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Muitos filmes de grande qualidade não têm o destaque que merecem, passando quase despercebidos. Por razões meramente económicas, as verbas promocionais concentram-se apenas em meia dúzia de títulos "mais comerciais". Para contrariar esta tendência, criámos este espaço de partilha e entre-ajuda, onde todos podem participar: escolha os filmes que achou mais marcantes e deixe o seu comentário.
Foram encontrados 2697 comentários. Resultados de 1 a 20 ordenados por data:
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O Filho de Saul (Pontuação: 2)
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Bola Preta para Cannes, 2016-11-01
Este Filho de Saul é um filme que é mais um aproveitamento de um tema que vende sempre, o Holocausto judeu da Segunda Guerra Mundial, que aqui dá origem a uma obra menor sem ponta por onde se lhe pegue, e que estranhamente ou não foi apreciada pela crítica e até pelo júri de Cannes. Trata-se de um exemplo de mau cinema, radicalmente histérico, com a câmara ao ombro colada o tempo todo às costas do protagonista, que parece por sua vez possuído de uma energia tão demoníaca quanto ridícula, dado o contexto concentracionário em que se move a personagem. Se os irmãos Dardenne conseguiram fazer um grande filme colando a câmara a Rosetta no filme do mesmo nome, aqui o falhanço é total, porque o cinema não é apenas técnica, é arte, e isso é mesmo aquilo que não iremos encontrar neste exercício falhado. É um filme, mas não foi feito para o espectador. Ao contrário do que se possa pensar, isso é comum. Tive que desistir de o ver, penso que só pessoas bastante masoquistas o suportarão. Laszlo Nemes conseguiu a "proeza" de expandir o horror de Auschwitz-Birkenau até ao espectador do seu filme, sem lhe oferecer nada.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Like Someone in Love (Pontuação: 8)
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Requintada Despedida de um Grande Artista, 2016-10-30
Like Someone In Love é o último filme de Abbas Kiarostami, o mestre do cinema iraniano e um dos grandes do cinema mundial, falecido no Verão deste ano de 2016. O título do filme é o mesmo de uma canção, que ouvimos no filme na voz de Ella Fitzgerald. O filme resume-se à história inacabada de dois dias na vida da estudante universitária e prostituta Akiko, enviada à noite extenuada e contra a sua vontade pelo "patrão" para casa de um ex-professor idoso, Takashi, que a tratará como se ela fosse uma filha ou neta. Uma não-história, pensarão alguns. Mas isso é não conhecer Abbas Kiarostami, que da mais prosaica realidade vai tranquilamente extraindo as mais belas pedras preciosas. Boa parte do filme passa-se no interior de carros, do taxista e de Takashi, espaço ao mesmo tempo privado e aberto ao mundo, que ninguém filmou e aproveitou como Kiarostami. Kiarostami que, tal como o imenso Manoel de Oliveira, foi um artista instintivo e de uma profundidade abissal face ao comum dos mortais, que aqui podemos confirmar na sua despedida. E porque se chama o filme Like Someone In Love, quando nenhum dos protagonista está "in love"? Mistério que deixo ao meu caro leitor, que teve a paciência de ler este comentário. E já que a teve, veja também O Sabor da Cereja, uma das obras-primas de Abbas Kiarostami, que pode encontrar na sua Cineteka do costume.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Diário de Uma Criada de Quarto (Pontuação: 8)
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Bonitos, Porcos e Maus, 2016-10-30
