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Muitos filmes de grande qualidade não têm o destaque que merecem, passando quase despercebidos. Por razões meramente económicas, as verbas promocionais concentram-se apenas em meia dúzia de títulos "mais comerciais". Para contrariar esta tendência, criámos este espaço de partilha e entre-ajuda, onde todos podem participar: escolha os filmes que achou mais marcantes e deixe o seu comentário.
Foram encontrados 2765 comentários. Resultados de 1 a 20 ordenados por data:
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Moonlight (BLU-RAY) (Pontuação: 4)
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Acto falhado, 2018-11-17
Moonlight é uma história de amor, violência, homossexualidade, coação, toxicodependência, tráfico…, uma história com gente lá dentro. Moonlight é também a ilustração da Hollywood de hoje, dividida que está em filmes de bang-bang caçadores de milhões na bilheteira e filmes assim…, travestidos de cinema de autor.

Dividida em três partes (Little/Black/Chiron), apenas na primeira há cinema, personagens e uma dúzia de planos bem “rasgados”. Nas demais, o filme arrasta-se, penosa e aborrecidamente. Ainda assim serviu para convencer a Academia a lhe oferecer o Oscar 2017 para “Melhor Filme do Ano” que juntou ao Globo de Ouro também arrecadado.
Por Pedro S. Lourenço (LISBOA)
Han Solo: Uma História de Star Wars (BLU-RAY 3D) (Pontuação: 7)
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Western cósmico, 2018-11-11
Hans Solo, uma história de Star Wars, foi um fiasco de bilheteira, não tendo, à data em que escrevo, atingido o “break even point”. Compreende-se – à contrário - este desiderato ao ver o filme. O segundo filme da série autónoma "Star Wars Anthology" é muito bom, o melhor pedaço de Star Wars dos últimos anos, quase ao nível da trilogia inicial. Sem palermices pueris, bem escrito, bem realizado, montado num ritmo quase perfeito, fica-lhe contudo a faltar um protagonista carismático para ser ainda melhor - Alden Ehrenreich não tem andamento para estas “cavalarias”.
Por Pedro S. Lourenço (LISBOA)
Rogue One: Uma História de Star Wars (BLU-RAY 3D) (Pontuação: 6)
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Episódio três e meio, 2018-11-09
Finalmente encontrei tempo na “minha galáxia” para ver Rogue One. E a boa notícia é que o filme é bem melhor do que muito do fel que a crítica espalhou por ai. Não sendo a cinematografia espantosa, o argumento está em linha com a saga e as personagens, podendo ser muito mais bem trabalhadas, não desiludem. O entretenimento é garantido e a banda sonora transporta-nos com luxúria para a clássica Guerra das Estrelas. O fraquinho Darth Vader é amplamente compensado pela fascinante batalha final, travada no ar e em terra, tendo como cenário uma ilha de um planeta tropical que nos remete para a batalha no planeta gelado para “O Império-Contra Ataca”. Aliás, não faltam as referências às origens e isso só pode ser bom. Estando longe de ser uma obra-prima, Rogue One vê-se com prazer.
Por Pedro S. Lourenço (LISBOA)
Manhã Submersa (Pontuação: 8)
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A Força do Destino, 2018-08-13
Dentro das excentricidades do chamado "cinema português", ou seja, do cinema feito por portugueses, este Manhã Submersa do estreante Lauro António continua a merecer um lugar de destaque passados quase 40 anos da sua realização. Apesar dos seus defeitos, tais como algum amadorismo dos autores, a má dicção de muitos dos participantes, alguns planos bastante absurdos, a favor da obra está quase tudo o resto, desde o estofo literário que a sustenta, até à utilização cuidada da música, dos espaços serranos da acção, passando pelo bom domínio da linguagem cinematográfica de um realizador perto de principiante. Não é, nem de perto, o primeiro filme de denúncia de um sistema e de uma instituição de ensino, mas cumpre plenamente esse objectivo de Virgílio Ferreira, que se vê ele mesmo na pele do seu opressor de infância, ao interpretar o reitor do seminário - brilhantemente, diga-se. O DVD é rico em extras, incluindo um longo depoimento de Lauro António trinta anos depois, do maior interesse. Recomendo o visionamento do filme com legendas em português, que estão disponíveis. Quanto ao resto, é um filme imperdível para qualquer cinéfilo, sobretudo se for português. Mas o plano quase de abertura, de António imóvel na gare enquanto o comboio a vapor descreve a curva e se aproxima dele a toda a velocidade, parecendo ir esmagá-lo, ao som da abertura de A Força do Destino de Verdi, é um momento de grande arte universal, em que tudo é dito em poucos segundos, e como só o cinema pode fazer. E bravo, Lauro António!
