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Apocalipse Now (Apocalypse Now)
TrailerAlugar
14 Prémios e 33 Nomeações
Ano: 1979
País:
EUA
Idade: M/16
Duração: 146 min
IMDB: 8.6 (135.223 votos)
Através da loucura da Guerra do Vietname, o realizador oferece uma assombrosa visão dos aspectos mais sombrios do espírito humano.
O Tenente Willard (Martin Sheen) recebe ordens para procurar um renegado posto avançado militar, comandado pelo misterioso Coronel Kurtz (Marlon Brando). A missão de Willard é: "Exterminá-lo a qualquer custo". Um dos melhores filmes de todos os tempos, foi nomeado para oito Oscares da Academia, vencendo nas Categorias de Melhor Som e Melhor Fotografia. Com nova remasterização feita sob a supervisão dos vencedores de Óscares Vittorio Storaro e Walter Murch, e com Dolby Surround.
Detalhes Técnicos
Duração: 146 min. Vídeo: 16:9 - Widescreen 2.00:1 anamórfico
Áudio: Dolby Digital 5.1 - Inglês, Dolby Surround - francês e espanhol
Legendas: Português, Inglês, francês e espanhol
Extras: Trailer de Cinema, Excertos do Filme, Comentários Realizador.
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Um Filme à frente do seu Tempo! (Pontuação: 10)
A Guerra do Vietname deverá ter sido o acontecimento que mais marcou o cinema nas últimas três décadas do século XX. Na sua extensa filmografia, podemos encontrar os melhores e os piores exemplos dessa guerra. Mas obras marcantes, usualmente conhecidas como obras-primas, bastam apenas os dedos duma mão para as enumerar. "Apocalypse Now" é o exemplo mais marcante. É um dos filmes que vem logo à cabeça quando se fala do Vietname.
O capitão Benjamin Willard encontra-se de licença quando é contactado para levar a cabo uma missão perigosa. Deve ir até ao Cambodja localizar e eliminar um coronel renegado das forças especiais americanas que se entronizou no meio duma tribo local. Ao longo do percurso que faz enquanto sobe o rio, Willard estuda o seu alvo e questiona-se sobre o porquê da sua escolha.
Hà uma cena logo no inicio, onde nos é apresentado o tema, à volta do qual girará todo o filme: É a cena em que Willard é levado ao comando, onde lhe é explicada, pelo coronel Lucas (Harrison Ford num papel secundário e discreto), a missão que vai levar a cabo; estão presentes além de Lucas, um civil de nome Jerry que se percebe pertencer aos serviços secretos americanos, e o general Corman (G.D.Spradlin); a dado momento, Corman diz para Willard "...porque existe um conflito no coração de cada ser humano entre o racional e o irracional, entre o bem e o mal...e o bem nem sempre triunfa (...)...todo o ser humano tem o seu ponto de ruptura...você e eu temos...Walter Kurtz atingiu o seu e óbviamente enlouqueceu..." e é precisamente sobre este conflito permanente entre o racional e o irracional que "Apocalypse Now" caminha.
Desde o seu inicio, com as imagens de destruição, o som das pás dos helicópteros aos quais se sobrepõe o tema "The End" dos "The Doors" e que lentamente se vão dissolvendo no som e na imagem duma ventoinha de tecto de um quarto de hotel, até às imagens finais de um Willard completamente transtornado pelo seu acto, de destruição e da imagem final de um ídolo sobre a qual se houve uma voz assombrosa a exclamar "O horror, o horror" antes do écran ficar negro e surgir o genérico final, a ténue linha entre a racionalidade do ser humano e a irracionalidade do mesmo, é perfeitamente delineada em todo o filme.
Juntamente com a trilogia de "O Padrinho" (1972-1990), esta é outra obra-prima que Francis Ford Coppola filmou, mas a um preço que, duvido, qualquer cineasta, digno desse nome, dificilmente gostaria de pagar. Inicialmente a rodagem, que deveria demorar seis meses, demorou dois anos e meio e pelo caminho houve muita adversidade desde a mudança de actor para o papel de Willard (Coppola queria Steve McQueen que recusou, depois teve Harvey Keitel que abandonou as filmagens em conflicto com o realizador, acabou por finalmente ter Martin Sheen), as constantes alterações ao argumento, a falta de financiamento para o projecto até sets destruídos, actores hospitalizados um rol enorme de desgraças que muitas vezes fizeram perigar o projecto. A tudo isto Coppola, visionário como sempre, sobreviveu e brindou-nos com a sua visão (magnifíca) dum conflicto que mudou completamente a face da sociedade americana.
Vagamente baseado no livro "Heart of Darkness" de John Conrad, escrito em 1901, cuja acção se passa no congo belga no final do séc.XIX. Coppola e John Millius aproveitaram a ideia-base e o nome das personagens e transportaram a acção para o Vietname. O livro seria adaptado em 1993 para televisão por Nicolas Roeg com John Malkovich e Tim Roth.