Estranhamente no próprio dia em que pedi este DVD novo da Cineteka, de um filme que ainda recentemente estava em sala em Lisboa, ele passou na RTP2! - sinal de um tempo em que o aluguer vídeo não tem qualquer relevância para a distribuição cinematográfica. Benoît Jacquot é um discreto realizador francês, com obras interessantes, como é o caso desta n-ésima adaptação ao cinema do livro de 1900 de Octave Mirbeau, Diário de Uma Criada de Quarto, livro esse que pretenderia ser um impiedoso retrato e denúncia da sordidez doméstica da Belle Époque (não estranharemos pois que Luís Buñuel já tenha passado por aqui). E sórdido é quase tudo o que vamos ver, com o requinte de assistirmos à rendição final de Célestine, criada de quarto e personagem principal, a um mundo burguês em que "por mais infames que sejam os canalhas, eles nunca o são tanto quanto as pessoas respeitáveis". Outro dos paradoxos que esta visão de Benoît Jacquot nos oferece é o contraste entre o mundo exteriormente belo em que se move Célestine, em que ela própria aparenta mais ser uma grande senhora do que as suas patroas, e a vilania moral que todos infecta, chegando aos crimes mais abomináveis. E no fundo é disso que trata o filme e o livro, da vitória do crime, da vitória do hipócrita.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
A Lei do Mercado (Pontuação: 10)
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A Vida Real no Cinema, 2016-09-25
Porque será que estes filmes não são divulgados na C.Social portuguesa em horário nobre ? Ou sequer debatidos ? O que foi feito, foi-o na estreia com debate na Voz do Operário.Veio ao festival do Estoril? Ok. Porque será que só a "cultura francesa" é capaz de atirar cá para fora, sob a forma de filme, a realidade nua e crua do desemprego, dos centros de (des)emprego, da banca e do apoio à família ?E porque será que, a exemplo de A Família Bélier utiliza atores deficientes, provando ao Mundo a sua utilidade e não sendo necessárias imitações, como parece ser que agradará à "cultura" e sociedade portuguesa que apenas relevaram a interpretação, excelente sem dúvida, de Vincent Lindon e muito pouco ou nada dos restantes atores amadores .
Por Edusilva (QUINTA DO CONDE)
Bárbara (Pontuação: 9)
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Nina Hoss nas Estrelas, 2016-08-30
Barbara é mais um filme alemão de grande qualidade que tem como pano de fundo a repugnante ex-RDA, tal como Good Bye Lenin e A Vida dos Outros. Mas é sobretudo uma grande história de amor que vai surpreender a protagonista, a médica Barbara Wolf, que ambicionava passar para a RFA para junto do seu homem, mas que pouco a pouco, subtilmente, se vai apaixonando pelo seu colega André da clínica de província junto ao Báltico onde se encontra desterrada por ter sido presa política, ainda se encontrando sob apertada vigilância. Não sabemos exactamente porque esteve Barbara presa, tal como não saberemos muitas outras coisas neste filme, sóbrio como poucos. Essa extrema contenção dos protagonistas confere ao filme uma invulgar credibilidade, por reflectir simultanemanente o ambiente opressivo da ditadura e o nível cultural e intelectual das personagens, médicos. Em boa verdade, Barbara é um dos únicos filmes em que as personagens são médicos e em que acreditamos nessa realidade, mesmo com a grande depuração formal ou abstracção a que Christian Petzold deitou mão, que chega a evocar o imenso Robert Bresson e a sua arte do cinematógrafo. E é isso o que de mais belo é conseguido em Barbara, a arte de não mostrar nada. No belíssimo campo/contra-campo final de Barbara e André, em que sabemos ou sentimos antecipadamente o que vai acontecer, é o amor e só o amor daqueles dois que triunfa sobre tudo o resto. Um filme magnífico, a que creio que só a crítica soube dar o merecido valor, talvez por não ser "popularucho".
