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Os Incorruptíveis Contra a Droga (reposição) (The French Connection)
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18 Prémios e 10 Nomeações
Realização:
William Friedkin
Ano: 1971
País:
EUA
Idade: M/12
Duração: 99 min
IMDB: 7.9 (32.606 votos)
Os detectives de Nova Iorque ´Popeye` Doyle e Buddy Russo esperam interceptar uma rede de narcotráfico e assim, acabar com a actividade da French Connection. Mas quando um dos criminosos tenta matar Doyle, ele entra numa espiral mortífera que o leva bem para fora dos limites da cidade.
Baseado numa história verídica.
Detalhes Técnicos
Duração: 99 min. Vídeo: Widescreen 2.35:1 anamórfico
Áudio: Dolby Digital 5.1 Inglês
Legendas: Português, Inglês,
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Realista quanto baste! (Pontuação: 10)
Em 1968, “Bullit” realizado por Peter Yates, elevava o género policial a um novo patamar: Frank Bullit, Detective da Policia de San Francisco, é escolhido para guardar um perigoso mafioso que tem de testemunhar em tribunal; até aqui nada de novo no género, então quais os motivos que levaram a que este filme se destacasse de todos os outros do mesmo género? Para além de Jacqueline Bisset e Steve McQueen (consoante os gostos de cada pessoa!), uma excepcional perseguição automóvel filmada a grande velocidade nas ruas acidentadas de San Francisco elevou “Bullit” a patamares nunca antes vistos no cinema de acção e muito particularmente no género policial. Isto até surgir “French Connection” três anos depois.
No final da década de 60 do século passado, Nova York vivia uma ressaca de Heroína como nunca tinha acontecido. Nas ruas corria o boato de que um grande carregamento estava para chegar. Popeye Doyle, Detective da brigada de narcóticos da policia de Nova York , homem bruto e de métodos pouco ortodoxos e o seu parceiro Detective Buddy Russo, tomam conhecimento desse boato e resolvem investigar o que é que está por detrás dele…
Baseado numa história veridíca, “The French Connection”, que em português recebeu o título pouco apelativo de “Os Incorruptíveis contra a Droga”, é um filme violento, não só pela temática que aborda, como pelo maneira que é abordada: de uma maeira frontal e directa (veja-se a cena em que os potenciais compradores de Heroína assistem á demonstração da sua pureza no quarto do hotel)
O realizador William Friedkin tira partido da aprendizagem que fez nos anos em que filmou na televisão e aplica esses conhecimentos de uma forma realista, quase sempre de camâra na mão (atente-se na cena da perseguição de gato e do rato que começa á saída do hotel onde Charnier está instalado e vai terminar de um modo absolutamente fabuloso no metro em Central Station com o acenar de mão do francês num tom de gozo ao frustrado detective que corre ao longo do metro em andamento; ou logo no inicio quando Doyle e Russo perseguem um suspeito ao longo das ruas), técnica que seria, anos mais tarde utilizada em muitas produções principalmente para televisão como “Hill Street Blues”, NYPD Blues ou até “24”.
Gene Hackman, Roy Scheider e o veterano actor Fernando Rey são os protagonistas deste excepcional filme policial , as suas interpretaçõs são fabulosas, principalmente Gene Hackman no papel de Popeye Doyle, com o qual ganhou o seu primeiro Óscar de Melhor Actor (o segundo foi como Melhor Actor Secundário em “Imperdoável” a obra-prima de Clint Eastwood), Detective, cuja perseguição dos seus objectivos é tão intensa que não olha a meios para os alcançar: veja-se a cena final quando Doyle entra nas ruínas da fábrica ( de certa maneira essas ruínas simbolizam o mundo de Doyle e também o nosso), aos tiros e completamente obcecado em apanhar o seu inimigo, nem se detem quando vê um seu companheiro morto…a última imagem é das mais significativas de todo o filme: uma sala em ruínas, sem ninguém e onde se ouve um tiro antes do écran ficar negro e um epilogo contar o resto da história.
Filmado com grande intensidade, é, no entanto, na sequência da perseguição de Doyle ao metro de superfície que está o grande momento do filme e é aqui que a obra descola de todas as outras. Toda a sequência é filmada em tempo real e numa só vez (ou seja a duração da cena corresponde exactamente ao que foi filmado), utilizando diversas camâras espalhadas ao longo do cenário, no carro e no comboio. O resultado final é fruto de um hábil trabalho de sala de montagem (também premiado com o respectivo Óscar). A cena é um verdadeiro must cinematográfico, o espectador é envolvido na cena e não são raras as vezes em que nos desviamos dos potenciais obstáculos que vão surgindo no trajecto tal como se fôssemos o próprio Doyle ao volante. Extremamente excitante e absolutamente realista. Muitas vezes imitada mas nunca ultrapassada.. Friedkin voltaria a filmar duas excitantes perseguições automóveis em “Viver e Morrer em Los Angeles” (1985) e “Jade”(1995); “Ronin” (John Frankenheimer, 1999) também teria a sua perseguição automóvel nas ruas de Paris, mas nenhuma delas se revelou tão importante como a de “French Connection”.
Vencedor de cinco Óscares da Academia, incluindo Melhor Filme e Melhor Realizador, “French Connection” foi um grande sucesso de bilheteira, que levou a uma continuação (o termo sequela só apareceria anos mais tarde) intitulada “French Connection II” (John Frankenheimer, 1975) com Gene Hackman e Fernando Rey a retomarem os seus papéis e com a acção a decorrer em Marselha.
Apesar de datado (todo o visual do filme espelha bem a época em que foi feito), “French Connection” é uma obra-prima do cinema, um filme-referência da década de 70 do século passado.
A ver sempre!
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)2010-05-28
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