lhe é concedido, é exigido. As personagens de Farhadi estão vivas! Até o final do filme nos diz isso, e deixa connosco espectadores o mistério da vida.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Shoplifters: Uma Família de Pequenos Ladrões (Pontuação: 4)
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Não Basta!, 2019-08-11
Não vi este filme em sala, apesar de toda a publicidade gerada em seu redor, e fiz muito bem. Se é isto que nos dias de hoje merece a palma de ouro de Cannes, diria usando a célebre frase da astronáutica que "Houston, we have a problem"! Não diria que o realizador e sua equipa sejam desprovidos de talento e sensibilidade, bem japoneses, mas a história, o argumento, tudo parece ter saído de um caixote de má literatura - fala-se porque se tem que falar, não se fala porque se tem algo para dizer. Filme a evitar, obviamente. Restarão aos espectadores eventualmente alguns momentos realmente belos com as duas crianças. A mim não basta. Fico apenas com a esperança que um dia Koreeda faça um bom filme, pois estranhamente ele sabe filmar, tanto quanto não sabe escrever.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Amor de Verão (Pontuação: 8)
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Nem Tudo o Que Reluz é Ouro, 2019-08-10
Após ter visto Ida e Guerra Fria graças à Cineteka, vim espreitar este "velhinho" filme de Pawel Pawlikowsky, que nunca tinha visto, apesar de ele ter uma boa reputação no cinema de qualidade. E fiz muito bem, pois aqui, trabalhando em Inglaterra na província, Pawlikowsky realizou um muito interessante trabalho, ajudado por excelentes actores ingleses e técnicos. No filme não se passa muita coisa, nem ele sai do "vale" em que tudo acontece, e em que as duas jovens Mona e Tamsin vivem. É de modos de ser e de relações humanas que nos fala, do que parece e não é, do que é e não parece, do palco que é a vida, como disse William Shakespeare. E para Mona (soberba a estreante Nathalie Press), a vida será brutal. Para o espectador fica o insondável mistério dos seres a cada nova surpresa. Pawlikowsky consegue já aqui apresentar-nos ficção em que podemos acreditar, sem cair no banal e no naturalismo, mas com uma espontaneidade cativante. Não é para todos!
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
O Cavalheiro com Arma (Pontuação: 7)
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Velhos são os Trapos, 2019-04-22
Cavalheiro com Arma é um filme demonstrativo de que ainda se fazem filmes com interesse nos EUA, o que, só por si, já é uma qualidade. Trata-se de um divertimento, de 90 minutos bem passados para o espectador, e não tem mais ambições do que essas, e quem sabe do que nos mostrar o trabalho de duas grande estrelas envelhecidas, Robert Redford e Sissy Spacek. A nostalgia estende-se aos anos 1980 em que se passa o filme, a um tempo em que as pessoas iam ao banco depositar e levantar dinheiro em notas!
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
O Quadrado (Pontuação: 4)
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Um Exercício Falhado, 2019-04-22
Eis um filme que vem aureolado com nada menos do que a Palma de Ouro em Cannes, prémio que é garantia de que lhe devemos prestar atenção. Infelizmente a atenção não se vai transformar em adoração, a menos que seja para aqueles espectadores que aspiram ao estatuto mítico de "intelectuais". É evidente que o autor, o sueco Ruben Ostlund, pretende fazer uma "crítica social" ao nosso mundo moderno e à sua "boa consciência", e demonstrar que "de boas intenções está o inferno cheio". Mas, ao contrário do seu precedente filme Força Maior, não nos consegue apresentar situações e personagens que realmente despertem um interesse dos espectadores capaz de obrigar a uma reflexão. Parece-me um exercício falhado. Mas como por vezes acontece, é filme para atrair a tal família muito especial de "intelectuais", que vêem coisas profundas onde, na verdade, só existe falta de inspiração. E sai uma Palma de Ouro, talvez à falta de melhor escolha!