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Mustang (Pontuação: 10)
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Tradição, vergonha, sobrevivência!, 2018-08-13
Este é o meu género de filme. O melhor que vi nos últimos tempos. A cumplicidade das atrizes excelente, para mim elas eram mesmo irmãs, sentia-se a ligação entre elas como real. Depois os temas abordados, além da cumplicidade entre irmãs, o choque geracional, a tradição, a vergonha, a sobrevivência. Temas fortissímos. *****
Por Ana Cabrinha (MEM MARTINS)
A Partir de Uma História Verdadeira (Pontuação: 6)
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Um Filme Obsessivo, 2018-08-11
A Partir de Uma História Verdadeira é o último trabalho à data do velho mestre polaco, de seu nome Polanski. Não há nada de verdadeiro nele, o que torna logo o título tão enganador quanto a obra - digamos que logo o título pode ser visto como um aviso ao espectador! No entanto, a reflexão que pode provocar sobre a arte, a inspiração, a escrita, a criação de personagens e de enredos, o escritor e seus leitores, são sem dúvida interessantes. Polanski tem o mérito de ensinar o espectador a não confiar naquilo que vê, e engana-o com o mesmo deleite com que Hitchcock o fazia, mas com uma arte bem diferente, aqui com a colaboração de novo de sua mulher Emmanuelle Seigner e da igualmente sensual e mais jovem Eva Green. Um filme obsessivo, como Polanski.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Memórias de Ontem (Pontuação: 10)
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Encantado, 2018-07-11
Segundo filme que vejo do realizador Isao Takahata, e estou simplesmente encantado com a beleza e a arte dos seus filmes. Memórias de Ontem é simplesmente belo, e fazem-nos transportar para as nossas próprias memórias que fazem o que somos no presente. Quando algo nos toca o coração, isso sim é arte sublime.
Por mruas (OIÃ)
O Túmulo dos Pirilampos - Edição Especial
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Mexe connosco, 2018-06-30
Por vezes não valorizamos suficientemente a família, talvez por ser algo que consideramos adquirido, mas este filme é capaz de nos tocar e mostrar o quanto a indiferença pode ser horrível para aqueles que o sofrem na pele. Este filme passa-se no Japão durante a segunda guerra mundial, mas encaixa perfeitamente em todas as épocas e culturas, onde as pessoas são julgadas pela aparência de um sem abrigo, mas que escondem dentro de si uma vida cheia de dores e perdas que se nos atrevêssemos a olhar não conseguiríamos ficar indiferentes.
Por isso, não é um filme para entreter, mas antes de denúncia sobre a nossa realidade com a capacidade de nos transportar para a pele de outras pessoas, e embora pareça pesado, é ao mesmo tempo muito leve focando-se nas coisas mais simples e prazeirentas da vida... que são aquelas que permeiam as nossas vidas. Recomendo.
