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Fim-de-Semana Alucinante (Deliverance)
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2 Prémios e 13 Nomeações
Realização:
John Boorman
Ano: 1972
País:
EUA
Idade: M/16
Duração: 110 min
IMDB: 7.9 (47.644 votos)
Quatro homens perfeitamente normais em duas canoas, percorrem um rio que só conhecem como uma linha no mapa, dirigindo-se a uma zona selvagem que eles julgam poder controlar.
Fim de Semana Alucinante, com um argumento de James Dickey, baseado no seu livro, surge-nos com uma narração fantástica e frenética, tal como o Rio Chattooga, na Geórgia, onde decorreu a filmagem. Igualmente fantástico é o desempenho de cada actor, com as várias reacções e mudanças de caracter, devido às dificuldades e stress que surgem no decorrer da acção. Com um naipe de actores comandado pelos galardoados Jon Voight, Burt Reynolds, Ned Beatty e Ronny Cox, o realizador John Boorman (Excalibur) coloca-nos perante os limites da luta pela sobrevivência, levando-nos ao sabor da corrente, perigosa e irresistível.
Detalhes Técnicos
Duração: 110 min. Vídeo: Widescreen 2.35:1 anamórfico
Áudio: Inglês Dolby Digital 5.1; Alemão, Espanhol Mono
Legendas: Português, Inglês, Alemão, Espanhol, Holandês, Sueco, Dinamarquês, Finlandês, Hebraico, Polaco, Grego, Checo, Turco, Húngaro, Islandês, Croata, Francês, Italiano
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David contra Golias (Pontuação: 10)
Há filmes assim. Filmes cuja simplicidade do argumento os torna em poderosos dramas difíceis de esquecer ou até mesmo de ignorar.
Quatro homens de negócios decidem fazer um fim-de-semana radical. Pretendem descer, de canoa, o Rio Cahulawassee, antes que este e o vale que o circunda sejam inundados pela construção duma barragem. Tudo corre bem até os aventureiros se aperceberem de que, para além do próprio rio, existem outros perigos á espreita.
O filme começa com as personagens em “voz off” a discutirem sobre o desaparecimento dos habitats naturais e a corrupção da sociedade moderna, enquanto o genérico decorre sobre imagens da destruição desses mesmo habitats, neste caso, o desaparecimento do Rio Cahulawassee, a sua planície e a pequena cidade de Aintry, onde irá terminar a viagem dos quatro amigos.
Logo desde o início, pouco depois da cena antológica do duelo musical entre Drew e um rapaz local (o tema “Duelling Banjos”, ganhou um “Grammy”, em 1974, pela Melhor Performance Instrumental de Música Country), até á última imagem do filme ( a mão (de quem?) que se ergue do fundo do lago), vamo-nos apercebendo que aquele não será um passeio fácil, quer seja pela ameaça dos habitantes locais (a espingarda que se vê ser colocada numa viatura ou a visão ameaçadora, pouco antes de começar a descida do rio, por entre as árvores, dos mesmos habitantes), quer seja pelos próprios aventureiros a quererem demonstrar, totalmente vulneráveis contra um meio ambiente hostil, a sua masculinidade.
Nunca um rio, aparentemente calmo, foi tão ameaçador como este e uma vez mais apercebemo-nos disso na cena em que, pouco depois de se iniciar a descida, as canoas passam por baixo duma ponte na qual se encontra o rapaz e o seu banjo que os olha com ar de preocupação sem responder aos acenos e sorrisos de Drew. A partir deste ponto acabam os últimos traços de civilização e começa uma jornada através do desconhecido.
O rio, de certa maneira, personifica as forças da natureza que muitas vezes empurram os homens para destinos cada vez mais aventurosos, testando as suas capacidades e onde se evidenciam mais os conflitos entre campo e cidade. Os aventureiros sentem a necessidade de se entregar (daí o título original “Deliverance”) e se libertarem do seu próprio mal (fruto da educação citadina) e confrontarem com forças adversas como a natureza, transformando este “medir de forças” numa quase alegoria biblíca do Antigo Testamento, do combate entre David e Golias, aqui com consequências diferentes do confronto de então.
O tom que John Boorman, realizador conceituado de filmes como “Point Blank – À Queima-Roupa” (1967) um thriller policial de vingança com Angie Dickinson e Lee Marvin; ou “Hell in the Pacific – Duelo no Pacífico” (1968), um filme sobre a luta pela sobrevivência entre dois soldados, um americano e um japonês numa ilha do pacifico no final da IIª Guerra Mundial e que se pode considerar quase como um prólogo a “Fim-de-semana Alucinante”, dá ao filme é claustrofóbico e sombrio e está de acordo com o argumento de James Dickey, ( que interpreta o xerife de Aintry no final do filme), baseado no seu romance e para o qual Boorman (não creditado) contribui com algumas ideias. È um exercício cinematográfico estilizado, filmado ao longo de cerca de 40 milhas ( mais ou menos 60 quilômetros) de um rio traiçoeiro, ajudado por uma fotografia de cortar a respiração. O ritmo é deliberadamente lento para que tenhamos tempo para pensar em tudo aquilo que vemos desfilar perante os nossos olhos, principalmente, após a violação brutal a Bobby por dois montanheses que acontece perante os olhos de um Ed indefeso que só espera que o mesmo não lhe vá acontecer, percebemos que nunca mais nada será igual para aqueles quatro aventureiros. Boormans queria que o filme fosse um grande sucesso e como tal queria os melhores actores para os papéis dos quatro aventureiros: James Stewart, Marlon Brando, Henry Fonda ou Lee Marvin. Todos recusaram os papéis, Stewart e Fonda não concordaram com a temática aventureira do filme; Brando e Marvin achavam-se velhos demais para interpretar qualquer um daqueles papéis e foi o último que sugeriu ao realizador que usasse actores mais novos.
Com um elenco de excepção, onde se destaca o ex-duplo de cinema, Burt Reynolds, como Lewis, o mais másculo do grupo e que tudo fará para manter essa imagem, líder, não assumido do grupo, mas que se vê obrigado a sobressair como tal, quando os quatro não se conseguem entender sobre o que fazer ao cadáver do montanhês; Ned Beatty e Ronny Cox, ambos em papéis de estreia, são respectivamente Bobby e Drew, são os elementos mais fracos do grupo, são homens completamente fora do seu meio ambiente e isso percebe-se logo desde o início; mais impressionante é Jon Voight, como Ed, o homem que tem de passar a linha que divide o racional do irracional, ele tem que se assumir a sua quota-parte de homem másculo quando sente que tal é necessário (grande parte do filme, ele permanece como estando, tal como os seus dois outros companheiros, fora do seu elemento natural). Ed acaba por ser o mais perigoso dos quatro, porque combina os dois extremos da natureza humana e utiliza-os nefastamente para salvar a sua vida e a dos seus companheiros, o que não muda em nada o facto dele e dos seus amigos personalizarem tudo aquilo que é condenável aos olhos da sociedade.
Dificil de classificar, “Deliverance”, não se inclui em nenhum dos géneros habituais, até porque não tem nenhum dos “clichés” habituais neste tipo de filmes e dificilmente se conseguirá incluir naquelas visões comportamentalizadas do mundo, está muito para além disso. Mas duma coisa temos a certeza: é um filme que atira com todos os conceitos de sociedade pela janela fora e deixa-nos a pensar.
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)2014-01-28
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