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Muitos filmes de grande qualidade não têm o destaque que merecem, passando quase despercebidos. Por razões meramente económicas, as verbas promocionais concentram-se apenas em meia dúzia de títulos "mais comerciais". Para contrariar esta tendência, criámos este espaço de partilha e entre-ajuda, onde todos podem participar: escolha os filmes que achou mais marcantes e deixe o seu comentário.
Foram encontrados 2538 comentários. Resultados de 1 a 20 ordenados por data:
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Capital Humano (Pontuação: 8)
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Cinema Europeu no seu melhor, 2014-11-28
Aluguei este filme por gostar de explorar o cinema europeu e pela boa crítica, mas nunca pensei que fosse tão bom, em tantos aspectos. A realização é soberba, mostrando-nos uma mesma história pelas diferentes visões de 3 personagens. Através destas 3 perspectivas conseguimos perceber não só todos os contornos do incidente que está na origem da história, como todas as forças, interesses e desinteresses que movem a sociedade, de acordo com o valor do capital humano de cada um. Um filme com muito sumo, bom ritmo e excelentes representações.
Por Angkor (LISBOA)
A Origem (BLU-RAY) (Pontuação: 7)
TrailerAlugar
Cinema cebola, 2014-11-19
Como todos sabemos as cebolas são constituídas por folhas escamiformes, em camadas. Como todos sabemos, a cebola é um excelente alimento mas, sozinha, de pouco serve – é impossível alguém se alimentar apenas de cebolas. Inception é assim, como as cebolas. Formalmente construído às camadas; excelente…, mas sozinho de pouco serve.

O que eu tento dizer é que no contexto geral da cinematografia de Christopher Nolan, Inception faz todo o sentido. Partindo de um argumento absolutamente genial, revê, aumenta e melhora as fundações cinematográficas lançadas em obras anteriores. E nisso é excelente, repito. Nolan não quer apenas (já tem, aliás) construir uma carreira em Hollywood. Quer ser lenda…

Contudo, tal como em Memento, chegamos ao fim, cansados (felizes, eventualmente)…, com a sensação que estivemos ali a assistir a algo substancial e formalmente muito interessante mas carente de ordem para tanto caos.

Ah…, e o velho truque de “no fim deixas o espectador a pensar” já pouco pega; e só pega quando estamos inexoravelmente perante uma obra maior. Não é o caso…
Por pedromrsl (LISBOA)
Insomnia (Pontuação: 8)
TrailerAlugar
“Blanc-noir”, 2014-11-16
Por onde começar…? Pelo princípio?

Vamos antes ao fim: que grande filme! Ao contrário de “Memento”, aqui, Christopher Nolan abandona a narrativa desconstruída e oferece-nos, pela primeira vez, algo linear. Com um fim, vagamente, previsível…

Pelo meio encontramos um filme enorme, pleno de cinematografia – brutal decor natural, interpretações incríveis e um texto tão eficaz como balas certeiras: “O bom polícia não consegue dormir porque lhe falta uma parte do puzzle. O mau polícia não consegue dormir porque a sua consciência não deixa”.

Desde o início, encontramos uma estranha forma de “film noir” com um pano de fundo alvo de neve e gelo. O mesmo gelo que vamos encontrando no duelo entre dois homens e que nos leva imediatamente a recordar outro grande filme protagonizado por Al Pacino: "Heat - Cidade Sob Pressão" (1995).

Se não viram, tal como eu nunca tinha visto, vejam. Se viram, vejam de novo.
Por pedromrsl (LISBOA)
Capitão Phillips (Pontuação: 8)
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Capitão Hanks, 2014-11-16
Concordo em pleno com o comentário anterior: este filme é surpreendentemente bom! Embora a minha motivação principal para escolha duma película não seja propriamente a notação IMDB, quando esta é alta, considero um incentivo extra para o efeito. A surpresa aqui reside no facto da trama se basear numa história verídica e sermos levados pelo realizador a sentir na pele todo aquele clima de tensão e angústia vivido certamente pelos protagonistas reais, num ritmo crescente ao longo das mais de 2 horas que dura o filme ...e que passam a voar! Nota máxima para os actores.
Por princesagigi (SEBAL)
Memento (Pontuação: 6)
Alugar
Pesadelo…, 2014-11-10
Este é o filme que apresenta ao mundo Christopher Nolan, o agora muito em voga autor e realizador. E era um dos muitos itens na minha longa e distinta lista de falhas cinematográficas – é também para isto que serve esta CINETEKA!