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Trainspotting (Pontuação: 8)
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Um Filme Castanho, 2016-08-30
Vinte anos passaram desde que Trainspotting foi rodado, e sem dúvida que ele envelheceu, mas não ao ponto de se tornar anacrónico. O grande desempenho de Ewan McGregor continua sendo um grande desempenho, e continuamos a oscilar entre o riso e o asco. Também o monólogo interior de Mark, sobre o que fazer da sua vida e se esta vale a pena, ou se o melhor mesmo é "meter para a veia" ou adoptar outros comportamentos destrutivos e procurar satisfações imediatas, mantém a mesma relevância do que nos anos noventa. Já por aqui critiquei duramente o cinema britânico, mas este filme é uma das excepções que importa conhecer, quem sabe se por ser escocês, e não inglês! E como demonstração da sordidez da toxicodependência e dos círculos em que ela se manifesta, continua sendo um excelente exercício, precisamente pelo seu tom de comédia: a brincar, a brincar, se vão dizendo umas verdades.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Corre Lola Corre (reposição) (Pontuação: 9)
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Berlim na Viragem do Milénio, 2016-08-29
Por vezes acontece isto que aqui temos em Lola Rennt, um filme que é verdadeiramente diferente e único, e ao mesmo tempo, como poucos, um representante imaculado da época que o gerou, o fim do segundo milénio no caso. Tom Tykwer acertou na 'mouche' com esta obra, em que tudo corre bem para ele, começando pela protagonista, a actriz Franka Potente, rapidamente fugida para os EUA, onde lhe perdi o rasto, dada a mediocridade congénita da indústria do cinema actual nesse país. Voltando a Lola Rennt, considero que o filme é sobretudo um magnífico exercício sobre o próprio cinema, sobre o acaso, sobre a fragilidade da vida e ao mesmo tempo sobre a força de viver. Nunca me saiu da retina até hoje a imagem de Franka Potente correndo pelas ruas da moderna Berlim reunificada, há nelas uma força que poucas vezes o cinema conseguiu. Por isso pedi agora o disco, para matar saudades!
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Fugiu Um Condenado à Morte (Pontuação: 10)
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O Vento Sopra Onde Quer, 2016-08-18
Referi no comentário que fiz ao filme L'Argent de Robert Bresson a pena que era a Cineteka só dispor desse título dentro da obra genial de Robert Bresson. Essa observação já está desactualizada, pois a Cineteka conseguiu juntar mais este DVD com "Un condamné à mort s'est échappé ou Le vent souffle où il veut", o segundo filme de Robert Bresson depois de este ter definido por completo o seu "cinematógrafo", e a sua quarta longa-metragem. Pela segunda vez, mas não pela última vez, Bresson mergulha no universo carceral, aqui numa imersão quase total, visto que o filme se passa praticamente todo numa prisão famosa de Lyon, usada pelos nazis durante a ocupação, e de onde a fuga era considerada "impossível". Logo a declaração inicial do próprio realizador é cristalina sobre aquilo ao que vamos, diz ele "esta é uma história verdadeira, e eu conto-a tal como ela é, sem ornamentos". Fá-lo porque o filme se baseia na fuga real de um oficial francês dessa prisão em 1943, o comandante André Dévigny, que passou a escrito a sua aventura de vida ou de morte. O personagem inspirado nesse oficial é o tenente Fontaine, resistente francês aos nazis aprisionado e mais tarde condenado à morte, que já com esse estatuto, de condenado à morte na eminência do fuzilamento, consegue enfim levar a cabo a sua meticulosamente planeada fuga. Verdade é que Fontaine não pensa noutra coisa que não seja em fugir desde que é capturado, e que dedica cada instante a esse projecto. Mas começa por falhar uma fuga sozinho da viatura policial, tal como muitos outros sonham e tentam fugir também daquela prisão de Montluc, e falham. Fontaine vai conseguir porquê? Aqui entramos na dimensão religiosa do filme, e este é um dos filmes mais abertamente religiosos de Bresson. Fontaine vai trabalhar apaixonadamente para a sua fuga, para a qual tudo à sua volta misteriosamente se conjuga, mesmo quando parece fazer o contrário. É àquele homem, ao tenente Fontaine, e não a outro qualquer, que é concedida a Graça da salvação. Os filmes de Robert Bresson até Au Hasard Balthazar (1966) são todos eles filmes de manifestação vitoriosa da Graça, dádiva e prova de Deus para os crentes. Desses seis filmes para mim não há nenhum em que essa invisível presença se sinta com mais constância e de forma mais ardente do que em Fugiu um Condenado à Morte. Quando no final Fontaine e Jost caminham apressados e livres pela estrada, não poderemos deixar de sentir neste filme do despojamento mais radical, essa outra presença. Estamos perante um dos mais belos filmes do mundo.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Deadpool (BLU-RAY) (Pontuação: 8)
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Uma comédia de ficção muito especial, 2016-08-16
É um filme de ficção sobre um (anti-) herói da Marvel e ao mesmo tempo uma comédia com um humor muito crú que penso, não ao gosto de todos. Eu pessoalmente gostei muito.
