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Cotton Club (reposição) (The Cotton Club)
TrailerAlugar
1 Prémio e 8 Nomeações
Ano: 1984
País:
EUA
Idade: M/12
Duração: 127 min
IMDB: 6.4 (8.168 votos)
Richard Gere é Dixie Dwyer, um trompetista lutador cuja vida muda radicalmente ao salvar o gangster Dutch Schultz. Bob Hoskins é Owney Madden, dono do lendário Cotton Club. Gregory Hines é Sandman Williams, um dançarino com sonhos de estrelato. Diane Lane é Vera Cicero, amante de Dutch Schultz, cuja paixão proibida por Dixie põe em risco a sua ambição e a sua vida. Neste jogo de relações, COTTON CLUB é um som, um sentimento, um tempo e um lugar a que se acede pelo crime ou o dinheiro.
Detalhes Técnicos
Duração: 127 min. Vídeo: Widescreen 1.85:1 anamórfico
Áudio: Dolby Digital 5.1 Inglês Dolby Digital 2.0 Alemão Italiano MONO 1.0 Espanhol
Legendas: Português, Inglês, Espanhol, Alemão, Italiano, Dinamarquês, Norueguês, Sueco, Finlandês
Extras: . Trailer
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No Tempo do Jazz (Pontuação: 9)
Em 1984 Coppola foi convidado para pelo produtor Robert Evans para re-escrever o argumento de Mario Puzo para um filme que Evans também queria realizar, intitulado “Cotton Club, inspirado pelo livro de fotografias da história de Cotton Club, um famoso clube nocturno do Harlem, editado por James Haskins. Já com a produção a decorrer ( segundo o que Gregory Hines terá dito numa entrevista, a duração do filme ascendia a três horas), Robert Evans decide que não quer realizar o filme. Coppola foi o senhor que se seguiu para garantir a continuidade do projecto.
O Cotton Club, é o mais famoso clube nocturno e também a melhor rampa de lançamento para qualquer pessoa que queira ser alguém no mundo do espectáculo. Conta-se então a história das pessoas que o visitavam, das pessoas que o geriam e do Jazz, a música que tornou tão famoso. Mas este é também um tempo de lutas entre Judeus, irlandeses e negros pelo controle das ruas do Harlem em 1928.
Logo desde o início, ao mostrar o genérico inicial em estilo antigo, tipo anos 20, as letras prateadas e cortadas com um raio de luz, sob um fundo negro, intercortado com um número musical, filmado com estilo, que decorre no Cotton Club, Coppola diz-nos que estamos num filme de época e sugere que este será um filme enérgico.
A abordagem que o realizador faz ao filme e ás suas personagens, é muito semelhante aquela que fizera em “ O Padrinho” e “O Padrinho – Parte II”: Dixie Dwyer, ao salvar a vida a Dutch Schultz, um mafioso, vê-se envolvido e arrastado para o mundo da corrupção contra o qual vai ter que lutar para se libertar. O seu dilema remete-nos para a mesma situação que Michael Corleone (Al Pacino ) enfrenta em “O Padrinho”; da mesma maneira, a figura da mãe de Dixie é uma figura subtil, mas presente na história. Na última cena de Cotton Club, é a última personagem a entrar em cena para dizer adeus ao filho. Em “O Padrinho” e “O Padrinho – Parte II”, a mãe é uma figura capital no enredo; a relação entre Sandman e Clay Williams (Gregory e Maurice Hines) é um pouco o reflexo da relação entre Michael e Fredo em “O Padrinho – Parte II”, em que um irmão traí o outro e essa traição traz consequências graves. Em “Cotton Club”, um irmão é visto a trair o outro, mas, o sentido de família acaba por vir ao de cima e, num momento tocante do filme (os dois irmãos, finalmente reunidos, a sapatear um com o outro), a traição é perdoada; a Dutch Schultz, falta-lhe a subtileza e a astúcia dos vilões tanto de “O Padrinho” como de “O Padrinho – Parte II”, mas exibe o mesmo racismo que o senador Pat Geary em “O Padrinho – Parte II”; O lar, nos filmes do realizador, funciona como um objecto vital, uma espécie de refúgio do caos que se vive na rua. Tanto a casa de Dixie como a dos irmãos Williams são disso exemplo.
Nos filmes de Coppola, o elenco é sempre importante e em “Cotton Club”, tal importância não foi descurada. Richard Gere é Dixie Dwyer, simpático, charmoso, brincalhão, mulherengo, um dos poucos brancos autorizados a tocar no Bamville Club, um clube para negros. Vêmo-lo logo no início do filme a tocar a sua corneta (é mesmo o próprio Gere que faz os seus solos!). Gere, utilizando o estatuto de “sex simbol” dos anos 80, que “American Gigolo” (Paul Schrader, 1980) lhe atribuiu e o sucesso obtido com “Oficial e Cavalheiro” (Taylor Hackford, 1981), interpreta o papel com relativo á-vontade e revela-se bastante convincente no mesmo; Diane Lane, a bonita e sensual actriz, é Vera Cícero, amante de Dutch Schultz, sonha em ter o seu próprio clube nocturno, apaixona-se por Dixie .
A relação entre ambos é difícil, parecem duas crianças a tentar sobreviver num mundo corrupto tanto se ofendem como logo a seguir estão num momento de ternura. É com esta relação difícil, feita de altos e baixos, que o realizador homenageia de forma brilhante a Idade de Ouro de Hollywood. Do elenco fazem ainda parte Bob Hoskins, James Remar, Gregory Hines, Nicholas Cage, Laurence Fishburne, os relativamente desconhecidos Mario Van Peebles e Sofia Coppola, entre outros .
Tecnicamente, Cotton Club”, se exceptuarmos os “Opus Magnânimos” que são “O Padrinho”, “O Padrinho – Parte II” e “Apocalypse Now”, não fica atrás de nenhuma obra do realizador, pelo contrário, nota-se um cuidado e o cunho pessoal do realizador em algumas cenas: Na cena de amor entre Dixie e Vera,enquanto uma espécie de caleidoscópio colorido percorre o rosto de Dixie, os seus corpos são percorridos ligeiramente envolvidos pela sombra duma cortina, num outro “take” da mesma cena , os seus corpos, no acto de amor, são mostrados apenas como silhuetas; Os números musicais do filme são filmados no estilo do cinema musical dos anos 30 e 40. Coppola utiliza por vezes a câmera manual para transportar o público até ao centro da dança.
Tal como em “O Padrinho”, o climax de “Cotton Club” está nas cenas que, aparentemente sem qualquer ligação, adquirem uma nova força: Quando Sandman Williams executa um número de sapateado no Cotton Club, o som dos seus passos, ampliado numa camara de eco, corresponde ás rajadas de metralhadora com que Dutch Schultz é assassinado. A habilidosa montagem em paralelo da dança e do assassínio, fazem o resto.
Não sendo o melhor filme do realizador (nem próximo disso!), “Cotton Club” dá-nos, no entanto, uma visão duma das épocas mais importantes da história americana: os anos 20, o tempo da Lei Seca e poucos realizadores a conseguem retratar tão bem como Coppola.
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)2013-01-18
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