Por muita volta que se dê, para atrás e para a frente, o argumento é surpreendente e genial. Mas não é acompanhado por uma cinematografia à altura.

Imagino que à época, em sala, o filme se apresentasse todo ele brilhante. Mas não é…, falta algo que dê corpo e uniformidade a tanta substância.

No fim…, fica um sabor amargo…, parece que estivemos expostos a um interminável pesadelo em loop…, do qual não se vislumbra nem princípio, nem fim. Felizes, apenas, pela porta de saída no “The End” final.
Por pedromrsl (LISBOA)
Homem de Aço (BLU-RAY 3D) (Pontuação: 7)
TrailerAlugar
Sim, boa surpresa!, 2014-11-09
“Homem de Aço” revê e atualiza (face às "novas tecnologias cinematográficas” o nascimento e chegada “até nós” daquele que viríamos a conhecer como Super-Homem.

Mais do mesmo, portanto? “Nim”. Sim, mais do mesmo, pois por muitas voltas que se dê estamos sempre no campo da fantástica inverosimilhança; não, porque há claramente o dedo de um tal Christopher Nolan na escrita e produção do filme, que lhe confere profundidade cinematográfica – apesar do 3-D espantar mas não chocar.

É sim uma boa surpresa!
Por pedromrsl (LISBOA)
Vida Selvagem - O Filme (Pontuação: 7)
TrailerAlugar
Para um serão em família, 2014-11-08
Um documentário com imagens lindíssimas que nos ensina características e comportamentos muito interessantes de vários animais, com especial enfoque na forma como protegem as crias nos primeiros sopros de vida, mas não só.
Ideal para ver com crianças. Não tem áudio em português, mas é fácil fazer a narração com recurso às legendas. Um serão em família muito bem passado e didáctico.
Por Angkor (LISBOA)
Tal Pai, Tal Filho (Pontuação: 8)
TrailerAlugar
Um excelente filme para pais e sobre a cultura japonesa, 2014-11-08
Um dos melhores filmes que vi este ano. Partindo duma premissa insólita - uma troca de crianças na maternidade, descoberta 6 anos mais tarde - imaginamos logo vários desfechos possíveis. Se fosse em Portugal ou outro país, a história seria bem diferente. Na realidade japonesa, aprendemos mais uma vez a singularidade duma cultura marcada por valores com raízes profundas e uma forte necessidade de compromisso. Mesmo quando temos duas famílias completamente diferentes, o que torna todo o desenlace mais interessante e didáctico.
Em suma, um filme que nos marca e nos ensina uma forma diferente de ultrapassar adversidades.
Altamente recomendado.
Por Angkor (LISBOA)
House of Cards - 1ª Temporada - Disco 1 (Pontuação: 10)
TrailerAlugar
Obra-prima, ponto final, 2014-11-07
Não poupemos nas palavras: “House of Cards” é, muito provavelmente, a melhor serie da contemporaneidade.

Argumento denso, texto sublime, personagens completas e interpretações perfeitas. Chega? Não! A tudo isto, que já não seria nada pouco, junta-se uma realização com absoluto rigor cinematográfico. É como se em cada episódio estivéssemos perante uma “pequena” longa-metragem.

Treze episódios, treze tratados sobre a natureza humana e sobre o poder; o tremendo vício do poder. Treze episódios onde não uma sequência, uma cena, um resquício, sequer, de palha. Treze episódios que envolvem o espectador até a catarse.

Obra-prima, ponto final.
Por pedromrsl (LISBOA)
No Limite do Amanhã (BLU-RAY 3D) (Pontuação: 2)
Trailer
Novo
Alugar
Cinema falhado, 2014-10-22
Supostamente, “No Limite do Amanhã” chega-nos como um dos grandes blockbuster que Hollywood nos tinha para oferecer este ano. Falhou!