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Tu, Que Vives (Pontuação: 7)
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Como Sonha um Sueco, 2019-04-20
Este é um dos filmes da Trilogia da Existência do sueco Roy Andersson, e vale bem um visionamento, tal como o recente "Um Pombo Pousou Num Ramo a Reflectir na Existência". Estes filmes de Andersson são autênticas montras de humor e frieza nórdicos, exibindo e criticando um mundo e uma humanidade à deriva e sem sentido. Podemos considerar estas obras uma sátira do mundo moderno, ou uma manifestação onírica de desespero, perto de pesadelo? Pouco importa, o espectador que decida, são filmes bem feitos, têm um estilo, bem nórdico, e personagens e situações bem concebidas e exploradas. Como seria de esperar pelo que já disse, não são 'feel good movies'.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Cold War - Guerra Fria (Pontuação: 9)
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A Polónia Canta, 2019-03-04
Cada vez mais nas estrelas é por onde anda o polaco Pawel Pawlikowski, a julgar por este recente e sideral Guerra Fria. Para quem tiver visto Ida, o filme Guerra Fria não supreenderá no uso deslumbrante do preto e branco que faz, e até no contexto histórico sobre o qual se debruça, a Polónia pós-Segunda Guerra Mundial - a Polónia da infância de Pawlikowski, afinal de contas, aquela que ele conheceu e abandonou, tal como por exemplo Roman Polanski. Abandonou geograficamente, mas o coração também tem pátria, e é da Polónia que Pawlikowski nos fala, e do seu horrendo século XX. Sendo, como é, uma grande história de 'amour fou' de dois artistas, Victor e Susana, Guerra Fria coloca-os magistralmente a eles e a nós espectadores na incipiente Polónia comunista. Não há caricaturas, não há "bons" e "maus", quando muito há o patriotismo sem limites de Susana, sentido, não exibido. E não vou falar do inesperado final do filme, o seu momento mais belo quanto a mim, numa obra em que estes abundam. Do que conheço do cinema feito por polacos, os seus grandes artistas só se elevaram realmente fora da Polónia, o que nada tem de novo, e aqui de novo é a França a segunda pátria de qualquer polaco (ou de qualquer homem!). Por isso não é de estranhar, pelo menos para mim, que neste filme se aprenda mais sobre a Polónia do que provavelmente em todas as produções do seu regime comunista reunidas. Em Guerra Fria, pela lente soberana de Pawel Pawlikowski, é a Polónia que canta. Venha escutá-la!
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Pacto de Silêncio (Pontuação: 9)
Alugar
Só para os que vêem aquilo que não se vê, 2019-03-02
Pacto de Silêncio é um daqueles filmes que não se percebem completamente à primeira, e que, por isso mesmo, ao serem vistos em gravação, repetindo quando necessário algumas passagens, nos evitam os vários visionamentos na sala de cinema até adquirirmos uma compreensão suficiente da sua escrita. Essa dificuldade é agravada por o DVD da Cineteka não dispor de legendas em português nem em francês, língua original - a mim, que não tenho dificuldades de maior com o francês, ajudaram-me por vezes as legendas em inglês, e estas também estão disponíveis em castelhano. Não é pois um filme fácil, mas a recompensa pelo esforço que é exigido ao espectador é enorme. Comecemos pelo privilégio de vermos Gérard Depardieu, Carmen Maura e a ainda jovem, bela e talentosa Élodie Bouchez actuar, com a mestria que todos eles exibem. Sigamos com o argumento simultaneamente misterioso e cativante de exploração, com conta peso e medida, da relação superlativamente fraterna de duas gémeas univitelinas (Bouchez faz as duas). São duas almas? São uma só alma com dois corpos? Quanto custa a sua separação? Sarah e Gaëlle não nos vão dar descanso! Por fim sintamos o segredo sempre escondido e elidido, e o suspense da busca infatigável do padre-médico Joachim (Depardieu), cortado finalmente a um minuto do final pelo plano de dois gémeos pequenos num quintal, que nós espectadores, sem que nada nos seja dito ou sugerido explicitamente, sabemos de imediato quem são, e que nos abrem um dos mais belos 'happy ends' de toda a longa história do cinema. E deixo-vos com Gaëlle, aquela que tudo suportou sem violência, vestida de branco, à porta de casa com o portão aberto. Ah, é isto a arte!
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
O Outro Lado da Esperança (Pontuação: 8)
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Não se apaixone pela Finlândia!, 2019-02-22
Vemos na ficha do filme que a própria Cineteka não sabe se este é comédia ou drama, o que se compreende facilmente pensando na obra do finlandês Aki Kaurismaki. Aqui ele aproveita a crise dos refugiados de guerra sírios para fazer mais um filme bem ao seu estilo, nas franjas da marginalidade do seu país, que não é poupado - Khaled, o protagonista, diz às tantas que "apaixonei-me pela Finlândia, vê se me consegues arranjar uma maneira qualquer de sair daqui"!