Tem muita acção, os efeitos especiais estão muito bem realizados e o argumento não perde interesse ao longo do filme e é coerente.
Por Mário Silva (CHAVES)
Buda Caiu de Vergonha
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Errata, 2016-08-15
Queria corrigir a frase final de Lillian Gish no meu comentário de ontem sobre este filme, deveria ter escrito "life is hard for little things", e não "live is hard for little things". As minhas desculpas.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
O Deus da Carnificina (Pontuação: 7)
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Esgravatando um Pouco..., 2016-08-15
Aqui temos um dos Polanskis mais recentes, versão filmica da peça de teatro da consagrada Yasmine Reza, Le Dieu du Carnage (O Deus da Carnificina). A peça, talvez uma sátira, não é a melhor de Reza, mas Polanski aproveita-a muito bem, trabalhando com um grupo de actores excelentes. Do encontro do casal Alan e Nancy Cowan com o casal Michael e Penelope Longstreet, em Nova Iorque, provocado pela agressão brutal com um pau do filho dos primeiros a um dos filhos dos segundos, vai resultar uma imparável progressão de "lavagem da roupa suja", não só entre os dois casais, mas dentro dos próprios casais. A compostura inicial de pessoas maduras super-civilizadas vai-se erodindo a cada minuto que passa, e o "Deus da carnificina" que dorme debaixo de cada ser humano toma conta da casa dos Longstreet por entre o vomitado de Kate Winslet (Nancy) e o whisky. A peça e o filme não dão respostas, levantam questões ao espectador sobre os seres humanos modernos e suas relações.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Buda Caiu de Vergonha (Pontuação: 7)
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A Menina Quer Ir à Escola!, 2016-08-14
Para quem tiver um fraco por filmes dramáticos com crianças de cinco anos de idade, este vale bem uma espreitadela. Perdoamos mais facilmente os seus defeitos depois de sabermos que foi feito por uma iraniana que nem 20 anos de idade tinha completado, e que mesmo assim conseguiu emocionar-nos enquanto denunciava a guerra e a opressão com todo o vigor, através dos seus efeitos na vida das crianças. A sua "estrela", a menina que faz de Bakhtay, é um achado e é soberbamente aproveitada pela realizadora, como o foi a pequenina Victoire Thivisol no magnífico filme francês Ponette, mais de dez anos anterior a este. Existe polémica sobre o mal que estes papéis podem causar às crianças que os desempenham, mas eu não estou minimammente convencido de que tais alegações sejam mais do que pieguices. Como diz a fada Lillian Gish na obra-prima A Noite do Caçador, "live is hard for little things".