Por mruas (OIÃ)
Como Nossos Pais (Pontuação: 8)
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Uma Rosa na Tempestade, 2018-06-18
Como Nossos Pais, título de uma grande canção da imensa Elis Regina, é aqui título de um filme também brasileiro, e também honrosamente brasileiro. O filme é um retrato de Rosa, mulher de 38 anos, num momento decisivo da sua vida, em que tudo treme até às fundações. É preciso contar uma história pessoal, proclamava Rainer Werner Fassbinder nos tempos em que iluminava o ecrã com a sua arte. Laís Bodanzky faz isso mesmo neste filme, e isso já é muita coisa, pois é feito com inteligência, com paixão, com domínio da arte. Esta foi uma das poucas boas surpresas que o cinema me proporcionou nos últimos anos de indigência artística. E acrescento que, sendo brasileiro, o filme é falado de facto em português, o que não é a norma.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Três Cartazes à Beira da Estrada (BLU-RAY) (Pontuação: 3)
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3 Cartazes, Nota 3!, 2018-06-14
Comédia negra, diz a sinpose acima do filme. Não vi nada que me fizesse rir, pelo menos até ter desistido deste esforço frustrado de filme, que é apenas mais um exemplo da estaca zero a que chegou o 'mainstream' do cinema americano actual. Frances McDormand continua sendo uma grande actriz, mas não há grandes actores quando ao serviço de um realizador e argumento medíocres, cuja única aparente intenção é submergir o espectador com excitações continuadas. A ideia em si, a de um particular que compra um espaço publicitário, não sendo original, prestava-se, se houvesse talento, a fazer ao menos um filme com interesse, ou até um bom filme. Se!
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Cinzento e Negro (Pontuação: 7)
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Bom filme português, 2018-03-16
Para quem procura um bom filme nacional, com uma boa história e cenários deslumbrantes, esta é uma boa aposta. As bonitas Ilhas de Faial e Pico, com a sua beleza natural e isolamento, encaixam muito bem no enredo do filme. Os actores são credíveis nos seus papéis. O drama desenvolve-se em três partes não lineares, com segunda parte a voltar atrás no tempo e a preencher eficazmente os "buracos" da história e a terceira parte a completar a primeira e o filme. Nada de complexo, mas simples e eficaz. Prende. Gostei.
Por Angkor (LISBOA)
O Ilustre Cidadão (Pontuação: 8)
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Ilustre comédia negra e muito mais, 2018-03-15
Uma comédia negra muito bem doseada, que assenta numa boa história e personagens e que vai ganhando tensão até ao climax final, prendendo o espectador atento ao ecrã. Os diálogos ou a falta deles e algumas questões sociais, éticas e morais acrescentam interesse ao filme. Um verdadeiro choque de culturas entre alguém que parte à procura de novos horizontes e obtém reconhecimento através do talento e uma pequena cidade no interior da Argentina parada no tempo, que provoca reações em cadeia, algumas bastante viscerais. A lembrar o enredo do filme "Como se Fosse o Céu". E também na linha do genial humor negro de "Relatos Selvagens".
Por Angkor (LISBOA)
Stargate Atlantis - Série 1 (disco 1 e 2) (Pontuação: 8)
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Da Melhor FC, 2018-02-21
Uma das melhores series de Ficção Cientifica. No seguimento da SG1, talvez a melhor. São inteligentes, criativas, sem grandes efeitos especiais (atendendo à época e porque não precisam, ao contrário da maioria de filmes e series actuais, ditos de FC ...), (muito) boas interpretações, argumentos divertidos, dramáticos, imaginativos ... tudo para agradar e entreter positivamente.
Hoje em dia na TV as séries ditas de FC são, na sua maioria, de terror e não FC. Neste momento 2017 e inicios de 2018, com a unica excepção dos "Ficheiros...", não há uma que se aproveite.
Pena não estarem disponíveis, no Cineteka, mais temporadas desta Serie TV.