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
As Boas Maneiras (Pontuação: 8)
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Dolorosamente Belo, 2019-02-20
Uma excelente surpresa é o que constitui este filme para mim, que nem sequer tenho qualquer especial afinidade com o terror, o suspense e o fantástico. Mas esta produção franco-brasileira agarrou-me rapidamente à maneira de Hitchcock, e deixou-me colado à cadeira e com o coração pouco calmo até ao último segundo. Também a descoberta de uma nova e excelente actriz da lusofonia, Isabel Zuaa, é motivo para elogiar esta obra. Não vou referir qualquer aspecto da intriga, de forma a não retirar a outros espectadores um dos ingredientes principais do filme, o suspense. Mas vou advertir eventuais incautos de que este filme não é para todos os espectadores, sobretudo para os mais sensíveis. E cuidado, pois eles andam por aí! E mordem!
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Os Quatrocentos Golpes (Pontuação: 9)
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Um Filme Interrogativo, 2018-12-27
Este filme inaugural de François Truffaut é considerado também o filme inaugural da 'Nouvelle Vague' do cinema francês dos anos sessenta, chamada a Nova Vaga em português. Como curiosidade, consta que é um filme largamente autobiográfico. Trata da história de um jovem indomável no início da adolescência, que faz "trinta por uma linha", expressão que deveria ter sido a tradução da expressão idiomática francesa 'les 400 coups'. A interpretação do jovem Jean-Pierre Léaud é convincente, ao contrário do seu trabalho de actor depois de adulto, até à actualidade. Encontramos realmente neste filme uma nova forma de filmar, e de filmar realidades suas contemporâneas, incluindo a cidade de Paris em 1959, à qual somos inevitavelmente transportados ao ver Les 400 Coups. À medida que Antoine Doinel, o personagem, vai basculando para fora de todas as instituições em direcção ao crime, somos realmente perturbados sobre o que são o livre-arbítrio e o destino: por um lado, Doinel é marcado desde que nasce por circunstâncias muito desfavoráveis, por outro lado sentimos que ele se deixa deslizar alegremente a caminho da exclusão. Ao vê-lo no close-up paralítico final, só espectadores optimistas darão "alguma coisa" por aquele pequeno delinquente em formação sozinho no mundo. No fundo, a imagem final da abertura da Nouvelle Vague é uma interrogação, e Doinel (Truffaut?) pergunta ao espectador "que pensas tu sobre mim?". Não apenas é feita essa pergunta, sem o ser explicitamente, como ao longo do filme somos confrontados com muitas outras interrogações e perplexidades acerca do nosso mundo. Les 400 Coups é um filme interrogativo, e muito eficaz.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
O Tédio (Pontuação: 8)
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Um Filme Perturbante, 2018-12-25
O Tédio é um filme que cheira a cinema francês do fim do século XX, que então conheceu um ressurgimento, e ao mesmo tempo é uma das muitas produções de então do português Paulo Branco. Não é a primeira variante no cinema do tema da degradação de um espírito cultivado por intermédio de uma paixão apenas carnal, mas é terrivelmente eficaz. O 'not so unhappy end' é forçado, e a morte de Martin (magnífico Charles Berling) seria o fim adequado. O objecto da sua paixão, ou desejo desenfreado, a então muito jovem Sophie Guillemin, está como peixe na água compondo a figura da "cabra", ao mesmo tempo superlativavmente sexual num sentido animal e desprovida de qualquer amor. Pouco antes do final a mãe de Cecilia (Sophie Guillemin) explica numa frase à vítima por vocação Martin aquilo que lhe aconteceu. Já nos anos trinta Joseph von Sternberg com Marlene Dietrich exploraram a fundo o tema da mulher fatal, num filme cujo título rima com a intriga de O Tédio: O Diabo é Uma Mulher! Apesar de por vezes nestes filmes o realismo ser sacrificado, eles reflectem realidades de facto, e continuam a ser realistas: este tipo de mulher, como Cecilia, existe mesmo. Cuidado rapazes!
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
No Coração da Escuridão (Pontuação: 1)
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Ridículo, 2018-12-24
Desta vez deveria ter seguido a sensação que tive pouco depois do início do filme, de que era para esquecer. Infelizmente resolvi continuar a vê-lo, e posso confiadamente dizer que não passa de um filme de propaganda ao politicamente correcto e ao "ambientalismo". Mas o que a mim cinéfilo me dói não é sobretudo isso, é o aproveitamento descarado que o autor faz da obra de Robert Bresson, nomeadamente do superlativo Journal d'un Curé de Campagne de 1951, para fazer um filme que é a negação da obra da Bresson e do seu pensamento, e, como tal, um escarro num dos mestres da sétima arte. A todos os títulos esta "coisa" não passa de um panfleto repugnante. Foi, no entanto, muito apreciado pela "crítica".
