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Twin Peaks - Os Últimos Sete Dias de Laura Palmer (Twin Peaks: Fire Walk with Me)
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3 Prémios e 6 Nomeações
Realização:
David Lynch
Ano: 1992
País:
EUA
França
Idade: M/18
Duração: 135 min
IMDB: 7.0 (26.480 votos)
Neste filme obrigatório, prequela da fenomenal série de TV, o realizador David Lynch (Mulholland Drive, Veludo Azul) leva-nos até à cidade do melhor café e tarte de cereja.

Dois Agentes Federais (Kiefer Sutherland e Chris Isaak do programa da TV “The Chris Isaak Show”) chegam a Twin Peaks e desvendam as pistas bizarras, os desaparecimentos misteriosos e os estranhos acontecimentos que conduzem à morte de Laura Palmer (Sheryl Lee de “Os Vampiros de John Carpenter”), uma jovem daquela localidade.

Com Kiefer Sutherland (série da TV “24 Horas”) e David Bowie como actores secundários, “Twin Peaks Fire Walk With Me” mergulha nas profundezas da fachada de uma cidade onde nada é o que parece.
Detalhes Técnicos
Duração: 135 min. Vídeo: Widescreen 16:9 anamórfico
Áudio: Dolby Digital 2.0 Inglês
Legendas: Português,
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Um "whodunit" em tom David Lynchiano... (Pontuação: 8)
Em 1992, a curiosidade em torno do novo projecto de David Lynch era grande. Alegadamente, por um “share” fraco nas audiências, tinha sido decidido cancelar a segunda série de "Twin Peaks" (1990-91), estava esta a meio, haveria ainda alguma coisa a dizer ou fazer naquele universo surreal, fantástico e genialmente criado por David Lynch? o realizador respondeu afirmativamente e fez "Twin Peaks - Fire walk with me - Os Últimos sete dias de Laura Palmer".
O filme evolui à volta da investigação do assassínio de Teresa Banks, uma "zé-ninguém", como é referido no filme e também da última semana de vida de Laura Palmer, rainha da beleza de Twin Peaks, com alguns segredos que a tornam "não tão inocente" como a primeira vez que a vemos (um belo plano médio de Laura a caminhar no passeio).
Funcionando como uma espécie de prólogo, já que ligando os dois crimes, que eram o mistério central da série, David Lynch cria a ponte entre as obras; mas pode também ser considerado como uma sequela/epílogo, já que, graças a uma narrativa bem entrelaçada por David Lynch e Robert Engels, são explicados alguns mistérios da série, bem como qual o destino do Agente Dale Cooper que ficara em suspenso no final da segunda série.
Para Lynch o tempo é uma incógnita. Tanto na série como no filme, ele brinca com o conceito quando nos diz que tudo aquilo que vimos pode já ter acontecido ou ainda pode vir a acontecer. A enigmática cena final, quando o espírito de Laura "acorda" no quarto vermelho do Black Lodge, sente-se triste, vê o seu anjo aparecer no ar, começa a chorar e depois ri, a seu lado está o agente do FBI, que lhe passa a mão sobre os ombros e termina com um bonito plano do rosto dela sob um fundo branco, é disso exemplo.
Lynch quis fazer o filme porque ainda havia muito que explorar, e realmente não existem dúvidas que estamos perante um filme situado no universo do realizador: desde a cena inicial, que decorre sob o genérico, quando surge uma televisão ligada, sem emissão e sem som indiciando um silêncio absoluto quebrado logo a seguir pelo partir da mesma, ouvindo-se um grito feminino significando que alguém foi assassinado, ficamos a saber que esse alguém é Teresa Banks; passando pela investigação dos dois agentes especiais do FBI (Chris Isaak, cantor, numa pausa da sua carreira musical e um Kiefer Sutherland, pré "24"),ordenada por Gordon Cole (uma interpretação carismática de David Lynch), ou pelas premonições de Cooper acerca dum futuro ataque do assassino, reveladas a Diane, sua secretária portátil, até terminar com a aparição do corpo de Laura na praia e a referida cena final, é David Lynch no seu melhor, com preciosa ajuda da maravilhosa banda sonora, da responsabilidade de Angelo Badalamenti, um dos colaboradores frequentes de Lynch desde "Veludo Azul" (1986), onde as suas sonoridades marcaram a diferença, demarcando-se do filme, mas ao mesmo tempo completando-o. No caso de Twin Peaks (série e filme), acontece o mesmo, é impossível separar os temas que compôs para algumas das personagens em ambas as obras. Mal ouvimos qualquer acorde, seja do tema principal, seja de alguma personagem, somos imediatamente transportados para o mundo imaginado e criado por David Lynch, até parece que a banda sonora tem vida própria, mas adequada ao ambiente do filme.
Tal como acontecera com a série, a obra quebra algumas das convenções estipuladas para filmes. Por um lado tínhamos uma "prequela" (o termo ainda não se utilizava no inicio da década) em vez duma continuação, por outro lado tínhamos um filme que, pela primeira vez se inspirava numa série e não o contrário.
Praticamente todo o elenco da série transitou para o filme retomando as suas personagens, com as excepções de Lara Flynn Boyle (Donna Hayward), Sherilyn Fenn (Audrey Horne) e Richard Beymer (Benjamin Horne), mas nem todos aparecem na versão final do filme o que provocou um vazio enorme, já que algumas dessas personagens tinham-se tornado familiares ao espectador. Para quem só conheceu o universo Twin Peaks a partir desta obra, não dá por esse vazio; mas quem acompanhou a série e depois viu o filme, sente esse vazio e percebe que o próprio filme se ressente disso.
Lynch originalmente filmou mais de cinco horas de material, mas, receando que o filme fosse um fracasso, o realizador, de acordo com o seu produtor, aceitou reduzi-lo para cerca de duas horas e quinze minutos, ficando grande parte do elenco sem as cenas que tinham filmado, a quem Lynch, pessoalmente, pediu desculpas por tê-los excluído da versão final.
Quando foi apresentado no festival de Cannes, "Twin Peaks - Fire walk with me", recebeu vaias e assobios do público e critícas negativas da quase totalidade da imprensa acreditada no festival. Estreou nos Estados Unidos logo a seguir e fracassou na bilheteira. Aparentemente o efeito "Twin Peaks" extinguira-se logo após o cancelamento da segunda série, que acontecera praticamente um ano antes. Na Europa, onde o realizador sempre foi idolatrado, o filme rendeu razoavelmente. tornaram o filme num sucesso de bilheteira.
O filme ser visto independentemente, apesar de muita coisa remeter para a série, mas, para uma melhor compreensão de todo o universo abarcado por um (o filme) e pela outra (série), deve ver-se a obra como um todo, assim sendo, deve começar-se pelo filme e depois prosseguir com as séries de televisão. É uma experiência inesquecível.
Era intenção de David Lynch fazer mais dois filmes que continuariam e terminariam a história, mas devido ao fracasso nas bilheteiras, resolveu dar por encerrado o assunto.
Ás vezes o melhor mesmo é abandonar uma temática, por muito boa que ela seja ou por muito boa vontade que tenhamos em dar-lhe forma, deixar que o tempo faça o respectivo distanciamento e que a coloque no respectivo estatuto.
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)2012-02-10
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