Excepcionalmente bem realizado e interpretado por um elenco escolhido a dedo, encabeçado por um Marlon Brando que tem aqui a sua última grande interpretação, apesar de secundária pois só surge no último terço do filme, é hipnotizante e deixa-nos colados ao écran com os seus quase monólogos de um homem atormentado por tudo aquilo por que passou e que se sente grato por ser Willard quem o vem libertar; Martin Sheen, Frederic Forrest, o já citado Harrison Ford (cuja personagem, Lucas, nada mais é de que uma piscadela de olho ao amigo George Lucas), Dennis Hopper, com o seu visual acabado de sair de "Easy Rider" (Dennis Hopper, 1969), Laurence Fishburne completam o elenco onde nem falta Robert Duvall naquele que será talvez o seu melhor papel da sua já longa carreira. Bill Kilgore, conhecido como "Big Duke" (outra piscadela de olho do realizador desta vez a John Wayne o eterno cowboy do cinema), é quem vai pôr Willard a caminho da sua missão e para que isso aconteça, aproveita o facto do grupo do capitão incluir um antigo campeão de surf, ordena um ataque a uma aldeia para permitir que Willard comece a sua missão e satisfazer um capricho seu: fazer surf. Assim começa aquela que é a mais conhecida sequência de todo o filme e uma das melhores sequências de guerra da história do cinema.
Técnicamente brilhante em termos de realização, fotografia, montagem, e superiormente interpretada por Duvall, a cena abre com a chegada do barco de Willard que vem ao encontro da 1ªDivisão aérea do 9ºde Cavalaria (uma piscadela de olho aos westerns do mestre John Ford) onde surge Kilgore, vestido a rigor como nos tempos do velho oeste, a falar mal e depressa, rápidamente ficamos cativos desta magnifica interpretação que foi completamente ignorada na cerimónia dos Óscares (não passou duma nomeação para o actor). Robert Duvall, apesar do Óscar de Melhor Actor que ganharia pela sua interpretação em "Tender Mercies-Amor e Compaixão" (Bruce Beresford, 1983), será sempre recordado por esta interpretação do militar fanático por surf. Raramente se viu um papel ser interpretado com tanta convicção e credibilidade. É um dom que só alguns têm: Absolutamente fabulosa e inesquecível. Assim como também o é a sequência do ataque à aldeia onde nem sequer falta a componente musical e onde se comprova, uma vez mais, a genialidade do realizador; ao usar "A Cavalgada das Valquírias" de Richard Wagner, Coppola encontra aquilo que precisava para completar brilhantemente a sequência: a música dá um tom verdadeiramente apocaliptíco e, porque não, demencial a uma cena já por si realista que chegue. Esta é daquelas cenas em que a conjugação da racionalidade e da irracionalidade do ser humano se torna mais que evidente. Coppola sabia-o e mostra-nos isso mesmo, assim como o coronel Kilgore, depois de arrasar uma aldeia para ir fazer surf, não satisfeito, manda bombardear uma floresta inteira e depois de se vangloriar de mais uma das sua acções, diz, em tom de pesar, para um espantado Willard "...sabes um dia esta guerra vai acabar": terrivelmente fabulosa.
Coppola gostou tanto de fazer esta sequência que ele próprio faz uma aparição no filme (é o realizador da equipa de televisão que filma o ataque dos americanos). Esta sequência marca, de certa maneira, o fim da parte racional do filme e o triunfo, se quisermos, do bem. Daqui para a frente o tom do filme torna-se mais irracional, onde não faltam cenas a comprovar isso mesmo e onde nos apercebemos também, da verdade contida nas palavras do general Corman quando fala do eterno conflicto humano.
Apresentado pela primeira vez em Cannes, onde foi mostrada uma versão incompleta, montada (que o realizador chamou "A Work in Progress")para o certame, "Apocalypse Now" ganharia a Palma de Ouro juntamente com "O Tambor" (Volker Schlondorff, 1979) e serviria para aguçar a curiosidade do público europeu que viria a tornar o filme num dos maiores sucessos de bilheteira do ano no velho continente enquanto nos estados unidos o filme estreou rodeado de polémica devido ao tempo interminável da rodagem, não passou de um modesto sucesso.
Nomeado para oito Óscares da Academia, o filme venceria apenas em duas categorias: Melhor Som e Melhor Fotografia. recompensa pouco modesta para um filme desta envergadura, mas como as cicatrizes da guerra ainda eram muito profundas, entende-se perfeitamente este esquecimento vetado ao filme, tendo em conta que no ano anterior "O Caçador" de Michael Cimino, ganhara os prémios mais importantes da Academia e que, seis anos mais tarde, uma outra visão, esta mais pessoal, do conflicto, viria a vencer os prémios principais da Academia. "Apocalypse Now" apareceu cedo demais e ninguém entendeu o que o realizador quis dizer.