E falhou porque estamos perante um filme com um argumento discutível, vazio de personagens, péssimo na interpretação e banal na realização. Uma amálgama com poucos pés e nenhuma cabeça que chega a ser entediante, onde nem a putativa espetacularidade do 3-D chega para “salvar a cena”.

Em Hollywood o público tem sempre razão; e “No Limite do Amanhã” nem no top 10 dos “highest-grossing films” de 2014 entra.
Por pedromrsl (LISBOA)
Capitão Phillips (BLU-RAY) (Pontuação: 7)
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Um thrillers de ação inteligente, 2014-10-18
“Captain Phillips” é surpreendentemente bom. Bem filmado nos “espaços acanhados”, muito bem interpretado e emocionantemente montado – o ritmo do filme é perfeito ao ponto de já nas sequências finais nos esquecermos de estar a ver uma ficção julgando sim estar num espaço documental.
Não há muitos filmes assim, thrilleres de ação “com miolos lá dentro”.
Por pedromrsl (LISBOA)
Rush - Duelo de Rivais (Pontuação: 8)
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Muita adrenalina!, 2014-10-11
"Corridas de carros"...não é (de todo!) o género de desporto que mais aprecio - mas não é isso que está em causa, daí o mérito deste filme, que assim consegue conquistar o interesse tanto dos aficionados como (essencialmente)dos não seguidores da modalidade. Porque retrata a capacidade do Homem de se desafiar, de se superar e finalmente de alcançar os factores críticos de sucesso. Admirável realização - é impossível não torcer por ambos os protagonistas, apesar de se conhecer historicamente o desfecho da trama - e sem dúvida excelente montagem. A não perder.
Por princesagigi (SEBAL)
Indomável (Pontuação: 9)
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Muito bom, 2014-08-12
O filme vale pelas interpretações dos atores principais, particularmente a dupla Jeff Bridges e Hailee Steinfeld. Matt Damon demonstra um enorme profissionalismo mas claramente o papel não lhe permite ir mais longe. É um western, não há dúvida, mas o centro das atenções não é colocado no enredo típico, vinganças, ajustes de contas, os bons e os maus, é a história e a representação do par referido que enche as medidas de qualquer um. Não concordo com as críticas anteriores, acho os dois muito bons, ninguém ofusca ninguém. Recomendo vivamente.
Por jneta (SEBOLIDO)
Notas de Amor (Pontuação: 7)
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Muito mais que uma comédia romântica, 2014-07-25
Não se deixem enganar pela capa, pelo título e pelo Seth Rogen, apesar de gostar das suas comédias. Este filme não é uma comédia. É uma espécie de ensaio sobre relações e sobre as motivações, ou falta delas, que mantêm os casais unidos. Será que o amor "acontece", ou é algo que construímos?
E os cenários da cidade de Toronto? Repararam que os protagonistas não usam carro? Uma raridade, que se espelha na natureza tranquila do bairro e dos bairros vizinhos por onde circulam.
E a forma como a realizadora Sarah Polley filma algumas cenas memoráveis, plenas de arte, com uma envolvência soberba em termos de imagem e som?
A moral do filme, bem patente no final e todo o processo construtivo é algo que nos faz querer discutir após o seu visionamento. A melhor prova de que gostámos e saímos satisfeitos da sala de cinema ou do sofá.
Um filme que recomendo para ver a dois.
Por Angkor (LISBOA)
Ender's Game - O Jogo Final (Pontuação: 9)
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A vida é um jogo, 2014-07-13
Não tinha grandes expectativas acerca deste filme, a não ser divertir-me um pouco ao serão. O que é certo é que... não consegui despegar os olhos do ecrã desde o primeiro segundo até ao último! Não pensem que foi por causa das cenas de acção ou dos efeitos visuais expectáveis para este tipo de empreendimento - embora não desiludam - mas pela oportunidade que o realizador nos dá de acompanhar o crescimento psicológico e emocional do jovem protagonista. Como é e de que é feito um verdadeiro líder.Estratégia militar e seu fundamento de que os fins justificam os meios...Mesmo empolgante, aconselho vivamente.