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Manhã Submersa (Pontuação: 8)
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A Força do Destino, 2018-08-13
Dentro das excentricidades do chamado "cinema português", ou seja, do cinema feito por portugueses, este Manhã Submersa do estreante Lauro António continua a merecer um lugar de destaque passados quase 40 anos da sua realização. Apesar dos seus defeitos, tais como algum amadorismo dos autores, a má dicção de muitos dos participantes, alguns planos bastante absurdos, a favor da obra está quase tudo o resto, desde o estofo literário que a sustenta, até à utilização cuidada da música, dos espaços serranos da acção, passando pelo bom domínio da linguagem cinematográfica de um realizador perto de principiante. Não é, nem de perto, o primeiro filme de denúncia de um sistema e de uma instituição de ensino, mas cumpre plenamente esse objectivo de Virgílio Ferreira, que se vê ele mesmo na pele do seu opressor de infância, ao interpretar o reitor do seminário - brilhantemente, diga-se. O DVD é rico em extras, incluindo um longo depoimento de Lauro António trinta anos depois, do maior interesse. Recomendo o visionamento do filme com legendas em português, que estão disponíveis. Quanto ao resto, é um filme imperdível para qualquer cinéfilo, sobretudo se for português. Mas o plano quase de abertura, de António imóvel na gare enquanto o comboio a vapor descreve a curva e se aproxima dele a toda a velocidade, parecendo ir esmagá-lo, ao som da abertura de A Força do Destino de Verdi, é um momento de grande arte universal, em que tudo é dito em poucos segundos, e como só o cinema pode fazer. E bravo, Lauro António!
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
A Partir de Uma História Verdadeira (Pontuação: 6)
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Um Filme Obsessivo, 2018-08-11
A Partir de Uma História Verdadeira é o último trabalho à data do velho mestre polaco, de seu nome Polanski. Não há nada de verdadeiro nele, o que torna logo o título tão enganador quanto a obra - digamos que logo o título pode ser visto como um aviso ao espectador! No entanto, a reflexão que pode provocar sobre a arte, a inspiração, a escrita, a criação de personagens e de enredos, o escritor e seus leitores, são sem dúvida interessantes. Polanski tem o mérito de ensinar o espectador a não confiar naquilo que vê, e engana-o com o mesmo deleite com que Hitchcock o fazia, mas com uma arte bem diferente, aqui com a colaboração de novo de sua mulher Emmanuelle Seigner e da igualmente sensual e mais jovem Eva Green. Um filme obsessivo, como Polanski.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Como Nossos Pais (Pontuação: 8)
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Uma Rosa na Tempestade, 2018-06-18
Como Nossos Pais, título de uma grande canção da imensa Elis Regina, é aqui título de um filme também brasileiro, e também honrosamente brasileiro. O filme é um retrato de Rosa, mulher de 38 anos, num momento decisivo da sua vida, em que tudo treme até às fundações. É preciso contar uma história pessoal, proclamava Rainer Werner Fassbinder nos tempos em que iluminava o ecrã com a sua arte. Laís Bodanzky faz isso mesmo neste filme, e isso já é muita coisa, pois é feito com inteligência, com paixão, com domínio da arte. Esta foi uma das poucas boas surpresas que o cinema me proporcionou nos últimos anos de indigência artística. E acrescento que, sendo brasileiro, o filme é falado de facto em português, o que não é a norma.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Três Cartazes à Beira da Estrada (BLU-RAY) (Pontuação: 3)
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3 Cartazes, Nota 3!, 2018-06-14
Comédia negra, diz a sinpose acima do filme. Não vi nada que me fizesse rir, pelo menos até ter desistido deste esforço frustrado de filme, que é apenas mais um exemplo da estaca zero a que chegou o 'mainstream' do cinema americano actual. Frances McDormand continua sendo uma grande actriz, mas não há grandes actores quando ao serviço de um realizador e argumento medíocres, cuja única aparente intenção é submergir o espectador com excitações continuadas. A ideia em si, a de um particular que compra um espaço publicitário, não sendo original, prestava-se, se houvesse talento, a fazer ao menos um filme com interesse, ou até um bom filme. Se!