Em 2001, Francis Ford Coppola remontou o filme, acrescentando-lhe mais 50 minutos de cenas inéditas na versão normal. Não acrescentando nada de novo ao filme, esta versão serve apenas para projectar mais ainda uma visão já de si grandiosa. Se acreditarmos nas palavras do realizador quando fala desta versão a que chamou "Apocalypse Now Redux", percebemos que ainda não foi tudo dito acerca do filme
Obrigatório!
Por Rui Cunha (ALGUEIRÃO)2009-12-29
This is the end....o el horror (Pontuação: 10)
Resuenan en mi cabeza aún los zumbidos de las aspas de los helicópteros,acompañados de los acordes inconfundibles de los Doors,”this is the end”……..espectacular comienzo para una película no de guerra sino antibelicista. Francis Ford Coppola invirtió todo su dinero para poder realizarla,y gracias a Dios que lo hizo!!!!!. Porque enumerar todas las cualidades y calidades de este filme es casi imposible. Las imágenes son de una singular perfección, emergen de la pantalla y cobran vida ante nuestra vista mostrando con inclemencia el retrato más siniestro de los hombres.Coppola captó con terminante pulcritud y severa rigidez este lado tan inhumano.El rodaje duró 14 meses llenos de múltiples problemas y retrasos. Sólo se exhibió casi dos años después de su finalización.

La película nos narra una alucinante subida por un río en plena selva camboyana.El simbolismo del río es variado: El agua icono de vida de fertilidad y fecundidad, es contrapuesto aquí a la sangre de los muchos cadáveres y asesinatos que en el viaje se producen. El curso del río también es el camino que Willard (Martin Sheen) posee para comprender y entender porqué su misión debe ser realizada y porqué el coronel Kurtz (Marlon Brandon) ha perdido la sanidad mental.La introspección al fondo del alma de cada uno de los dos protagonistas es un choque doloroso entre dos personas que no son tan diferentes y que comparten experiencias ante la violencia y cómo éstas los transforman.Las camadas de cada uno,son como las distintas profundidades del río.En el fondo siempre hay un lodo espeso y denso,capaz de arrastrarte.

El filme es muy duro,junto a Platoon y la chaqueta Metálica son “mi triología perfecta” sobre Vietnam.En cada una de ellas me cuestiono si en realidad los hombres debemos sobrevivir en este planeta. Apocalypse now es mi favorita porque en el extremo de la locura hay cabida para todo y todos. Desde hacer surf en pleno ataque aéreo rodeado de explosiones de bombas y restos de metralla,hasta buscar nabos en medio de la jungla con animales salvajes persiguiéndote. Hubo momentos en la película que me parecieron tan lógicamente irreales que parecía que de la pantalla un poco de LSD se escapara y estaba alucinando yo misma por aquello que estaba viendo.Todo el filme está plagado de metáforas en las que los personajes intentan dentro del infierno en el que están metidos,hacer de ello su pequeña casa.Su pequeño hogar.

Si algo evidencia esta película es el fracaso rotundo que fue la guerra de Vietnam y el costo tan alto que pagaron por ese error,marcando para siempre a una generación.Entrabas en ella normal y poco a poco la mente y el alma degeneraban sacando del interior lo más podrido de cada uno dejando secuelas psicológicas imposibles de curar. Adentrarse en el río es adentrarse dentro de esos horrores,en hombres anestesiados por la violencia extrema con el único propósito de resistir un día más preguntándose porque están allí,adaptándose a la muerte como algo cotidiano y banal,realizando crímenes absurdos en respuesta a la tensión que va almacenándose día tras día en el centro del estómago,como si fuese un hijo que se gesta dentro de la barriga.Nervios crispados por el sonido de las ametralladoras en una noche que no tiene fin. Cadáveres acumulados en trincheras que nadie se importa en retirar incitando el paroxismo y la paranoia que forman parte de tí.Exaltación de la barbarie colectiva en restos de seres humanos que no consiguen ni quieren pensar.

Llegas al final del río y esperanzado te preparas para el desenlace diciéndote que las cosas ya no pueden empeorar mucho más,pero te equivocas………… los muertos enseñan sus rostros enfrentándote una vez más a la monstruosidad y la aversión.El final para mí es la mejor parte,media hora de éxtasis.Por fín ,entre la penumbra ,unos ojos grises azulados te miran como espadas afiladas,mientras una voz profunda desvela uno de los mejores monólogos de toda la historia del cine.Marlon Brando desnuda su alma,explica sus decisiones sus temores y te convence.Sabes que cada palabra son verdades irrefutables y prodigios de meditaciones insondables salidas de lo más hondo de la trascendencia racional.Su figura inmensa, llena la pantalla,sus manos dentro del agua son la pureza de quien sabe las respuestas que ningún otro hombre ha sabido descifrar.Èl es el resumen de todas las guerras de todas las batallas y de todas las armas desde el inicio de los tiempos.La piedra de rosetta de la atrocidad humana. A golpe de machetazos dos sacrificios son practicados en un abyecto final.
Por Isabel (LISBOA)2009-07-29
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