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Que Horas Ela Volta? (Pontuação: 7)
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Venha Conhecer Jéssica!, 2016-08-07
Este é mais um filme que não fui ver em sala, mas que vale um visionamento, não como manifesto político-social, mas como história humana passada no meio da alta burguesia paulista, meio esse iteradamente abordado pelo cinema brasileiro - ocorreu-me rapidamente o magnífico filme documental Santiago, esse sobre um mordomo de carne e osso, e não ficcional como Val de "Que Horas Ela Volta". O que há de melhor neste filme é o amor às personagens da sua criadora e autora, e de todos os actores, com destaque para Regina Casé e Camila Márdila. Vamos conviver em casa e em S. Paulo com pessoas, com situações e com problemas inesperados, surpreendentes e em que podemos acreditar, e isso foi conseguido por Anna Muylaert. A jovem filha de Val, Jéssica, grande criação da jovem actriz Camila Márdila, funciona no filme como pivô que vem fazer abanar a sua mãe, mas antes disso a casa dos patrões toda. Ao contrário do "anjo" exterminador da fábula Teorema de Pier Paolo Pasolini, nesta casa dos patrões não estava todo o mundo pronto para a rendição, e enfim Bárbara, a patroa, despacha a invasora para o seu lugar de filha da criada. Nós espectadores não podemos deixar de amar e de nos rever de alguma maneira em cada um destes personagens. Foi pena que o final do filme fosse tão irrealista, talvez em favor do romantismo ou do politicamente correcto, como também aponto como grave problema e obstáculo para os espectadores portugueses a língua que falam muitas vezes as personagens, que supostamente é o "português". Justificava-se a legendagem parcial do filme. Para quem acredita que o português alguma vez será uma língua "unificada", veja este filme!
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
A Espera (Pontuação: 3)
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Duas francesas num casarão, 2016-08-05
Resolvi ver este filme para conhecer a nova 'coqueluche' do cinema francês, uma das duas protagonistas do filme, a jovem Lou de Laâge. O filme e o seu enredo são desinteressantes e artificiais, não sendo credível a situação em que se vê envolvida a jovem Jeanne, aguardando pelo seu amado em casa da mãe deste. Lou de Laâge faz um bom trabalho, Binoche tem bons momentos.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Despedidas (Pontuação: 8)
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Um Achado!, 2016-07-27
Desta feita sim, a popularidade do filme nos comentários é amplamente merecida. Despedidas é um mau título em português, que deveria ser Partidas. De um alegado erro num anúncio, onde em vez de "derradeiras partidas" foi impresso apenas "partidas", o protagonista é contratado por uma pequena firma que cuida dos corpos dos mortos, mas sem saber ao que vai! Acresce que Daigo, o personagem, é artista, violoncelista, pelo que o choque é brutal. Mais do que uma narrativa, o filme é uma delicada e requintada reconciliação com a vida, tanto para Daigo e sua mulher Mika, como principalmente para o espectador. Sendo um filme com o qual só um semimorto não irá chorar, é ao mesmo tempo um sim à vida. Apresenta-nos um mundo embelezado, poderemos até falar de romantismo, mas sem a mínima lamechice, contido, púdico. O desempenho dos actores é excepcional.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Rapaz A (Pontuação: 2)
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Superficial, 2016-07-25
De novo levado pelos elogios fui espreitar um filme "escondido", e desta feita foi uma desilusão. Boy A é um apanhado do pior cinema inglês, e o cinema inglês sempre foi, regra geral, muito mau. O filão, o da segunda chance para um jovem delinquente, era prometedor, mas a arte para o explorar não foi nenhuma. Confesso que não consegui ver sequer o filme, apanhado sem fim de banalidades e estereótipos, de uma superficialidade raramente igualada. Se tivesse sido esse o objectivo, teria sido superado!