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Lumiére! - A Aventura Começa (Pontuação: 10)
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E Fez-se Luz, 2018-02-02
Lumière! é um excelente trabalho de divulgação da obra já cinematográfica, e não apenas técnica, de Louis Lumière, com seu irmão Auguste inventor do cinematógrafo, ou seja, daquilo que hoje chamamos o cinema. Classificando e montando mais do que uma centena de filmes de 50 segundos (formato obrigatório do cinematógrafo Lumière), feitos um pouco por todo o mundo por Louis Lumière entre 1895 e 1905, e juntando-lhes o comentário certeiro e informativo do autor, este filme é uma viagem simultaneamente às origens do cinema e ao fim do século XIX e ao dealbar do século XX, à 'Belle Époque', a um mundo que já não existe. Trata-se de uma viagem que não podemos fazer desta forma a épocas anteriores a 1895, e que o cinema, e só o cinema, possibilitou. Em Gone With The Wind uma das legendas iniciais adverte o espectador para aquele mundo que vai presenciar, e que foi levado pelo vento. Em Lumière! vamos mesmo ver um mundo que o vento da História levou, magnificamente captado pelos próprios inventores do cinema, e para nós compilado por Frémaux. Assistimos privilegiadamente à própria fundação da 7ª Arte.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Aquarius (Pontuação: 6)
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O Cancro de Clara, 2018-01-29
Eis um filme brasileiro recente que merece uma espreitadela, apesar da dificuldade de perceber vários dos diálogos. Clara (Sónia Braga) mora à beira-mar num apartamento num pequeno prédio que, por causa dela, resiste à invasão de torres de betão no litoral da capital pernambucana de Recife. Ela é uma sobrevivente do cancro, e tendo vencido essa doença, sente-se apta a lidar com a empresa construtora que a cerca por todos os lados! Infelizmente o argumento do filme, que é do realizador, deixa a desejar, e aquilo que poderia ter sido uma muito mais tocante história de resistência, acaba por se transformar num exercício maniqueísta e, sobretudo, irrealista. Mesmo assim, o conteúdo dramático de algumas das cenas compensa o espectador pela falta de talento do autor do filme noutras. Talvez Aquarius valha sobretudo pela reflexão que representa sobre o envelhecimento, sobre os conflitos geracionais, sobre o poder da vontade. Sónia Braga está como peixe dentro de água compondo a sua Clara, ela que foi outrora um 'sex symbol' memorável, expondo-se frontalmente sem uma mama (realidade ou ficção?), ao mesmo tempo que mostra que ainda sabe duas ou três coisas sobre sensualidade. Foi pena o realizador não ter sido capaz de melhor, pois tal era possível. Felizmente para ele pôde contar com Sónia Braga, magnífica, para lhe salvar a pele do desastre completo.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Eva (Pontuação: 9)
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Vamos ao Teatro, Entrada pelos Bastidores, 2017-12-18
All About Eve (pessimamente traduzido para Eva) é um filme que entre outras coisas nos fará lembrar como a "indústria cinematográfica" dos Estado Unidos foi grande, e suspirar por esses tempos ao comparar o filme com aquilo que é agora produzido. O espectador é aqui convidado a espreitar os bastidores da arte teatral de uma forma tão apelativa que rapidamente vai ficar "agarrado" àquelas personagens, que lutam cada uma à sua maneira pela glória e pelo aplauso do público, ou que participam nessa luta - o mundo é um palco, frase atribuída a Shakespeare, nunca terá sido mais verdadeira do que para elas, cuja vida gira à volta de um palco. Para as duas actrizes principais, magníficas Bette Davis e Anne Baxter, a linha que separa vida real e vidas das personagens que encarnam ou que conhecem torna-se quase invisível, e a peça continua fora do palco, coisa que Mankiewicz mostra com a mestria que o caracterizava. E no registo irónico, que no filme também se vira contra Hollywood - e mal sabia ele o que viria a ser Hollywood! -, Mankiewicz despede-se do espectador, mostrando na cena final que "o circo continua". Afinal, a vitória de Anne Baxter é uma vitória de Pirro, e o espectador poderá descobrir que a derrotada não foi quem parece ser. Isto num filme em que os "códigos de moral" americanos da época são sujeitos a uma rude prova, em que não há bons muito bons nem maus muito maus, tudo isso contribuindo para que o espectador seja continuamente surpreendido pelo rumo que as coisas levam. Como curiosidade, Marilyn Monroe tem neste filme um dos seus primeiros papéis no cinema, e bem divertido.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
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