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A Quadrilha Selvagem - Edição Especial (The Wild Bunch)
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3 Prémios e 6 Nomeações
Realização:
Sam Peckinpah
Ano: 1969
País:
EUA
Idade: M/12
Duração: 145 min
IMDB: 8.2 (23.360 votos)
Ano de 1913, revolução mexicana em curso. Pike Bishop (William Holden) é o líder de uma gangue de ladrões de bancos e trens tentando fazer o seu último assalto, aquele que lhes daria a aposentadoria. Deke Thornton (Robert Ryan) é o tipo que já fez parte do grupo, era companheiro de farras de Pike, mas que foi apanhado e preso. Ele recebe uma oferta: a liberdade em troca da captura da gangue; se falhar, volta para a prisão.
Detalhes Técnicos
Duração: 145 min. Vídeo: Widescreen 2.40:1 anamórfico
Áudio: Dolby Digital Inglês, Alemão, Espanhol
Legendas: Português, Inglês, Espanhol, Alemão, Croata, Dinamarquês, Finlandês, Grego, Hungaro, Noueguês, Polaco, Sueco
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O Fim do Velho Oeste! (Pontuação: 10)
Amiga Isabel: em relação a "Spartacus" do "nosso amigo mútuo "Stanley Kubrick, eu também gosto do filme que já vi inúmeras vezes e vejo-o sempre com renovado agrado. Como já percebi (e ainda bem que assim é!) és uma cinéfila como eu e como tal queria fazer-te um convite: sugeria-te que fosses ao facebook e me tentasses encontrar por lá (estou com o mesmo nome com que assino estes comentários) e onde, caso queiras poderiamos falar sobre este gosto comum: o cinema, ou então podes sugerir outro meio de mantermos estas nossas conversas. Que tal aceitas?

O western foi, tal como o musical, o género mais emblemático da história do cinema e tanto um como o outro são incontornáveis na sua história e do western vieram algumas grandes obras-primas da sétima arte. "A Quadrilha Selvagem" é um desses exemplos.
Em 1913 um bando de foras-da-lei apercebe-se que os seus tempos do velho oeste estão com os dias contados e que é chegada a altura de arrumar as botas. Decidem então fazer um último e arriscado assalto e sair em estilo...mas as coisas não vão correr tão bem como eles pensavam e se calhar a reforma não está nos seus horizontes.
O realizador Sam Peckinpah, autor de obras como "Major Dundee" (1965), "Cães de Palha" (1971), "Tiro de Escape" (1972) "Cross of Iron" (1977) ou "Convoy - Comboio dos Duros" (1978) para citar apenas as mais conhecidas, tinha duas imagens marcantes na sua obra: uma predilecção pelos perdedores ou o simples zé-ninguém. Daí que alguns dos filmes atrás referidos tenham como personagens principais bandidos, ladrões ou mesmo o simples vencido da vida que apenas anda por aí ao sabor do vento; a outra característíca de Peckinpah era a violência estilizada, sendo esta, mesmo a imagem de marca do realizador. Em dois dos seus filmes mais conhecidos, o realizador filma a violência em modos distintos; Neste "Quadrilha Selvagem", a violência é poética e a cena do confronto final entre a quadrilha e o bando do general Mapache é carregada de simbolismo onde a morte é o supremo acto de libertação duma vida que, para a quadrilha, estava acabada; atente-se nos momentos finais do filme onde Deke Thornton (Robert Ryan) caminha por entre os cadáveres dos combatentes e detem-se junto do dos seus ex-companheiros: a sua expressão diz tudo sobre a inveja que sente por não ter tido o mesmo destino deles e libertar-se assim da vida que escolheu. Já em "Cães de Palha", outra das suas obras polémicas, no último terço do filme um simples professor de matemática (Dustin Hoffman) tem de defender a sua casa, a sua honra e de sua mulher contra os ataques dos habitantes duma vila na Inglaterra rural. A violência é extrema e nada tem de poético, pelo contrário, é o único meio disponível para defender a honra, outro valor muitas vezes presente na obra de Peckinpah.
Polémico e sempre em conflito, Peckinpah veria a maior parte dos seus filmes serem censurados e cortados pelas distribuidoras sob pena de não serem distribuídos no circuito comercial. "Major Dundee" foi dos primeiros filmes de Peckinpah a ser amputado de um considerável número de cenas, tornando o filme confuso e incompleto. Felizmente foram recuperadas em 2005 e re-inseridas no filme. Outro exemplo desta tendência em relação à obra do realizador é "Duelo na Poeira" (1973) onde o simples acrescento das cenas amputadas antes da estreia, o tornam numa obra completamente diferente e a descobrir.
Com a "Quadrilha Selvagem" passou-se o mesmo, mas ainda hoje a discussão permanece: com uma duração inicial de 225 minutos, achou-se que era enorme, o filme seria remontado pelo estúdio para uma duração de 190 minutos, mas ainda assim, era longo demais, então, Peckinpah resolveu ele mesmo montar o filme para 134 minutos, versão que foi estreada e exibida durante anos e tida como a versão real do filme, inclusive pelo próprio realizador. Só que em 1995, a familia autorizou o lançamento daquela que ainda hoje é a versão em circulação. Incorporando cerca de 11 minutos de cenas importantes para a história. Chamou-se a versão original do realizador e contém algumas das mais violentas sequências de acção da história do cinema.
Aquilo que Sergei Eisentein inventou, que lhe granjeou o título de "Pai da Montagem" e está patente em "Couraçado Potemkin" (1925), "Alexander Nevski"(1938) ou "Ivan - O Terrível" (1944), para citar os melhores e mais conhecidos exemplos da arte de montagem, foi um dos grandes trunfos do realizador americano em toda a sua obra.
Em "A Quadrilha Selvagem", Peckinpah mostrou como é que se conta uma história mostrando, desde a cena inicial com as crianças a incendiarem escorpiões vivos antes do assalto ao banco, passando pelo assalto ao comboio até chegar à já citada cena final do tiroteio entre a quadrilha e os homens do general, violência poética, visualmente estimulante graças á fotografia de Lucien Ballard, colaborador habitual do realizador, à utilização de montagem paralela e técnica de "slow motion" e por vezes cruzando as duas, Peckinpah filmou aquele que seria o último grande clássico do oeste... onde se ficou a perceber que a morte dos membros da quadrilha significava não só morte do velho oeste como nos fora dado a conhecer durante décadas, mas também a morte e o fim de um género cinematográfico de que "Imperdoável" (Clint Eastwood, 1992), como escreveu a Isabel, é o mais significativo e dignificante epílogo que alguma vez se poderia escrever.
Verdadeiramente um clássico, de um género, obra-prima de um realizador e um filme que , 40 anos após a sua estreia, continua a ser absolutamente incontornável na história do cinema.
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)2009-11-23
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