Por Elio Fidalgo (VIA DE CUCUJãES)
Lumiére! - A Aventura Começa (Pontuação: 10)
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E Fez-se Luz, 2018-02-02
Lumière! é um excelente trabalho de divulgação da obra já cinematográfica, e não apenas técnica, de Louis Lumière, com seu irmão Auguste inventor do cinematógrafo, ou seja, daquilo que hoje chamamos o cinema. Classificando e montando mais do que uma centena de filmes de 50 segundos (formato obrigatório do cinematógrafo Lumière), feitos um pouco por todo o mundo por Louis Lumière entre 1895 e 1905, e juntando-lhes o comentário certeiro e informativo do autor, este filme é uma viagem simultaneamente às origens do cinema e ao fim do século XIX e ao dealbar do século XX, à 'Belle Époque', a um mundo que já não existe. Trata-se de uma viagem que não podemos fazer desta forma a épocas anteriores a 1895, e que o cinema, e só o cinema, possibilitou. Em Gone With The Wind uma das legendas iniciais adverte o espectador para aquele mundo que vai presenciar, e que foi levado pelo vento. Em Lumière! vamos mesmo ver um mundo que o vento da História levou, magnificamente captado pelos próprios inventores do cinema, e para nós compilado por Frémaux. Assistimos privilegiadamente à própria fundação da 7ª Arte.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Aquarius (Pontuação: 6)
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O Cancro de Clara, 2018-01-29
Eis um filme brasileiro recente que merece uma espreitadela, apesar da dificuldade de perceber vários dos diálogos. Clara (Sónia Braga) mora à beira-mar num apartamento num pequeno prédio que, por causa dela, resiste à invasão de torres de betão no litoral da capital pernambucana de Recife. Ela é uma sobrevivente do cancro, e tendo vencido essa doença, sente-se apta a lidar com a empresa construtora que a cerca por todos os lados! Infelizmente o argumento do filme, que é do realizador, deixa a desejar, e aquilo que poderia ter sido uma muito mais tocante história de resistência, acaba por se transformar num exercício maniqueísta e, sobretudo, irrealista. Mesmo assim, o conteúdo dramático de algumas das cenas compensa o espectador pela falta de talento do autor do filme noutras. Talvez Aquarius valha sobretudo pela reflexão que representa sobre o envelhecimento, sobre os conflitos geracionais, sobre o poder da vontade. Sónia Braga está como peixe dentro de água compondo a sua Clara, ela que foi outrora um 'sex symbol' memorável, expondo-se frontalmente sem uma mama (realidade ou ficção?), ao mesmo tempo que mostra que ainda sabe duas ou três coisas sobre sensualidade. Foi pena o realizador não ter sido capaz de melhor, pois tal era possível. Felizmente para ele pôde contar com Sónia Braga, magnífica, para lhe salvar a pele do desastre completo.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Tinhas Mesmo Que Ser Tu... (Pontuação: 7)
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Tinha mesmo que começar por ti..., 2018-01-18
Aqui está o primeiro filme que aluguei na Cineteka (ainda bem que vos descobri)!
Este é um daqueles filmes catalogados como "comédia romântica", mas é um pouquinho mais do que isso...
É um filme leve, engraçado, com bons personagens e que aconselho vivamente a verem.
Gostei muito da pronúncia irlandesa, do choque de culturas americano/irlandês e de todas as peripécias pelas quais o Declan e a Anna passam (o "Kiss the Girl" é divinal!).
Para além disso, também nos faz pensar: "Se tivéssemos apenas 60 segundos para salvar alguma coisa da nossa casa a arder, o que levaríamos?"

Já agora, se tiverem oportunidade, sigam melhor a carreira de Mathew Goode. Será uma agradável surpresa!
Por Sandra Trindade (PONTINHA)
The Boss Baby (Pontuação: 8)
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Sessão em família, 2018-01-18
Filme, pizza, pão de alho, sumos, sofá, pais, miúdos...
Sim, tudo pronto para o jantar cinematográfico!
Foi um filme excelente para ver em família!