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
A Outra Metade do Amor (Pontuação: 7)
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Doloroso como a Vida, 2016-07-19
Começo por uma correcção, a personagem da jovem recém-chegada ao colégio interno, interpretada por Mischa Barton, não se chama Maube, mas sim Mary, cuja alcunha é Mouse. Este é mais um filme que nos lembra que a América anglo-saxónica está longe de se resumir aos Estados Unidos, e que a norte desse famoso vizinho outro grande país passa despercebido, imerecidamente. E também é assim no cinema, em que o Canadá continua a ter um lugar de primeiro plano, muitas vezes em associação com os tais vizinhos do sul. Não aqui, em que temos um filme canadiano, daqueles que só mesmo associamos a esse país, e que se vê com interesse, sobretudo pelos magníficos desempenhos das três jovens actrizes, e pela autenticidade psíquica ou espiritual das suas personagens, alunas adolescentes num colégio interno. Creio que existe um laço entre este filme e o célebre Clube dos Poetas Mortos, não pela existência de um professor extraordinário, nem por o colégio ser autoritário e repressivo para as jovens (não o é de todo), mas pelo drama do suicídio de uma jovem alma nobre em chamas que ninguém consegue aplacar. Mas aqui é mais doloroso, precisamente porque não há culpas institucionais para a desventura de Paulie. Ela e Mouse são as personagens mais interessantes, pois já sofreram a sério nas suas curtas existências, ao contrário de Tory, que prova que as pessoas normais não têm nada de especial. Apesar de algum irrealismo e concessões à banalidade no filme, é ainda assim uma obra que vale a pena espreitar, dolorosa como a vida, ardente como a juventude.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Monsters - Zona Interdita (Pontuação: 8)
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À Beira do Apocalipse, 2016-07-17
Este é um projecto de autor, o então jovem realizador inglês Gareth Edwards, que recebeu grande reconhecimento por este trabalho, quanto a mim merecido. Apesar do elemento fantástico das criaturas extraterrestres caídas no México por acidente, todo o filme transmite ao espectador uma aguda sensação de realidade, e isto pela razão mais simples, foi mesmo filmado na "natureza" mexicana e centro-americana em que é suposto decorrer, com as populações locais, com não-actores locais representando pequenas cenas. Até os dois protagonistas, eles sim actores profissionais norte-americanos, representando personagens norte-americanas, eram à data um casal na vida dita real, o que foi propositado de Edwards, de forma a conseguir passar a empatia entre os seus personagens - efeito conseguido! O segredo para conseguir que um filme rodado com meios reduzidíssimos no México se transformasse num filme de ficção científica está nos efeitos especiais digitais que foram adicionados pelo próprio realizador, que explica na entrevista que faz parte dos extras que depois de cursar cinema se especializou nos anos seguintes nessa área de imagem de síntese para cinema. Com um mero computador pessoal, muito suor e talento, Gareth Edwards conseguiu assim pintar o seu filme com tudo o que lhe faltava nas tomadas de imagem, nomeadamente com os seus "monstros", uns seres gigantescos inspirados em polvos, a fazer lembrar a ficção científica dos anos cinquenta, como lembra em baixo PMatos. Todo o enredo mostra o talento de Edwards em não se deixar cair nos mais banais arquétipos americanos (felizmente ele não é americano), nem no do herói salvador solitário, nem no dos monstros maléficos, nem na soberba face ao México e aos latinos. O resultado é um muito interessante e credível filme de aventuras inesperadas e de suspense para uma filha de papá rico e para um fotógrafo batido, que nada faria prever que se apaixonassem. E no entanto...
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
Um Quarto em Roma (Pontuação: 4)
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Uma Oportunidade Perdida, 2016-07-15
Este é um filme politicamente correcto sobre um amor lésbico, envolvendo uma mulher sem experiências homossexuais anteriores. Mas nada é realmente convincente, nem mesmo as cenas de sexo. Faltou aqui o talento para transformar o banal em extraordinário, e o realizador conseguiu sim banalizar o extraordinário, não nos permitindo acreditar em quase nada daquilo que expõe.
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
A Lei do Mercado
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O quotidiano pode não ser banal, quando há talento., 2016-07-15
Escrevo este comentário antes de a Cineteka ter o filme disponível, pois vi-o no cinema, e dei o tempo por bem empregue. Não é perfeitamente exacto que Thierry (Vincent Lindon) seja posto a espiar os colegas, mas sim que ele seja forçado, em razão do seu posto como segurança, a participar na punição de uma colega caixa que rouba o supermercado, acumulando para si mesma à socapa benefícios que eram destinados aos clientes, e não a ela. Apesar de a colega ser culpada essa será a gota de água que fará o nosso personagem atingir a saturação no emprego que conseguiu e de que necessita, mas em que não se sente à vontade. O valor do filme está exactamente na autenticidade do actor/personagem e das situações que vive. O final será uma surpresa para o espectador, peça o disco se quiser saber!
Por Pedro Fernandes (PAçO DE ARCOS)
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