Por princesagigi (SEBAL)
A Ilha (Pontuação: 10)
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Eu quero ir para a Ilha! - ou não..., 2014-07-13
Dos melhores filmes que já vi (e revi), dentro do género. Os protagonistas têm uma química incrível, a história agarra-nos desde o primeiro minuto. Entretém sim, mas mais do que isso,obriga-nos a encarar inquietantes questões deontológicas da nossa era - a que abismos a Humanidade pode ser levada pelo lobby dos poderosos e endinheirados ou até que ponto o Homem pode usurpar o papel de Deus em nome do progresso...?
Por princesagigi (SEBAL)
À Procura de Sugar Man (Pontuação: 8)
TrailerAlugar
Arrisque e deslumbre-se com um dos melhores filmes de 2013, 2014-07-04
Na hora de escolher um filme, existe uma certa resistência para evitar documentários e cedermos à tentação do facilitismo dos géneros e actores do costume. Tenho a certeza que muitos clientes da Cineteka já viram este filme, mas se é daqueles que gosta de jogar pelo seguro e ainda não viu este, relembro que ganhou o Óscar de Melhor Documentário em 2013 (entre muitos outros prémios e nomeações).
Mas não é por esse galardão que deve assistir "À Procura de Sugar Man", mas sim porque tenho a certeza que se vai deixar levar por esta incrível e improvável história e chegar ao fim com uma sensação de quem almoçou um belo repasto que preencheu todo o espaço disponível, deixando-o muito satisfeito.
Por isso arrisque e deslumbre-se com um dos melhores filmes de 2013!
Por Angkor (LISBOA)
Sangue Quente (Pontuação: 7)
TrailerAlugar
Crédito bem merecido pela originalidade, 2014-06-27
Aluguei este filme porque tinha gostado bastante de "Wackness - à Deriva" e "50/50", ambos deste realizador - Jonathan Levine. As críticas no IMDB também eram bastante boas e anunciavam originalidade. Apesar das expectativas, algo elevadas, a verdade é que o filme surpreende, misturando géneros - zombies / romance / comédia -, mas criando o seu próprio estilo.
Definitivamente 98 minutos bem passados, num filme que prima pela originalidade.
Por Angkor (LISBOA)
A Vida de Pi (Pontuação: 8)
TrailerAlugar
Ver nas entrelinhas, 2014-06-24
Quando um filme é tão "badalado" quanto este, é natural sentirmos curiosidade em vê-lo. No entanto, fui adiando o momento, a favor de entretenimento mais mundano, porque às vezes não me apetece embarcar em modas que nos obrigam a exercícios complicados de malabarismo intelectual para descobrir uma moral pseudo-transcendente da história. Pensava eu. Afinal, o espectador tem sempre a última palavra perante uma manifestação, qualquer que ela seja, de arte. Pode gostar - ou não. Pode entendê-la - ou não...da forma que era pressuposto. As sensibilidades são diferentes (valha-nos isso!)e ser artista talvez seja apenas essa coisa de provocar reacções diversas através da sua obra.Voltando ao filme - que apenas peca, quanto a mim, por ser um pouco longo - pode dizer-se antes de mais que é um festival visual e narrativo. Uma lição de coragem que é muito mais do que o simples instinto de sobrevivência: ultrapassar as adversidades virando-as a nosso favor com sacrifício e engenho, mas sobretudo a grandeza que é - ainda mais nessas circunstâncias - a dádiva do amor incondicional, consubstanciada pela figura ingrata do tigre, mas que assim é a Natureza que nos aproxima e reconcilia com Deus - para quem prefere a versão mais romântica - mas em última análise, connosco próprios.
Por princesagigi (SEBAL)
Imperdoável - Edição Especial (Pontuação: 10)
TrailerAlugar
O Ocaso do Western, 2014-05-21