Atenção, não é só porque tenho filhos pequenos que vejo filmes de animação, é também porque gosto... e as expectativas não ficaram goradas!
Uma história improvável, mas imaginativa, momentos de comédia, lições de moral e um final feliz, ou seja, todos os ingredientes para ser um grande serão familiar!
Por Sandra Trindade (PONTINHA)
Eva (Pontuação: 9)
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Vamos ao Teatro, Entrada pelos Bastidores, 2017-12-18
All About Eve (pessimamente traduzido para Eva) é um filme que entre outras coisas nos fará lembrar como a "indústria cinematográfica" dos Estado Unidos foi grande, e suspirar por esses tempos ao comparar o filme com aquilo que é agora produzido. O espectador é aqui convidado a espreitar os bastidores da arte teatral de uma forma tão apelativa que rapidamente vai ficar "agarrado" àquelas personagens, que lutam cada uma à sua maneira pela glória e pelo aplauso do público, ou que participam nessa luta - o mundo é um palco, frase atribuída a Shakespeare, nunca terá sido mais verdadeira do que para elas, cuja vida gira à volta de um palco. Para as duas actrizes principais, magníficas Bette Davis e Anne Baxter, a linha que separa vida real e vidas das personagens que encarnam ou que conhecem torna-se quase invisível, e a peça continua fora do palco, coisa que Mankiewicz mostra com a mestria que o caracterizava. E no registo irónico, que no filme também se vira contra Hollywood - e mal sabia ele o que viria a ser Hollywood! -, Mankiewicz despede-se do espectador, mostrando na cena final que "o circo continua". Afinal, a vitória de Anne Baxter é uma vitória de Pirro, e o espectador poderá descobrir que a derrotada não foi quem parece ser. Isto num filme em que os "códigos de moral" americanos da época são sujeitos a uma rude prova, em que não há bons muito bons nem maus muito maus, tudo isso contribuindo para que o espectador seja continuamente surpreendido pelo rumo que as coisas levam. Como curiosidade, Marilyn Monroe tem neste filme um dos seus primeiros papéis no cinema, e bem divertido.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Uma Viagem Pelo Cinema Francês com Bertrand Tavernier (Pontuação: 5)
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Um Depoimento Pessoal, 2017-12-18
O título deste filme seria mais apropriadamente "Uma Viagem Pessoal pelo Cinema Francês com Bertrand Tavernier", pois baseia-se de início a fim nas paixões cinéfilas e na vida profissional do seu autor, omitindo grande parte do grande oceano que é o cinema francês, não só o primeiro que existiu, mas até hoje um dos principais a nível mundial, em todos os sentidos. Apesar de o longo documento de Tavernier ser pessoalíssimo, ele contém apesar disso motivos de interesse que justificam um visionamento, mas apenas para quem tem já a sua própria bagagem de cinema francês das épocas focadas, dos anos 30 até aos anos 70. Não é pois um documentário para todos.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
São Jorge (Pontuação: 4)
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Um Filme Panfletário, 2017-12-17
Este é mais um filme sobrevalorizado pelo motivo do costume, ser politicamente um panfleto de esquerda anti-qualquer coisa, no caso vertente, supõe-se que seja contra a austeridade que foi imposta a Portugal em 2011. Apesar disso e de Marco Martins ser manifestamente um cineasta menor que precisa destes expedientes para singrar, aqui ele consegue construir uma personagem, Jorge, com algum interesse, muito graças ao seu actor, cujo trabalho foi reconhecido. Há no filme algo de Teresa Vilaverde na escolha da miséria urbana em que se desenrola a história e na imagética desolada e ansiogénica, mas sem o talento daquela. O naturalismo adoptado é não apenas falhado, mas muito aborrecido para o espectador, nomeadamente na inacreditável pronúncia dos diálogos, que chega à total incompreensão daquilo que é dito. Tinha uma certa curiosidade neste filme devido à reputação que ele adquiriu, mas também teria passado bem sem ele.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
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