Em 1992, depois do triunfo de “Dances with Wolves - Danças com Lobos” (Kevin Costner, 1990) que reanimara o Western, o género mais querido, juntamente com o musical, do cinema, da melhor maneira possível, pareceu que este género popular estava de volta para trazer o público, que agora estava mais virado para a ficção científica, de volta. Mas a sensação que ficou foi que o género, apesar de ainda não estar morto e enterrado, parecia estar moribundo. Era tempo de fazer um elogio que, ao mesmo tempo o homenageasse condignamente. "Unforgiven - Imperdoável” é a mais bela página que se pode escrever sobre um género que, afinal, esteve na génese do cinema, "The Great Train Robbery" de Edwin S.Porter é o primeiro Western da história e foi realizado em 1903.
Ao tomarem conhecimento duma recompensa lançada por um grupo de prostitutas a quem matar o homem que deformou uma delas, dois ex-foras-da-lei juntam-se a um jovem para tentar ganhar a recompensa e assim garantir o seu futuro e dos seus familiares. Ao chegaram á cidade de Big Whiskey, no Wyoming, são confrontados com uma oposição que não contavam.
“Imperdoável” começa por ser um filme que olha para o velho Oeste como se este fosse uma novidade. Os pistoleiros profissionais tornaram-se de tal maneira uma espécie em vias de extinção que os jornalistas os seguem em busca das suas histórias ( a personagem de English Bob, um caçador de prémios, fabulosamente interpretado por Richard Harris, cuja fama o precede, mas que na realidade não passa de um engano, graças ao jornalista/biógrafo que com ele vem, é disso exemplo); homens que dormiram noites ao relento, estão agora a construir as sua próprias casas; William Munny , outrora um ladrão e assassino, sobrevive graças á sua criação de porcos. Em 1880 (ano em que se passa o filme), o Oeste vive das memórias de homens que agora vivem numa espécie de classe média e é á volta destas memórias que esta obra-prima gravita sem hesitar.
O filme é sobre a passagem do tempo e isso vê-se no seu próprio visual, reflectida na fotografia quase genial de Jack N.Green. Logo no início vemos uma casa, uma árvore, um homem e uma campa e o sol está a pôr-se, não só no homem, como também sobre a era que ele representa, é de uma genialidade quase absoluta de tão simples que é. Mas, mais á frente, ainda no campo visual, encontramos cenas exteriores que mostram a vastidão da terra onde o Western reinou durante décadas. Já os interiores diurnos são fotografados em forte contra-luz de modo a tornar as figuras interiores escuras e, por vezes, difíceis de ver.
Em "Imperdoável" todos os símbolos do western estão invertidos: o xerife que sempre representou o bem e a moral, é, na realidade, o vilão (excelente interpretação de Gene Hackman)e o homem sem qualquer tipo de escrúpulos que impõe a lei na cidade com punho de ferro, não autoriza armas de fogo na sua jurisdição e faz cumprir essa proibição com espancamentos sádicos e públicos, a roçar a humilhação e depois regressa á beira-rio onde constrói a sua casa; os supostos vilões, apresentados como sendo maus como as cobras (interpretados sobriamente por Clint Eastwood e Morgan Freeman), que não passam de velhos que já esqueceram uma parte do seu violento passado, mas que, de tempos a tempos, ainda os assombra, são os verdadeiros heróis do filme. Entre todas estas personagens, gravitam algumas outras que, apesar de secundárias, têm a sua importância na acção: desde logo ”Schofield Kid” (Jaimz Woolvett), um incompetente pretenso herói, desafia Munny a ir com ele em busca da recompensa, míope que não consegue acertar em nada, mesmo tendo um revólver modelo Schofield (daí ter-se baptizado a si próprio com esse nome) da “Smith & Wesson; Madame “Strawberry Alice” (Frances Fisher), prostituta que teve a ideia de lançar a recompensa porque quer vingança sobre aqueles que mutilaram “Delilah” (Anne Thompson), uma das suas meninas; e ainda “Skinny Dubois” (Anthony James), dono do bar e bordel, tem outras preocupações acerca dos acontecimentos: como pagou muito dinheiro por Delilah, que após ser mutilada pelos cowboys, já não lhe vai compensar o investimento, portanto ele quer ser recompensado.
Eventualmente a história volta aos termos clássicos do Western quando o xerife corrupto se confronta com o fora-da-lei, transformado em homem justo. A história torna-se, menos sobre a caça ao prémio e mais sobre a necessidade, mútua e pessoal , de resolver a questão entre ambos, já que se encontraram algures no passado e veremos, posteriormente, o jovem William Munny emergir da concha da idade onde se escondeu e voltar a ser o homem temeroso que fora, como também acontece no longo acto final em que o mesmo Munny eficiente e omniscientemente se transforma numa espécie de vingador das humilhações a que o seu amigo Ned foi sujeito: um trabalho de montagem eficiente, em que os elementos da cena são montados de modo estrategicamente deliberado para serem suficientemente credíveis e que nos trazem á memória as personagens que Eastwood interpretou nos seus westerns anteriores: o espírito á procura de justiça em “O Pistoleiro do Diabo”; o justiceiro Josey Wales de “O Rebelde do Kansas” e o Pregador sem nome de “O Justiceiro Solitário” e percebemos que o velho profissional ainda não se esqueceu de como se faz.
Clint Eastwood, o realizador, ao baralhar e dar de novo, dá uma dimensão diferente e original ao género e aproxima-se duma quase genialidade magnifica, que mantém no próprio título do filme. Será que Munny procura obter o perdão da sua falecida esposa e também de todos os outros que enganou, violentou ou matou? A sensação com que se fica é que ele ainda se sente assombrado pela culpa: está reformado, mas, ao aceitar ir em busca do dinheiro da recompensa, pois precisa dele para sustentar os seus filhos, apesar de achar que eles ficariam melhor servidos se o seu pai não andasse a correr risco de vida contra pistoleiros mais novos e certamente mais experientes, mostra que não se emendou. Eastwood não se alargou em explicações sobre o porquê daquele título, mas, existe no filme um momento em que talvez essa explicação seja aflorada: logo após ter sido baleado, Little Bill diz “eu não mereço isto…morrer assim, desta maneira…eu estava a construir uma casa.” Ao que Munny responde “Merecer, não tem nada a ver com isto”. Mas, na realidade, até tem porque, apesar de Ned e Delilah não receberem aquilo que lhes é devido, William Munny certifica-se que os outros o recebem. É esta moral, por vezes implacável, em que o bem eventualmente silencia o mal, que está no centro do Western, e Clint Eastwood, tal como John Ford já o fizera na sua obra-prima “The Searchers- A Desaparecida” (1956), não tem receio de o dizer.
Quando estreou, “Imperdoável”, foi um inesperado sucesso de bilheteira em todo o mundo. Com um orçamento estimado em cerca de 14.400.000 dólares, a receita em todo o mundo foi de cerca de 159.200.000 dólares, nada mau para um filme dum género já considerado extinto. Mas o triunfo maior do filme seria em prémios. A primeira surpresa viria dos Globos de Ouro onde arrecadaria dois dos quatro Globos para que estava nomeado, incluindo um para Clint Eastwood como Realizador. Conforme avançava a temporada dos prémios, continuava a caminhada de “Imperdoável” em direcção ao Olimpo do Cinema. Seria nos Oscares que o triunfo do filme iria ser determinante. Com nove nomeações para os Oscares, "Imperdoável" venceu quatro, incluindo Melhor Realizador e Melhor Filme do Ano para Clint Eastwood. Finalmente o cinema olhava com respeito e deferência para um dos seus maiores icons. Foi o consagrar duma carreira imaculada de mais de quarenta anos.
Caberia a Clint Eastwood, actor, produtor e realizador, a missão de escrever o epílogo do Western, na forma daquele belíssimo plano final (igual ao início, mas mais completo) de um pôr-do-sol, uma campa e junto dela a imagem de William Munny que se dissolve na cena enquanto correm os créditos finais, em que o actor/realizador, agradece a Don (Siegel) e a Sergio (Leone), os seus mentores, subentenda-se, o que fizeram por ele, mas, principalmente, o que fizeram pelo western enquanto género cinematográfico.
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)
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